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Balé pé no chão: os barulhos da cultura afro

Balé pé no chão: os barulhos da cultura afro


Por Ingredi Brunato – Fala!Cásper

Na quarta-feira do dia 29 de agosto, o Itaú Cultural da Av. Paulista exibiu o documentário “Balé Pé no Chão: A dança afro de Mercedes Baptista”, contando com a presença de uma de suas idealizadoras, Marianna Monteiro, para bate-papo posterior. O evento, que possuía entrada franca, aconteceu na Sala Vermelha do terceiro andar, sendo sua primeira hora dedicada à reprodução do documentário em si, e a segunda para que as questões da plateia fossem respondidas.

A obra tem por um de seus objetivos, como explica Marianna, desvincular a dança afro do Candomblé, sem negar suas raízes nele, mas ressaltando como ela hoje já se modernizou e o transcendeu. A própria Mercedes Baptista, precursora da dança afro moderna no Brasil, conta no documentário que não possui religião, e a rede de praticantes dessa modalidade de dança começada por ela tampouco se liga à fé.

A antropóloga, doutora em filosofia e professora de artes cênicas da Unesp conta como sua intenção inicial era ir atrás dessa dança afro quase como uma forma de documentá-la para gerações vindouras, e o que ela encontrou foi algo totalmente diferente do que ela esperava, ainda vivo e em transformação.

Apesar de sua branquitude, Marianna é filha de um pai que estudou o Candomblé, de forma que ela não é assim tão distante da produção negra quanto a maioria dos brancos, e ficou surpresa com todo aquele potencial cultural da dança afro moderna com o qual ela nunca tinha tido contato antes. O fato de um país cuja cultura é predominantemente negra não a ter divulgada de forma mais ampla é basicamente uma desvalorização da identidade nacional, comenta a antropóloga.

Enquanto duas moças se revezam em traduzi-la para a linguagem dos sinais, a doutora em filosofia conta como entrou em contato com o batuque da dança afro ao redor de uma fogueira no campus da USP, réstia de uma aula de percussão dentro do espaço universitário que acabou sendo cancelada por que “o barulho atrapalhava”. Não que seus frequentadores tenham sido necessariamente prejudicados por esse cancelamento: quando ela passou a acontecer simplesmente ao redor da fogueira, abriu-se para a participação de passantes, curiosos e ocasionais ciclistas, que só fizeram enriquecer o aspecto relacional da experiência cultural ali produzida.

Até hoje, Marianna Monteiro diz que ao ouvir um batuque ao longe, se sente movida. O que outros para outros de seus colegas acadêmicos são apenas barulhos incômodos, para ela é arte.

 

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