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Carolina Maria de Jesus – Homenagem aos 104 anos da escritora

Carolina Maria de Jesus – Homenagem aos 104 anos da escritora

Por Maria Fernanda Favoretto – Fala!PUC

 

No dia 14 de março, o Instituto Moreira Salles, em São Paulo, foi palco de diversas manifestações artísticas para homenagear e comemorar a história da falecida escritora Carolina Maria de Jesus, que completaria neste mesmo dia 104 anos, a qual ficou famosa pelo seu livro “Quarto de despejo: diário de uma favelada”, publicado em 1960, que rendeu a venda de mais de dez mil exemplares em apenas um mês e foi traduzido para mais de 15 idiomas.

O evento começou na parte da tarde com a participação de atores da companhia de teatro Os Crespos. Transitando pelo Instituto, interagindo com o público ao redor, atuando, cantando, tocando e dançando, os atores recitavam alguns trechos marcantes do livro da autora.

Na entrada do prédio, foram projetadas imagens de Carolina em sua trajetória profissional ao som de músicas que ela mesma compôs e gravou em 1961, um ano após a publicação de seu best-seller. O LP que contém suas músicas, 12 faixas ao todo, pertence ao Acervo José Ramos Tinhorão, que está sob a guarda do próprio Instituto Moreira Salles. As gravações estão disponíveis no site do IMS, na página Rádio Batuta.

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De noite, os atores se reuniram para a encenação de trechos do espetáculo “Ensaio Sobre Carolina”, criado por eles e baseado na história de vida da artista. Os lugares na plateia foram dispostos de maneira irregular para que os atores pudessem transitar entre o público. Revezando os papéis, todos tiveram a função de representar Carolina entre as diversas fases de sua vida, além das figuras importantes que a cercaram.

A peça teve um caráter bem musical, com o violão ao fundo, muitas das cenas eram cantadas. Atores entraram em cena com perucas loiras de fios lisos, representando a sociedade em que a autora viveu e em que ainda se vive, dominada pela elite branca. Ao tirarem as perucas, assumiram os cabelos crespos, fazendo referência não só à autora, mas também ao grupo do qual fazem parte.

Carolina nasceu em Sacramento (MG), em 14 de março de 1914. Os atores representaram sua vinda para São Paulo em 1947, onde passou a morar na favela do Canindé e de onde costumava sair diariamente para trabalhar como catadora de papel. Mostraram como foi difícil de criar seus três filhos sozinha com um trabalho instável, passando por dificuldades financeiras e muitas vezes sem ter o que comer.

Representaram ações e reflexões da vida de Carolina que ela mesma conta no livro. É nítida a crítica social feita e transmitida dela para os atores e então para o público presente. Enfatizaram as questões da irresponsabilidade política e das diferenças raciais e sexuais no Brasil, de como é raro uma mulher negra favelada ter a oportunidade de saber ler e escrever e finalmente conseguir publicar um livro. Carolina aproximou-se do jornalista Audálio Dantas que, ao ler seus diários, reconheceu neles um talento. Foi responsável por encaminhar os escritos de Carolina para a editora Francisco Alves, onde nasce o livro.

A encenação contou com a participação especial da poeta Tula Pilar, que representou a mudança de melhora de vida da autora após o sucesso que foi o lançamento de sua obra. Houve também a participação especial do rapper Du’Gueto, que cantou em favor das questões sociais que foram encenadas durante a peça.

Ao fim do evento, em agradecimento, a atriz Lucélia Sérgio enfatizou a importância da conscientização da população brasileira em relação ao preconceito racial ainda muito presente no Brasil. Mesmo assim, afirmou que “nós negros existimos, aqui estamos,  ocupamos, ocuparemos, resistimos e resistiremos sempre”.

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