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Carne – um poema sobre a mulher negra na sociedade

Carne – um poema sobre a mulher negra na sociedade


Carne

Obrigada,
Acorrentada e escrava da lavoura.
Ainda hoje, ao pensar em mim,
Já querem me estender a vassoura.

Em meu lombo,
Chicoteiam sobre a pele bronzeada.
Mulher e negra.
Essa, não deve significar nada.

Dizem que minha voz,
De preta, não deve ser ouvida.
Mas quando chega o carnaval:
“Olha lá a preta gostosa na avenida”.

Os tempos mudaram e
Minha ascensão machuca.
Carrego em minhas veias
A essência negra e mameluca.

E viver sob olhares tortos,
É o meu fardo
Pois, carrego a injustiça
De ser considerada
A carne mais barata do mercado.

              ⁃             Vitória Pires, aluna da Cásper Líbero.

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