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Boicote ao Villa Mix – o que está acontecendo?


Há 3 dias atrás um grupo formado por 10 meninas criou uma página para boicotar o Villa Mix. Mas por que fazer isso? Não é apenas uma casa de shows onde as pessoas se reúnem para beber, dançar, se divertir e aproveitar a noite?

Pois é. Mas tem muita gente que não é dessa opinião. Com apenas 3 dias no ar, a página já agregou 9.105 curtidas (sendo que daqui 1 minuto este número já estará desatualizado), com muito compartilhamento, e muita gente se identificando com os casos apresentados no conteúdo da página.

E que conteúdo é esse? O Boicote ao Villa Mix expõe relatos e acusações de racismo, segregação por padrão de beleza (não tem nem como entender isso direito) ou discriminação por classes sociais consideradas como inferiores.

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Conversa com um promoter do Villa Mix

 

Ou seja, a página deixa claro os abusos causados pelo estabelecimento. Inclusive, já apareceram relatos de agressões não apenas verbais, mas também físicas.

Para esclarecer melhor os fatos, conversamos diretamente com as organizadoras da página, e elas nos contaram um pouco mais sobre toda a polêmica. Confira:

Fala!Universidades: Vocês pretendem levar o caso até a justiça? A página tem um objetivo final?

B.V.L: A página tem alguns passos a cumprir. O primeiro é a exposição, que é o que está acontecendo agora. Queremos reunir o maior número de relatos e provas possíveis, para mostrar o quão recorrentes são essas situações na casa noturna Villa Mix. Muitas pessoas acham que os casos são isolados, mas a quantidade de apoio e de relatos (em forma de likes, inbox e comentários) que recebemos em tão pouco tempo mostra que, na verdade, os casos são bem comuns e acontecem praticamente em todos os dias que a casa abre (quarta, sexta e sábado). Depois da exposição do que ocorre na balada, estamos alcançando o segundo passo, que é chamar atenção. Conseguimos chegar em alguns veículos de comunicação e visamos alcançar os responsáveis pelo local e, principalmente, a dupla sertaneja Jorge e Mateus, que é sócia da casa. Fazendo com que isso chegue ao ouvido da dupla, acreditamos que ela não será condizente com o que ocorre, e tomará alguma providência para que esse tipo de comportamento, por parte dos profissionais, cesse de uma vez por todas. Queremos, então, essa mudança de atitude, o que é a causa primordial: acabar com a discriminação, o racismo, o machismo, a violência, a humilhação e a segregação que provamos existir. Temos a informação de que muitos processos estão sendo movidos contra o Villa Mix e, a partir das provas que reunimos e continuamos reunindo, abrimos também um inquérito no MP.

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Conversa com um promoter do Villa Mix

 

Fala!Universidades: Algumas das organizadoras da página já passaram por cenas do tipo no próprio Villa Mix?

B.V.L: A página surgiu exatamente a partir do relato de uma das organizadoras. Ela estava com mais três amigas e ia comemorar o aniversário de uma delas no Villa Mix, quando passou pela constrangedora situação de serem barradas. A segurança da porta não as deixou entrar e chamou a hostess (moça que fica na porta conferindo a lista de entrada). A hostess afirmou que as meninas não tinham nome na lista, mesmo com elas mostrando o e-mail que comprovava o envio dos nomes. Depois, a hostess confiscou o RG de uma das meninas dizendo que ela não portava nenhum documento, e assim não entraria na casa. Quando uma das meninas viu a cena e confrontou a hostess, essa devolveu o documento dizendo que ‘na verdade, sua amiga está tão bêbada que não sabe dizer o próprio RG’, o que não era uma verdade. Todas foram grosseiramente retiradas da fila, e ao pedir para falar com um gerente, ouviram a hostess dizendo que era ela. Ao perguntarem o nome da hostess ela respondeu ‘ninguém’. Diante de tanto absurdo e humilhação, ela fez um post em uma página feminista contando o que passou e como, um tempo depois, descobriu que o motivo era esse: “os promoters/hostess/seguranças recebem da casa a ordem de barrarem quem consideram feios e fora do padrão da casa”. Recebeu muito apoio e diversos relatos (mais de quinhentos) de meninas que haviam passado pelo mesmo. Assim, dez delas se organizaram para criar a página de repúdio.

Fala!Universidades: Vocês estão tentando, ou já tentaram, entrar em diálogo com o Villa Mix?

B.V.L: Ainda não entramos em contato com o Villa Mix. Acreditamos que esse contato deva ser feito por parte deles, caso eles queiram se defender.

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Relato de uma ex funcionária do Villa Mix.

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Acesse AQUI a página oficial do Boicote ao Villa Mix.

 

Por: Marcelo Gasperin – Fala!Universidades

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