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BLAST Pro Series – Campeonato de Counter Strike em São Paulo

BLAST Pro Series – Campeonato de Counter Strike em São Paulo

Por Tiago Brussolo Tortella – Fala! Casper

               No sábado (23), aconteceu no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, a primeira edição da BLAST Pro Series, campeonato do jogo Counter-Strike: Global Offensive, no Brasil. O país é um grande expoente na área de games, visto que é o 3° maior mercado (segundo Marcelo Tavares, da Brasil Game Show), e isso tem feito os organizadores de campeonatos voltarem seus olhares para a terra tupiniquim. Se profissionalmente os brazucas já conquistaram o respeito de seus adversários ganhando diversos campeonatos internacionais e dois Majors (mundial da categoria), ainda faltam torneios por aqui.

               Porém, isso tende a mudar. A empresa RFRSH fez uma parceria histórica com a Rede Globo e o canal fechado SporTV para a realização de pelo menos uma etapa por ano da BLAST no Brasil. E a torcida mostrou que a companhia acertou em cheio ao escolher nosso país. Os ingressos para a etapa presencial acabaram após apenas quatro horas de vendas e cerca de um mês antes do evento. Isso antes mesmo de as equipes serem divulgadas, sendo a única confirmada na época a brasileira Made in Brazil. Completaram a line-up as equipes ENCE (Finlândia), Ninjas in Pyjamas (Suécia), FaZe Clan (União Europeia), Team Liquid (Estados Unidos) e Astralis (Dinamarca).

               No dia 22 (sexta feira), os times se enfrentaram em dois jogos, mas sem a presença do público. Pressionada por uma eliminação precoce no campeonato anterior, realizado na China, contra a desconhecida Windigo (Bulgária), a MIBR perdeu os dois confrontos contra a FaZe Clan e a ENCE. A Astralis saiu na frente com duas vitórias.

               Mesmo assim, a torcida brasileira fez um show à parte e compareceu em peso ao ginásio do Ibirapuera. Debaixo de Sol e com termômetros marcando mais de 30°C, os torcedores enfrentaram as filas de mais de quarenta minutos para entrar na arena. E, como numa partida de futebol, havia ainda cambistas vendendo ingressos e camisas do lado de fora.

               Precisando vencer as três partidas do dia para chegar à final, a MIBR foi impulsionada por mais de 7 000 vozes no ginásio, que foi transformado em um verdadeiro caldeirão. Antes do início da partida, os espectadores entoaram o hino nacional a cappella e cantaram o nome dos integrantes da amarelinha. O primeiro jogo foi contra a maior rival e atual bicampeã do mundo, a Astralis. Era a vida e a morte dos brasileiros na competição. E como num sonho, Marcelo “Coldzera” David conseguiu eliminar três adversários e colocar o Brasil à frente do marcador. E, como quando sai um gol, a torcida foi ao delírio e comemorou efusivamente o ponto em cima dos dinamarqueses. Mesmo um mísero ponto (em um jogo melhor de 30) merecia aquela comemoração.

               E comemoravam cada eliminação a favor da MIBR, cada ponto, cada round. Contaram ainda com a presença de uma bateria e um setor reservado para a torcida do streamer e ex-jogador do time, Alexandre “Gaulês” Borba. Apelidado de “La Tribonera”, era de lá que começavam os gritos e músicas. Mesmo com a evidente melhora dos jogadores da casa e a pressão da nossa torcida, a Astralis foi melhor e conseguiu ganhar o primeiro confronto por 16×10. Durante o dia, foram realizados mais dois jogos e a MIBR amargou mais duas derrotas, perdendo todos os confrontos no campeonato.

               Mas engana-se quem acha que isso impediu os presentes no local de entoarem “sou brasileiro, com muito orgulho e muito amor” quando o time veio à frente do palco falar com a torcida. As palavras de Gabriel “FalleN” Toledo, capitão da equipe, refletiram o pior momento da história do time: “a verdade é que chegamos no fundo do poço nesse campeonato”. Mas se um dia chegaram ao topo do mundo, temos certeza que conseguirão voltar e, se depender do caldeirão brasileiro, não demorará para chegar ao lugar deles.

               A grande final, melhor de três mapas, foi disputada entre a Team Liquid e a Astralis. Quem ficou na arena torceu para que os norte-americanos ficassem com o título. Como disse “FalleN”: “Somos Liquid desde criancinha!”. E tudo começou bem, com os americanos ganhando o primeiro mapa por 16×13. Foi uma partida disputadíssima, e os torcedores em muito ajudaram, parecendo que a equipe brasileira ainda estava jogando. Mas, para a decepção de muitos, os “robôs” (assim apelidados os jogadores dinamarqueses) conseguiram levar os outros dois mapas e se sagraram campeões da BLAST Pro Series São Paulo.

               O evento foi uma grande oportunidade para que mais campeonatos ocorram no Brasil. A torcida brasileira mostrou ao mundo como é única, animada e esperançosa. Mostraram ainda a possibilidade de um ambiente ótimo para torcer e apreciar o show das equipes, sem nenhum caso de violência e com grande presença de famílias e crianças. A Astralis se isolou agora como maior campeã do torneio, com três títulos. A MIBR foi a primeira campeã, em edição realizada em Copenhagen, na Dinamarca.

               A próxima competição no Brasil será a DreamHack Open, no Rio de Janeiro, que acontecerá entre 19 e 21 de abril. Os representantes brasileiros serão a Luminosity Gaming, Sharks E-Sports e FURIA. O futuro do mundo competitivo de CS:GO brasileiro é promissor, com cada vez mais times profissionais e uma legião de fãs apaixonados que só cresce. E quando o assunto é videogame e torcida, os brasileiros entendem muito bem.

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