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Brexit: Theresa May renuncia ao cargo de primeira-ministra do Reino Unido

Brexit: Theresa May renuncia ao cargo de primeira-ministra do Reino Unido

 A ainda primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, cede sobre a pressão feita pelo projeto que cultiva desde 2016: Brexit.

Por Fatime Ghandour – Fala!Cásper

Theresa May (62), representante e líder do partido conservador desde 2016, deve permanecer no cargo de primeira-ministra do Reino Unido (RU) apenas até o dia 7 de junho. O Reino Unido hoje abriga quatro países: Inglaterra, Irlanda do Norte, Escócia e País de Gales.  

O Brexit derruba mais um: A renúncia de Theresa May

May renunciou na última sexta-feira, dia 24, após uma série de falhas durante o processo chamado de Brexit, basicamente a saída do Reino Unido da União Europeia (UE), uma decisão tomada através de um plebiscito realizado a três anos atrás e que englobou eleitores dos quatro países.

 A vitória pela retirada do bloco econômico foi notificada ao mesmo em março de 2017 e deveria ser efetuada dois anos após, 2019, de acordo com o Tratado de Lisboa (artigo 50), que estabelece a qualquer Estado-membro do bloco europeu com o desejo de sair deste, um prazo de dois anos até que a ação seja efetuada.

  No ano de 2017, May encarou seu primeiro fracasso referente a seu desejo de retirar o Reino Unido da UE: A fim de fortalecer a causa, convocou eleições legislativas, mas perdeu a maioria absoluta, fato que levou até mesmo membros de seu próprio partido à atacarem-na.

Mas quando acontecimentos semelhantes a este começaram a ser mais recorrentes, a não aceitação de acordos pelo Parlamento britânico, Theresa May foi perdendo cada vez mais apoio.

  Então 2019 está aqui, março chegou; o Brexit não, e exatamente por uma falta de consenso (May/Parlamento) sobre tal, o prazo foi adiado até 31 de outubro deste ano após a última rejeição que abateu May, no último dia 29 de março, data que marcava o aniversário de dois anos desde que o comunicado da separação foi feito, porém ainda não havia acordo aprovado pelo parlamento.

Assim, ficou para o dia 12 de abril a apresentação, para a UE, do próximo passo, que se mostrou por ser a extensão do prazo para o divórcio, o que implica em, no final de maio, participar das eleições do parlamento europeu, que rege os membros da UE como um todo.

   Theresa May projetou acordos de saída, junto da União Europeia, que foram duramente rejeitados pelo Parlamento. “Eu fiz tudo o que eu podia para convencer os parlamentares a apoiarem esse acordo (Brexit). Infelizmente, eu não fui capaz de fazer isso. Eu tentei três vezes”, declara a ainda primeira ministra britânica ao anunciar sua renúncia. 

Brexit: Renúncia de Theresa May
Brexit: Renúncia de Theresa May

British (britânica) Exit (saída) = Brexit: Explicado   

 Por que o Brexit tem tantos apoiadores?

   A União Europeia é um projeto utópico cujo protótipo, Comunidade Econômica Europeia (CEE), foi criado em 1957, após a segunda guerra mundial, visando evitar novos conflitos mundiais através da existência de uma organização multinacional. 

Nesta comunidade a Inglaterra adentrou apenas em 1973 e em 75 houve um plebiscito com os países do Reino Unido, do qual a Inglaterra é administradora, para saber se havia uma concordância sobre a permanência no bloco econômico, questão à qual dois terços do povo britânico responderam positivamente.

Porém, além de ter se juntado na CEE depois dos outros, o Reino Unido nunca chegou a adotar o Euro, estabelecido como a moeda do bloco na década de 2000, e optou por permanecer com a libra esterlina (que despencou atingindo o menor valor, frente ao dólar, em 31 anos à menção da retirada Reino Unidense).

  A ideia do Brexit  “nasceu”  durante o governo do ex-primeiro-ministro David Cameron, antecessor de May e também conservador, que renunciou ao cargo em 2016 por não concordar com a decisão feita de se retirarem do bloco europeu, declarando que “a negociação deve começar com um novo primeiro-ministro”.

O apoio ao Brexit cresceu nas mãos do medo que grande parte do povo britânico tem da imigração, aspecto que se tornou o principal argumento durante campanhas a favor do processo de saída da União Europeia, em que o Reino Unido disse não seria capaz de controlar o número e imigrantes enquanto continuasse fazendo parte do bloco e em todo momento o discurso foi de exaltação da identidade nacional.

Outro motivo da ânsia por sair da União Europeia pode ser colocado no colo do custo que a Inglaterra paga à UE: algo por volta de 12 bilhões de Euros por ano, dinheiro que segundo o discurso emancipador, poderia ser economizado.

Brexit: Renúncia de Theresa May
Brexit: Renúncia de Theresa May

Por que o parlamento britânico resiste à acordos referentes ao ato?

 Mesmo assim, o parlamento não aceitou nenhum dos acordos propostos por Theresa May. Um aspecto que os parlamentares não aceitarão de jeito nenhum é a saída do Reino Unido sem um acordo com a UE, o No Deal, que cortaria abruptamente relações com o restante da Europa, fazendo necessária a renegociação de derivados fatores, como controles aduaneiros (fiscalização do tráfego de mercadorias pelas fronteiras) o que causaria aumento de custo e atrasos do abastecimento da população britânica.

Como um exemplo, há a importação de alimentos; uma estimativa localiza 15% dos vegetais como sendo cultivados na Inglaterra, o resto provém da União Europeia, importações essas que teriam seu custo elevado, aumentando o preço dos produtos.

  A separação também envolve aspectos como a mobilidade de pessoas, um controle terá de ser estabelecido e aqueles europeus, que mesmo sem serem ingleses residirem na Inglaterra, terão de passar uma burocracia imensa que envolve questões de fronteira, passaporte, transporte; todo o processo envolve muito dinheiro. Acordos econômicos e aspectos jurídicos terão de ser revistos também, entre muitos outros que se revelarão se o Brexit for posto em prática.

   Existe também um perigoso “não acordo” entre os países do Reino Unido sobre sair ou não do bloco europeu. Do povo escocês, 62% votou pela permanência na União Europeia e na Irlanda do Norte 55,7% da população votou a favor do mesmo objetivo.

Já na Inglaterra e no País de Gales a saída ganhou, 53,2% e 51,7% respectivamente. Uma clara desunião floresce. Os ingleses sendo os mais populosos do grupo, tiveram o maior número de votos e ao fim da contagem, quase 52% dos votos decidiram a favor do Brexit e o Reino Unido optou pela saída do bloco, causando uma divisão e divergência de interesses.

Brexit: Renúncia de Theresa May
Brexit: Renúncia de Theresa May

 Vários são os fatores que deixam o Parlamento britânico extremamente seletivo sobre qual seria o acordo ideal a ser proposto e efetivado. Após dois anos de muito desgaste ao redor do assunto, o Brexit virou, para muitos, um fardo que carrega o rosto de Theresa May e tanto ela quanto o movimento começaram a perder força e nas eleições por vereadores o partido mais derrotado foi a UKIP, direita radical a favor do Brexit, que perdeu 80% das cadeiras.

 O partido de May também teve uma derrota drástica, antes com mais de 5.000 cadeiras, conta agora com cerca de 3.000. O povo não está satisfeito com a condução que o processo está tendo e os sintomas são claros: Os partidos que cresceram foram aqueles a favor da permanência do Reino Unido na União Europeia e a pressão posta em Theresa May a fez ceder e renunciar ao cargo. O Brexit a fez ascender e ceder.

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