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Bolsonaro Eleito: Ponte para um futuro ainda mais liberal

Por Anna Capelli e Isabela Barreiros – Fala!Cásper


Ponte para um futuro ainda mais liberal

Com Jair Bolsonaro eleito, as propostas do governo Temer devem ser preservadas 

 

A “Ponte para o Futuro” de Temer parece ter tomado um caminho não tão progressista (Imagem: falandoverdades.com.br)


Michel Temer encerra seu mandato este ano com altíssimos níveis de rejeição: 82% dos brasileiros avaliam-no como ruim ou péssimo, de acordo com levantamento encomendado ao Ibope pela CNI, a Confederação Nacional da Indústria. Ainda assim, Jair Bolsonaro, presidente eleito no último domingo, pretende dar continuidade a muitas de suas propostas, além de estreitar relação com vários de seus atuais ministros – 7 deles já apoiavam a candidatura de Jair Bolsonaro.

O Partido Social Liberal do presidenciável foi o que mais votou a favor das medidas de Temer, superando até os deputados do próprio MDB. O relatório da consultoria Arko Advice, publicado pelo Jornal O Globo em julho deste ano, indicou uma taxa de fidelidade de 67,73% dos oito deputados federais do PSL, comparada aos 64,34% alcançados pelos 51 deputados emedebistas. Os dados reforçam a intenção do partido em manter projetos que são marca do atual governo: a reforma trabalhista e o teto de gastos.

Bolsonaro representa as propostas iniciadas por Michel Temer que tendem a diminuir direitos trabalhistas: “aos poucos, a população vai entendendo que é melhor menos direitos e [mais] emprego do que todos os direitos e desemprego”, declarou em palestra na Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ) em maio deste ano. Também votou a favor da emenda constitucional (PEC) que limita os gastos do dinheiro público por 20 anos, e seu assessor econômico Carlos Alexandre da Costa já declarou que o candidato, caso eleito, manteria a mesma proposta. As negociações entre o governo Temer e os caminhoneiros que sucederam a paralisação em maio formam base da proposta de Bolsonaro para o preço dos combustíveis da Petrobrás.

Economista, pesquisador e professor da Unicamp Marcio Pochmann, no Twitter


“O que está dando certo, você tem que continuar. Eu não vou dizer que tudo está errado no governo Temer, né?”, afirmou Bolsonaro em coletiva de imprensa no dia 20 de outubro. A ideia de criar “pontes” entre os dois governos é perceptível ao ponto que os dois se aproximam tanto na questão econômica quanto na base de cargos do possível governo. Bolsonaro já se encontrou com o atual ministro do Tribunal Superior do Trabalho, Ives Gandra Martins Filho. Gandra disse, em entrevista à Folha de S. Paulo “nunca vou conseguir combater desemprego só aumentando direito”, em apoio a reforma trabalhista de Temer. Além dele, Mendonça Filho (DEM), ex-ministro da Educação do atual mandato, também se aproxima de Bolsonaro.

A economista Laura Carvalho diz que a agenda de Bolsonaro é a de Temer ao quadrado. Em sua coluna no jornal Folha de S. Paulo, Carvalho discorre como a agenda ultraliberal planejada por Paulo Guedes é uma continuação da “Ponte para o Futuro” de Michel Temer: “a permanência de membros de sua equipe econômica; o fim dos reajustes automáticos de salário mínimo; a privatização de todas as empresas estatais; o abandono do sistema atual de Previdência; a reforma trabalhista; a transferência dos melhores alunos do sistema público de ensino para as escolas privadas, sepultando de vez a qualidade da educação pública no país; e até mesmo o aumento de impostos para a classe média”.

O atual presidente já demonstrava preocupação em garantir que seu sucessor mantivesse as reformas iniciadas por ele. “[O governante] vai ter que continuar com as reformas que nós começamos e não pudemos concluir”, afirmou em agosto de 2018, durante o Congresso da Fenabrave em SP. Com um partido leal a essas propostas, o PSL de Bolsonaro parece estar comprometido em fazer um processo de transição de maneira fluida.

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