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Conhecemos os bastidores de um Circo na cidade de São Paulo

Por Amanda Maciel, Thiago Dalle, Caio Castro, Isabella Banzatto e Luiz Gustavo – Fala! M.A.C.K

 

As nuances entre circo e espetáculo que o público não vê. Os problemas que não são colocados à tona por uma arte que está sendo esquecida.

Apesar da popularidade dos circos, encontrar um local de espetáculo não foi uma tarefa fácil. Depois de algumas pesquisas, encontrei um circo em São Paulo, no bairro de Interlagos – mais precisamente no número 2800 da Avenida Atlântica. Mesmo não sendo fora do município, a viagem de carro durou cerca de uma hora. Todos estavam ansiosos com a visita.

O circo era sustentado por vigas fortes, uma do lado da outra, e a lona azul e branca tomava conta daquele enorme campo. Logo ao entrar, fui recepcionada por barracas coloridas de comidas e jogos, a decoração era de madeira pintada de um modo rústico, e ao mesmo tempo encantador.

O cheiro de pipoca invadia o ar, com um toque do açúcar levemente caramelado dos algodões-doces ao fundo – o cheiro exato que nos vem à mente quando imaginamos um circo.

O lugar todo carregava uma aura de infância e inocência, reforçado com o riso das crianças e o burburinho da conversa leve no ar. E o picadeiro… Ah! O picadeiro era lindo! Um corredor estreito nos guiava até a entrada, com cestos de lixo em formato de palhaço, que mais pareciam decorações alegres acompanhando o filete de passagem.

Ao entrar no picadeiro, o palco era cercado por inúmeras cadeiras laranjas, azuis e brancas, que pareciam brilhar sob as luzes coloridas. Tudo ali dentro parecia estar em sintonia.

Voltei às barraquinhas de jogos e comidas na esperança de encontrar alguém que pudesse dar informações sobre o contato com os artistas. Abordei um jovem artista, seu nome era Lucas Leone, de 33 anos, e ele nos contou que já tinha sido palhaço e mágico, mas que hoje em dia fazia participações em programas de TV por motivos financeiros. Aproveitei esse primeiro contato e desatei a entrevistá-lo ali mesmo. Lucas cursou administração, educação física e psicologia, mas é no circo que o coração dele bate mais forte.

Apesar de amar a vida de artista itinerante, ele admite que no caso do Circo Spacial – que possui uma estrutura um pouco maior – as dificuldades não são tantas, mas ainda existem. “Não temos dificuldades em relação a funcionários e segurança, porque existem normas, ABNT, sindicato… Circo grande não sofre com essas coisas.”, explica Leone.
Infelizmente, o circo sofre com outras questões, e ele revela num tom entristecido – “sofremos dificuldades para encontrar terreno”. Outra barreira é a questão financeira, já que quem paga as contas de luz, água e as taxas é o próprio circo – “falta incentivo do governo”, as palavras saem carregadas de um conformismo triste.

No intervalo do espetáculo, fui aos bastidores para observar o que os artistas faziam nesse tempo. Uns ensaiavam e treinavam, outros descansavam, alguns apenas conversavam e riam entre si; ou brincavam com as crianças que ali estavam.

O horário da próxima apresentação estava perto. Era hora do Matheus Felipe de Jesus Silva, de 19 anos, entrar em cena, mas antes disso aproveitei a pausa do show para entrevistá-lo. “Eu nasci no circo”, ele começou falando com naturalidade, “então acompanhava os movimentos de troca de espaço. Toda hora eu mudava de escola e era difícil manter as amizades”, explicou Matheus sobre essa dificuldade da realidade circense.

Claramente, ter um grupo de jovens jornalistas fazendo uma pauta sobre eles não era algo comum à rotina do circo, porque os artistas que estavam transitando pelos bastidores me fitavam com uma curiosidade genuinamente divertida. A curiosidade era tanta que dois outros jovens artistas se aproximaram para escutar melhor a conversa – Wilson Sousa Santos de 25 anos e Roger Querubim de 26.

A arte de fazer rir, no entanto, é algo que está banalizado, “para trabalhar no circo precisa de muito estudo e treino, é uma atividade profissional como qualquer outra” – Roger comentou isso de forma humilde, mas foi possível ouvir em sua voz o quanto ele se orgulha ao fazer essa afirmação.

Ele também lamentou a falta de valor ao trabalho do palhaço, comentou como muitos acham que é fácil pintar o rosto e fazer os outros rirem, e então Wilson balançou a cabeça concordando ao ouvir o amigo falar – “a gente leva a sério essas coisas, então ficamos tristes ao ver que muitos não nos respeitam”.

Deixando as negativas de lado, Wilson sorriu e começou a falar sobre como é ser palhaço nos dias atuais, e que para ele ser artista é algo que requer muita dedicação e percepção – não só do próprio corpo, mas também do público. O mundo se renova, e com ele, as pessoas e as profissões – ser artista circense hoje em dia é completamente diferente do que era há 10 anos atrás; a plateia moderna exige muito mais. Ser artista é se reinventar todos os dias.

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