Carol Solberg diz "Só para não esquecer, fora, Bolsonaro!"; entenda
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Carol Solberg diz “Só para não esquecer, fora, Bolsonaro!”; entenda

Carol Solberg diz “Só para não esquecer, fora, Bolsonaro!”; entenda

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Atleta brasileira, Carol Solberg é advertida após julgamento no STJD do vôlei devido à crítica ao governo Bolsonaro no final de uma entrevista concedida ao canal SporTV

 Após ter sido adiado, o julgamento da atleta de vôlei de praia, Carol Solberg, aconteceu no início da tarde do dia 13 de outubro, no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). As acusações feitas pela procuradoria do STJD surgiram após a manifestação da atleta ao final de uma entrevista concedida ao canal SporTV.

Ao gritar “Fora, Bolsonaro!” após a conquista da medalha de bronze na primeira etapa do circuito Brasileiro, em Saquarema, a atleta recebeu apoio e críticas diversas nas redes e grande mídia. Posicionando-se de maneira crítica contra o atual governo de Jair Bolsonaro – a manifestação proclamada por Carol não foi vista com bons olhos por todas as entidades esportivas, como expresso em nota através da própria Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), a qual repudiou a atitude da atleta.

Em uma denúncia feita ao STJD, no dia 29 de setembro, a procuradoria do órgão recorria ao descomprimento de dois artigos presentes no Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD). O primeiro deles, artigo 191, faz referência à penalização do atleta caso haja descumprimento do regulamento da competição. Além do artigo 258, no qual se atribui penalidade aos casos em que o atleta assume uma conduta contrária à disciplina ou ética desportiva.

Por consequência dos atos, a acusação pedia por pena máxima em cada um dos dois artigos mencionados. A atleta estaria sujeita a uma multa de R$ 100 mil e suspensa durante seis jogos. Contudo, embora tenha sido condenada ao final do julgamento – por três votos a dois, com base no artigo 191 do CBJD – a multa acabou por ser convertida em uma advertência.

O voto de minerva foi do próprio presidente da comissão, Octacílio Araújo. Em suas palavras, a advertência tratou-se de um “puxão de orelha” que poderia se transformar em penalidades maiores, caso atitudes similares ocorram. Ao fim do julgamento, os auditores estabeleceram que Carol não poderia voltar a se manifestar politicamente na quadra de jogo.

Carol Solberg
Carol Solberg. | Foto: Reprodução.

Repercussão do caso Carol Solberg

O caso como um todo foi capaz de gerar fortes discussões em diversas plataformas, contando com a manifestação de figuras emblemáticas do esporte e dos amantes das modalidades. Muitos internautas passaram a debater  a existência de uma liberdade relativa presente no esporte brasileiro e se haveria, de fato, um ambiente aberto a manifestações de cunho político.

Em contrapartida ao posicionamento de Carol Solberg, outros atletas brasileiros já se manifestaram politicamente em campo, em sua maioria, a favor do governo atual. Como exemplo disso, lembrou-se muito do caso de Maurício e Wallace, voleibolistas da seleção masculina. Os mesmos não foram retraídos ao manifestarem-se em apoio ao candidato Jair Bolsonaro, em 2018.

A fim de representar com suas próprias mãos o número 17, utilizado pelo candidato durante a campanha, o gesto foi feito após a vitória do Mundial e acabou por ser repercutida pelos canais oficiais da própria Confederação Brasileira de Vôlei. A imagem foi retirada das redes após grande divulgação.

No futebol, assim como nas quadras de vôlei, episódios similares ocorreram. Conhecido como o Pitbull do time, Felipe Melo, também demonstrou apoio ao Presidente em um jogo contra o Bahia. O volante do Palmeiras teria dedicado um gol ao candidato. No entanto, posturas críticas ao governo atual também já foram corriqueiras nas redes sociais de alguns outros jogadores. Diego Cavalieri, goleiro do Botafogo, já utilizou de seu perfil nas redes para posicionar-se contrário às posturas de Jair Bolsonaro.

Isto é, tais episódios apenas relembram o quanto o ambiente esportivo, demasiadamente humano, está sujeito a atos humanos. O posicionamento da atleta e dos outros já mencionados, independente de ideologias opostas, dão valor a princípios fundamentais olímpicos os quais visam  o “equilíbrio das qualidades do corpo, do espírito e da mente, combinando esporte com cultura e educação”.

Porém, infelizmente, as posturas adotadas pelas autoridades em relação ao episódio da atleta, reforçam a ideia de que nem todos no ambiente podem desfrutar da mesma autonomia para exercer suas potências intelectuais. No caso de Carol indo mais a fundo, impedindo-a de exercer sua posição como cidadã e mulher.

O episódio mostra mais uma vez que, embora o ano tenha sido propício para revoluções dentro do cenário esportivo, – principalmente quando se observa atletas internacionais como os da NBA, do automobilismo, tênis e outros – o ambiente não deixa de ser sujeito às interpretações daqueles que detêm a autonomia de sua organização. No caso de Carol Solberg, a mediação do caso acabou por transformar a atleta em uma jogadora desprovida de voz dentro do seu próprio ambiente de atuação. 

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Por Julia Roperto – Fala! PUC

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