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Cobrimos a 59º Premiação da Associação Paulista de Críticos de arte (APCA)

Seis Décadas de Arte

A Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) é uma entidade brasileira sem fins lucrativos sediada em São Paulo, e mantida pelo trabalho voluntário e pela contribuição anual dos associados. Originou-se da seção paulista da Associação Brasileira de Críticos Teatrais. Sua principal atividade é a premiação anual dos melhores artistas em cerca de dez categorias distintas.

Abrindo as comemorações de 60 anos de atividade da APCA na noite de terça-feira,  15/03/2016, aconteceu a premiação no Sesc Pinheiros.  O evento premia diversas categorias, desde arquitetura , passando pelo campo das artes visuais, cinema, literatura, música popular, rádio, teatro adulto,  teatro infantil, televisão e a mais nova categoria adicionada, moda.

Por ocasião das comemorações dos 60 anos da instituição, o troféu ganhou uma nova concepção. Como foi dito por alguns premiados na noite, a APCA é uma das premiações mais importantes para os artistas brasileiros.

Em entrevista com José Henrique Fabre Rolim, um dos críticos da categoria de artes visuais e atual presidente da APCA, ele diz que o fator fundamental para a instituição construir toda sua história, é que ela é a única instituição que atua em 12 áreas da arte, e, quando questionado sobre a falta de divulgação do evento para o público, ele diz que o evento atinge prioritariamente a classe artística e quem acompanha a arte, mas diz que aos poucos as pessoas estão se envolvendo mais, tendo acesso a  mais informações, e termina dizendo que espera que a instituição cresça cada vez mais e encontre novos desafios.

Entre os premiados da noite, passaram pelo palco Guilherme Fontes, recebendo o prêmio de melhor direção  por Chatô, O Rei do Brasil; Fellipe Barbosa, com melhor roteiro por Casa Grande;  Emicida, como artista do ano; Ricardo Boechat recebeu prêmio especial do júri, pela BandNewsFM; a colunista Mônica Bergamo pela BandNewsFM; Maria Luiza Mendonça, como melhor atriz por Um Bonde Chamado Desejo; Silvio Santos foi o grande prêmio da crítica (ninguém compareceu para retirada do prêmio); Walcir Carrasco, como melhor novela por Verdades Secretas; Grazi Massafera, como melhor atriz por Verdades Secretas; Alexandre Nero, como melhor ator por A Regra do Jogo; Monica Iozzi, como melhor apresentadora por Vídeo Show, e por último, com menção honrosa, o Programa Mulheres, que completa 35 anos na TV GAZETA.

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Emicida. Foto: Beatriz Covolo.

 

A apresentação ficou a cargo de figuras renomadas, como: Lauro César Muniz e Bárbara Bruno (Literatura), Monica Iozzi e Paola Carosella (Artes Visuais), Grazi Massafera e Hugo Possolo (Moda), Alexandre Nero e Fernanda D’Umbra (Música), Marcelo Tas e Bel Kowarik (Rádio), Paulo Milklos e Paulinho Vilhena (Teatro) e por fim Helena Ignez e Fauze Hatten (Teatro Infantil).

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Monica Iozzi. Foto: Beatriz Covolo.

 

Casa Grande:

Entre os ganhadores da noite, estava Fellipe Barbosa, que levou o prêmio de melhor roteiro por ‘’Casa Grande’’, que conta a história de Jean, um adolescente rico que luta para escapar da superproteção dos pais, secretamente falidos. Enquanto a casa cai, os empregados têm que enfrentar suas inevitáveis demissões, e Jean tem que confrontar as contradições da casa grande. Um filme que vai muito além dos paradigmas impostos aos cenários marginalizados, contrapondo a ideia superficial de que os problemas não atravessam os muros dos grandes palacetes e nobres condomínios da sociedade carioca.

Fellipe Gamarano Barbosa nasceu no Rio de Janeiro, e completou seu mestrado em cinema na Universidade de Columbia, Nova York. Teve seus curta-metragens exibidos no Festival de Sundance, Clermont-Ferrand e o Festival de Cinema de Nova York. Com o filme Casa Grande, seu primeiro longa-metragem ganhou 12 prêmios em festivais internacionais e nacionais.

Quando questionado sobre qual seria o seu diferencial para ganhar tantos prêmios, ele diz:

‘’Eu não faço ideia. O que posso te dizer é que este é um roteiro muito pessoal, falando sobre a minha família, e eu coloquei toda minha alma nisso. Eu escrevi esse roteiro umas 40 vezes. Foi um trabalho de muitos anos, até porque eu demorei muito tempo para ganhar dinheiro e fazer esse filme. Eu trabalhei e eu tenho sido muito cuidadoso com o roteiro, porque é a minha profissão.’’

Para os futuros roteiristas ele deu uma dica: o segredo está em reescrever. Qualquer um pode escrever 100 páginas, mas reescrever é o segredo.

Ele conta em primeira mão que o seu próximo roteiro será sobre um Alpinista, que como ele disse: ‘’Já reescrevi umas 40 vezes, fica tranquila’’. O filme é sobre um montanhista, que era amigo de infância de Felipe e morreu no Malawi em 2009.

Ele encerra a entrevista dizendo:

‘’A maior metáfora da escalada, é que todo passo que você dé é muito importante, e as agarras, que são os obstáculos, como os obstáculos da vida, são o que nos possibilita subir, só que quanto mais tempo você passa em um obstáculo, mais difícil é o próximo.’’

Felipe é um exemplo de genialidade e simplicidade, que promete esquentar o cinema brasileiro com ideias inovadoras e criativas, proporcionando um destaque nesse segmento artístico e ultrapassando fronteiras até então pouco desbravadas pelo cinema nacional.

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Fellipe Barbosa. Foto: Beatriz Cuvolo.

 

Chatô – O Rei do Brasil

Guilherme Fontes, ator conhecido principalmente por novelas e minisséries na rede globo, se tornou diretor de uma grande produção com o filme “Chatô – O Rei do Brasil”, que repassa momentos fundamentais da vida do jornalista Assis Chateaubriand, com uma produção que durou 20 anos.

O filme foi lançado em poucas salas, falhou em encontrar seu público nos cinemas, e foi investigado pelos que queriam provar que havia desviado recursos. Guilherme Fontes, que durante anos foi pintado como o homem que destruiu a credibilidade do cinema brasileiro, foi indicado pela crítica da APCA como melhor diretor de 2015. Os críticos afirmaram que ” Chatô” é o último grande filme tropicalista feito no País.

No seu discurso após o recebimento do prêmio, ele disse:

“Jamais pensei que um dia eu pudesse estar aqui recebendo um prêmio. Eu estava muito preocupado com o público, sinceramente. É uma emoção, depois de tudo isso que eu vivi, que o filme viveu, e o que o cinema acabou vivendo em seguida. Eu estou feliz e aliviado de poder ter entregue o filme, e ele ter sido reconhecido”.

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Guilherme Fontes. Foto: Beatriz Cuvolo.

 

Em seguida, ele dedicou o prêmio para sua equipe, seu diretor de arte, de fotografia, figurinistas e para sua mãe. Ele completa o discurso dizendo que não desistiu até que todo seu trabalho estivesse milimetricamente cumprido, e diz:

“Espero que esse seja um começo de um renascimento”.

Em entrevista após o evento, quando questionado sobre a pouca repercussão do filme, ele diz que resolveu esse problema vendendo o filme para a Netflix e para o Now. Diz também que a televisão vai suprir esse desgaste que ele teve com o cinema.

Talvez o maior problema de Guilherme Fontes tenha sido o perfeccionismo, e quando eu disse isso para ele, obtive um sinal de concordância imediato. O filme retrata um período e uma personalidade muito importante, que merece nossa atenção. Então, se você ainda não assistiu, agora já sabe onde o filme esta disponível. Vale a pena investir seu tempo.

Confira mais fotos do evento:

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Foto: Beatriz Cuvolo.

 

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Foto: Beatriz Cuvolo.

 

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Foto: Beatriz Cuvolo.

 

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Foto: Beatriz Cuvolo.

 

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Foto: Beatriz Cuvolo.

 

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Foto: Beatriz Cuvolo.

 

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Foto: Beatriz Cuvolo.

 

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Foto: Beatriz Cuvolo.

 

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Foto: Beatriz Cuvolo.

 

A premiação foi encerrada com um coquetel no mesmo recinto, comemorando também o Jubileu de diamante da instituição e com muita expectativa para a premiação do próximo ano.

 

Por: Beatriz Cuvolo – Fala!Cásper

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2 Coment.

  1. Luiz Guilherme Kawall

    Parabéns Beatriz, ótima cobertura do evento.

  2. Sou a mãe mais orgulhosa desse mundo, parabéns filha, você nasceu para isso!!! Te amo

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