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CCXP: David Michelinie dá aula de escrita e roteiro

CCXP: David Michelinie dá aula de escrita e roteiro

Nesta sexta, 07, o Auditório Prime na CCXP 2018 foi tomado por aspirantes a escritores ansiosos em colher dicas preciosas na masterclass de David Michelinie, quadrinista,roteirista e cocriador de Venom.

A aula começou com o autor contando um pouco de sua vida. Ele diz que sempre gostou de histórias em geral, e que começou a escrever aos 9 anos, desenhando historinhas em um livrinho que vendia com a mãe na escola. Faziam isso escondidos, porque o diretor não gostava da prática –  David brincou que esse teria sido seu primeiro contato com críticos.

Segundo David, seu sonho era criar histórias que emocionassem outros como ele mesmo se emocionava ao ler suas preferidas. Ele diz que, quando jovem,  escrevia uma música ruim, um poema ruim, uma história ruim aqui e ali, mas jamais deixava de escrever.

CCXP/ I Hate Flash

As Dicas

Hoje, o trabalho de escrever quadrinhos é mais fácil. Há dois modelos, o full script, em que há a descrição do quadro e logo abaixo os diálogos, tudo feito pelo roteirista, e há o método Marvel, em que o escritor entrega o enredo (com cerca de 5 páginas) ao desenhista, que  faz o layout em cima do texto ( resultando em algo com cerca de 25 páginas), e devolve o material ao escritor, que então adiciona os diálogos. Segundo David, full script é o método mais adotado porque é o mais fácil para as empresas, mas o método Marvel é o melhor.

David destaca 3 elementos para guiar o trabalho de qualquer roteiro: impacto, clareza e envolvimento.

1-Impacto: se você faz seu leitor rir, você venceu. Se os faz chorar, venceu. Se os deixa aterrorizados, você venceu. Se você não consegue comover seu leitor de uma forma ou de outra, voce está perdendo o seu tempo e o dele.

2 -Clareza: não é para subestimar o leitor e encher as páginas de descrições e detalhes, mas é preciso fornecer os dados do que está rolando. Pistas, no início, para coisas, ações e personagens que serão importantes no final. Clareza sem excessos: se você adiciona algo a história, isso tem que ter alguma utilidade, senão vira distração.

3- Envolvimento: o seu leitor precisa assistir ao trailer, ler a sinopse, etc, e ficar instigado, “meu Deus, o que é isso?”. E aí ele precisa ver o filme, ler o gibi, enfim, e dizer pra si mesmo “meu Deus, o que foi isso?”. O leitor tem que ficar querendo mais no final.

CCXP/ I Hate Flash

Para não ter problemas com a suspensão da descrença, que pode ser um problema com histórias de super-heróis, por exemplo, David diz que é preciso ler o próprio trabalho com outros olhos. Para isso, termine a história em que está trabalhando e vá fazer outros projetos, envolver sua cabeça com outras coisas. Semanas depois, volte e leia o que você escreveu com uma postura crítica, como se fosse pelos olhos de outras pessoas. Isso é difícil e leva tempo, mas com a prática constante, torna-se comum e essencial

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