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Casa 1: É tempo de resistir em momentos sombrios

Casa 1: É tempo de resistir em momentos sombrios

Thiago S. Annunziato – Fala!PUC

“Assassinatos de LGBT+ crescem em 30% após as eleições de 2018”

“O filho começa a ficar assim meio gayzinho, leva um coro ele muda o comportamento dele. Tá certo? Já ouvi de alguns aqui, olha, ainda bem que levei umas palmadas, meu pai me ensinou a ser homem.” “O Sangue de um homossexual pode contaminar um sangue de um heterossexual.” “90% dos adotados vão ser homossexuais e vão ser garotos de programa deste casal.”

Estas frases poderiam ter sido ditas por algum membro da Igreja ou algum aristocrata na Idade Média, mas não. Foi declarada em pleno século XXI pelo então presidente eleito do Brasil, Jair Messias Bolsonaro. De certa forma estes atos de crueldade perpetuaram na esfera social em que vivemos em grande parte de forma um pouco mais sutil, e de outras que abraçaram a crueldade como um velho amigo.

Entre os anos de 2016 e 2017, com o crescente levantamento do discurso de ódio e da intolerância, o número de homicídios contra a comunidade cresceu em até 30%, de acordo com uma pesquisa obtida pelo “O GLOBO”. A cada 19 horas um LGBT+ é assassinado ou se suicida, vitima de “LGBTfobia”, o que faz do Brasil o campeão mundial desse tipo de crime.

Mesmo com a postura preconceituosa do então atual presidente e também de seus eleitores, ainda podemos encontrar um refúgio ou até mesmo um oásis para a comunidade LGBT+ nesses tempos afrontosos de ódio: A Casa 1, localizada na região central de São Paulo e financiada coletivamente pela sociedade civil, atua como república de acolhimento para a comunidade LGBT+, e reúne pessoas que foram expulsas de casa ou encontrados em situações críticas pelas ruas da cidade. Além disso, o projeto ainda opera como um Centro Cultural para toda comunidade carente das regiões.

(Galpão Casa 1 – Centro de São Paulo, foto: Thiago S Annunziato)

A criação do projeto nasceu em 2015 pela iniciativa do jornalista Iran Giusti, que abriu as portas de seu apartamento para abrigar desconhecidos que foram expulsos de casa por causa de sua orientação sexual. Como a demanda foi mais do que esperada, o jornalista foi atrás de uma casa maior para funcionar como espaço de acolhimento. Para que a ideia saísse do papel, Iran criou uma campanha do tipo crowdfunding”, ou seja, projetos que necessitam de recursos em tempos de crise financeira. Ele conta também com uma gama muito grande da presença feminina que dará palestras e cursos para a comunidade. Além disso, localiza-se numa região estratégica do Centro de São Paulo, objetivando dar maior visibilidade para esta região da cidade.

(Galpão Casa 1 – Centro de São Paulo, foto: Thiago S Annunziato).

Iran Giusti comentou em uma entrevista para o site de entretenimento GLAMOUR do jornal O Globo que “acolher é mais do que oferecer um teto, é também trazer oportunidades e socialização para a vida dessas pessoas e, por isso, a Casa 1 será também um centro cultural e um espaço de palestras, cursos e workshops, tanto para os moradores quanto para o público em geral”.

(Galpão Casa 1 – Centro de São Paulo, foto: Thiago S Annunziato).

É trilhando estes pequenos caminhos dentro de um turbilhão de disparos discriminatórios que tentamos transformar uma sociedade desde a sua base para a compreensão, compaixão e a solidariedade para as próximas gerações que estão por vir.

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