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Casa TPM: o rolê que abre as portas de um futuro mais feminino

Casa TPM: o rolê que abre as portas de um futuro mais feminino


Por Julia Cosceli – Fala! Cásper

 

Neste último final de semana, a revista TPM (Trip Para Mulheres) realizou mais uma edição do seu maior evento anual – a Casa TPM, no Nacional Club em São Paulo. O evento durou dois dias e contou com mais de três mil convidados, diversas palestras e workshops sobre os assuntos mais polêmicos e inquietantes do universo feminino.

A iniciativa do evento vem diretamente da revista, a qual desde seu lançamento, há 16 anos, vem colocando o “jornalismo rosa” às avessas, fazendo um conteúdo para mulheres reais, fortes e independentes, saindo do padrão da mulher bela, recatada e do lar. Tendo o feminismo, amor livre e a quebra de tabus como principais temas da revista impressa, no evento não poderia ser diferente.

O evento começou com uma batalha de rimas do grupo Slam das minas – um movimento artístico em que as meninas protestavam, por meio da poesia, contra a questão racial e a homofobia, colocando o feminismo como principal pauta entre os poemas, o que abriu o tema para as seguintes palestras.

As convidadas Monica Iozzi e Bruna Linzmeyer ressaltaram a importância do movimento para todas as mulheres, e ainda contaram como é difícil lidar com os desafios da desigualdade de gênero no trabalho:

“O machismo me atazana, faz meu corpo revirar, mas ao mesmo tempo me incentiva a continuar diariamente na luta” (Bruna Linzmeyer).

“Muita gente confunde feminismo, como se fosse o contrário de machismo. O machismo levado ao extremo mata. O feminismo, quando obtém sucesso, salva vidas” (Monica Iozzi).

Além do feminismo, a questão de gênero foi outro tema que ganhou um bom espaço dentro das discussões.

“Gênero, preconceito e liberdade”, uma conversa com a travesti, escritora e prostituta Amara Moira, a advogada e feminista do coletivo “Dandara” Marina Ganzarolli e o homem trans e bancário Theo Linero. Dentro da conversa, os convidados se posicionaram em relação ao preconceito que existe com pessoas trans e travestis, e como é a percepção de machismo para uma pessoa na transição de gênero.

“O mundo estava aberto para mim quando eu era fisicamente um homem, e hoje ele não está mais” (Amara Moira).

A questão sobre o papel da mulher se estendeu também para a área de saúde. Na roda de conversa “Prazer angústia”, participaram a atriz Martha Nowill, a psicanalista Maria Lucia Homem, a cantora Mahmundi e a executiva e diretora do Santander, Maria Eugênia López, sob a mediação da jornalista Milly Lacombe. As pautas trataram de falar sobre o equilíbrio entre os prazeres e as angústias femininas.

Quando estou comendo direito, malhando, me sinto angustiada. Daí começo a beber todas, sair à noite, e continuo angustiada. É uma culpa de nunca estar confortável com o que eu tenho” (Martha Nowill).

Na mesma roda de conversa, o sexo, que é considerado um dos maiores tabus para o universo feminino também foi tema.

“A maneira como falamos de sexo é muito misturada com ilusões, e isso transforma a missão de tocar fundo no nosso desejo desconhecido uma tarefa bastante difícil”.

Ainda na temática de saúde, o último debate da noite foi “Drogas e seu impacto na vida das mulheres”. O jornalista Felipe Gil mediou a conversa entre Maurício Cotrim, psicólogo especializado em dependência química e ex-usuário, e  Ana Paula Pellegrino, pesquisadora do Instituto Igarapé.

“A família aceita o homem que quer voltar, mas a mulher fica na rua” (Ana Paula).

A youtuber Jout Jout também deu as caras pelo evento, participando de uma conversa aberta e respondendo algumas perguntas enviadas online. Famosa por abordar temas mais engajados em seu canal, desde feminismo até autoconfiança, para ela, estamos ladeira acima quando o assunto é liberdade das mulheres.

Já no segundo dia, o evento começa com a peça A alma Imoral, de Nilton Bonder, interpretada pela atriz Clarice Niskier. O que deu o engate para um dos debates mais importantes do evento – “O futuro é feminino”ao qual a apresentadora Sarah Oliveira, a jornalista Milly Lacombe, a atriz Bianca Comparato, a geneticista Lygia da Veiga Pereira e a também geneticista e criadora do Plano de MeninaViviane Duarte, mostram a importância em se tratar o “feminino” como algo não mais relacionado à fragilidade, mas sim que passe a ter uma figuração mais forte e importante.

Associamos a delicadeza à fraqueza, por exemplo. Para mim, o que é forte é delicado” (Bianca Comparato).

Em um ambiente bem diversificado, a sexta edição da Casa TPM contou também com música ao vivo, food trucks diversificados, bons drinks e até mesmo sessão de manicure – tudo isso gratuitamente e ao alcance de todas as mulheres, mostrando como é importante empresas e meios de comunicação se engajarem mais nos temas que cercam o universo feminino, que nem sempre é tão cor de rosa como parece.

 

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