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Estudantes fazem ato contra Violência Sexual no transporte público

Por Flávia Carolina – Fala!Anhembi

 

Ato contra violência sexual no transporte público paulistano marca mais uma luta das mulheres

Diante das notícias, grupo formado nas redes sociais chamou as mulheres para a rua no combate contra a falta de segurança

Uma mulher é estuprada em local público a cada 11 horas em São Paulo, segundo levantamento de 2017 da Secretaria de Segurança Pública.

Faz algumas semanas desde que o relato de uma jovem repercutiu em alguns veículos na internet e redes sociais. A estudante disse ter sido estuprada na estação Sacomã, linha 2-verde e seguida pelo agressor até a estação São Joaquim, na linha 1-azul.

Desde então algumas outras mulheres também denunciaram agressões sexuais em outras estações da linha verde e estações da linha 3-vermelha. A partir deste ápice de declarações sobre violência sexual, o grupo “Elas Por Elas SP” organizou, na última quinta-feira, 30, um ato em repúdio ao que aconteceu.

Meninas na manifestação que ocorreu no dia 30 de agosto. Foto: Samantha Neves

A organização ocorreu por meio do perfil do grupo no Instagram. No domingo, antes do ato, as líderes do “Elas Por Elas” convidaram as mulheres para irem até o Centro Cultural Vergueiro para produzirem cartazes para a manifestação e ao final, houve uma aula de defesa pessoal com uma especialista.

A concentração foi marcada para às 17h00 no vão livre do MASP. Enquanto a polícia não autorizava a saída das meninas, elas se reuniram em roda para fazerem seu apelo, grito de guerra e discurso. Até a saída, que aconteceu por volta das 18h15, a concentração foi aumentando e em todo momento a vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco, assassinada em março deste ano, foi lembrada.

Concentração no vão livre do MASP. Foto: Flávia Carolina

O movimento, sempre acompanhado pela Polícia Militar, seguiu pela Avenida Paulista, começando com duas faixas liberadas e na metade do caminho foi reduzida a apenas uma. O destino foi o Centro de Controle Operacional do Metro, localizado na Rua Vergueiro. Antes de chegar no prédio, houve uma pausa de um minuto em respeito e solidariedade às vítimas. As organizadoras do movimento se abraçaram e um momento de comoção e respeito se estabeleceu.  Já na frente do prédio, seguranças se trancaram no lado de dentro e observaram as milhares de meninas e mulheres voltarem a discursar por um transporte público mais seguro, por dignidade e respeito. Embora o enfoque fosse o transporte público, a violência de todo dia não foi esquecida.

Não foi uma manifestação gigantesca quanto o Movimento Passe Livre, de 2013, mas foi mais um passo a mais na luta diária das mulheres.

Depois desta iniciativa, o grupo “Elas Por Elas SP” vem crescendo e surgiu em outros estados como Santa Catarina e Minas Gerais. No Instagram do “Elas Por Elas SP”, há um mapeamento das estações – inclusive CPTM –  onde houve qualquer tipo de violência sexual ou tentativa. No stories, acontece a divulgação de relatos das seguidoras, descrição de supostos agressores e suspeitos, ajuda na busca por companhia para que as mulheres não andem sozinhas em lugares que consideram perigosos. Em um post recente, elas pediram desculpas por propaganda partidária que aconteceu por parte de algumas mulheres que estavam na manifestação e reforçaram que o grupo não possui nenhuma ligação partidária. O objetivo é único e exclusivamente voltado ao suporte feminino.

A violência sexual em dados

A violência sexual é alarmante no mundo todo e no Brasil, apesar de ter tido um recuo no ano passado, ainda é preocupante:

Imagem: Flávia Carolina

O feminicídio é o nome dado ao homicídio cometido unicamente pela vítima ser do gênero feminino. Geralmente o agressor é o atual ou ex-parceiro e o crime pode ter um histórico de agressões físicas e/ou verbais.

A Central de Atendimento à Mulher está disponível 24h pelo número 180. A cidade de São Paulo conta com uma Delegacia da Mulher, com atendimento também 24h, entretanto, qualquer outra delegacia deve registrar o crime contra a mulher e terceiros também podem registrar ocorrências. Não deixe de denunciar.

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