As (várias) ascensões e quedas do Star Wars da Disney
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As (várias) ascensões e quedas do Star Wars da Disney

As (várias) ascensões e quedas do Star Wars da Disney

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O final da lendária saga representa todos os altos e baixos sob o comando da Disney.

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Nesta quinta-feira, 19, uma das maiores sagas da história do cinema, com mais de quarenta anos de duração, chegou ao fim. Desde o lançamento de “O Despertar da Força” (2015), muitos fãs de Star Wars ficaram apreensivos quanto aos planos da Disney para essa nova trilogia, visto que a história contada no filme não tem nenhuma relação com as anotações originais de George Lucas sobre os três últimos episódios.

Apesar das preocupações, muitos se mantinham esperançosos e animados pelo retorno da franquia às telonas, algo que, infelizmente, tornou-se ódio e desilusão com o desastroso “Os Últimos Jedi” (2017).

Com a comunidade dividida em relação ao atual estado da trilogia, “A Ascensão Skywalker” tinha o grande objetivo de ser o finale épico que Star Wars merece, algo que restaurasse a fé dos fãs na saga. Como alguém que cresceu assistindo em casa a trilogia original e as prequelas, mas que também se decepcionou com o Episódio VIII, minhas expectativas eram praticamente nulas para esse filme, algo que é honestamente bem deprimente de se admitir.

Logo de cara, durante o icônico texto de abertura, o retorno de Palpatine (Ian McDiarmid) é anunciado de uma forma estranhamente casual, como se isso já fosse esperado pelo público desde o último filme. Pouco tempo depois, com apenas uns cinco minutos de filme, Kylo Ren (Adam Driver) se encontra com o Imperador e, logo em seguida mudamos para Rey (Daisy Ridley) em seu treinamento e já recebendo sua missão para encontrar o lorde Sith. Se você está achando tudo isso um tanto corrido é porque É MESMO, até o final da sessão. Isso foi bem desagradável, porque me deu a impressão que esse deveria ter sido um filme com quase o dobro de duração, o que deixa claro, na minha opinião, a incapacidade da Disney de fazer um melhor planejamento a longo prazo para a sua trilogia.

Outro grande problema na trama foi a grande quantidade de conveniências que aconteciam durante a jornada de Rey e companhia. Não importava aonde a história os levava ou quais obstáculos surgissem, eles sempre achavam algum objeto extremamente difícil e importante de achar por acaso ou conheciam alguém que, obviamente, sabia exatamente o que e como fazer, aonde ir a seguir e que simplesmente os ajudava “porque sim”. Isso acontecia em TODOS os planetas que eles iam (lembrando que a Resistência tem, supostamente, poucos aliados ao redor da galáxia). Claro que alguns podem dizer que isso é “a vontade da Força”, mas mesmo assim, o filme acabou forçando muito a barra em vários desses momentos.

No entanto, eu me surpreendi com o episódio IX, pois, apesar dos seus problemas, tiveram certos aspectos nele que eu adorei, como o desenvolvimento da amizade entre Rey, Finn (John Boyega) e Poe Dameron (Oscar Isaac), algo que eu senti muita falta no longa anterior (especialmente entre Poe e Rey, que mal haviam interagido entre si até agora). Falando no último filme, “A Ascensão Skywalker” evidentemente desconstruiu uma série de ideias introduzidas na produção de Rian Johnson. Por um lado isso é excelente, e até um pouco engraçado, pois, como já foi dito antes, “Os Últimos Jedi” foi um engano e é legal ver que os produtores reconhecem isso. Mas, ao mesmo tempo, isso também fere o desempenho do filme, porque fica parecendo que, de tanto jogar Jonhson para escanteio, J.J Abrams fez uma sequência para um Episódio VIII que nunca existiu, resultando em “Ascenção” tentando ser dois filmes em apenas um. De novo, falta de planejamento.

Apesar da correria que “ignorar” “Os Últimos Jedi” causou, muitas das perguntas que foram deixadas em aberto até então foram finalmente respondidas (amém), como a origem de Rey, que me deixou com o queixo caído quando isso foi revelado. Eu realmente nunca podia imaginar isso, mas justifica perfeitamente o quão poderosa ela é, ainda mais quando você combina isso com o treinamento que ela esteve recebendo da Leia (Carrie Fisher), que foi treinada pelo próprio irmão, Luke Skywalker (Mark Hamill), no passado! O melhor é que tudo isso eles mostram e não apenas afirmam, o que aumenta muitíssimo a veracidade dos fatos. Para mim, essa foi a primeira vez em que a personagem de Ridley não recebeu todas as suas habilidades e conhecimentos da Força do nada, o que é um alívio para a narrativa da história e na construção dela como uma protagonista decente.

Finn e Poe, mesmo que ainda tenham ficado de segundo plano novamente, ganham mais atenção dessa vez, inclusive com a introdução de alguns novos personagens, que enriquecem as suas raízes (no caso de Daemeron) ou expandem em cima de pontos de “O Despertar da Força” (Finn). É só uma pena que isso não foi feito antes dos 45 do segundo tempo, para que essas histórias fossem exploradas com maior antecedência, mas é bom que pelo menos estejam presentes.

Ah e como era de se esperar, ofan service aqui está mais forte do que nunca! Não é novo a Disney bancar na nostalgia dos fãs para tentar causar um impacto mais positivo, porém considerando que esse é o fim da saga, eu achei perfeitamente plausível, com exceção de uns poucos momentos que já senti um certo exagero.

Tem outros momentos do filme que eu gostei e alguns outros que nem tanto, mas infelizmente eu teria que começar com os spoilers. Mas o que eu posso dizer é que, mesmo que esse não tenha sido o grande final que Star Wars merece, na minha opinião, ainda é bom o bastante, considerando o material que eles tinham para trabalhar. Definitivamente não é um filme perfeito, porém ainda assim é divertido; a ponto de que eu arriscaria dizer que esse é o melhor episódio da nova trilogia. Aliás considerando que estamos tratando da Disney, é bem improvável que Star Wars acabe aqui e ponto, visto que temos produções como “O Mandaloriano” e, quem sabe, até mesmo uma nova trilogia possa surgir nos cinemas. Afinal, o próprio J.J. Abrams já foi um tanto misterioso quando disse que “todo ótimo final é um tipo de recomeço”.

Como um fã da saga desde pequeno, eu devo dizer que a Disney sim errou muito, o que me deixa curioso para saber como seria a história original de George Lucas para os episódios finais, mas acredito que neste filme eles tentaram o melhor que puderam e eu fico feliz por isso. Feliz que o legado de Star Wars continua vivo e ansioso pelo que mais pode vir no futuro. Tudo que espero é que, novamente, eles aprendam com os seus erros passados para que assim, algum dia, assim como Anakin Skywalker trouxe equilíbrio para a Força antes, o mesmo possa ser alcançado entre os fãs e os gananciosos executivos da casa do Mickey.

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Matheus Zúñiga – Fala!MACK

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