Artista plástico doa mais de R$5 mil para a UFRJ com seu trabalho
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Artista plástico doa mais de R$5 mil para a UFRJ com seu trabalho

Artista plástico doa mais de R$5 mil para a UFRJ com seu trabalho

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Wladimyr Jung é um pai, um advogado e um homem político, mas foi como artista que ele pôde ajudar o hospital e as pesquisas sobre o Covid-19 da UFRJ

Jung, artista plástico carioca, se sentia solitário e deprimido no começo da quarentena. Foi quando uma professora da UFRJ pediu sua doação para ajudar as pesquisas e o hospital da sua instituição e ele decidiu: não faria uma simples doação, mas sim, uma nova coleção de pinturas, na qual 50% do dinheiro recebido iria para a faculdade.

Desde então, Jung já doou mais de R$5.500 e vendeu mais de 60 quadros da nova série. A própria professora Rita Afonso não esperava essa ajuda tão bem-vinda: Wladimyr foi o único artista plástico a ajudar financeiramente o Doe UFRJ, além de divulgar projeto. 

O êxito dos quadros surpreendeu até mesmo o próprio, que costumava vender 5 peças por ano e “não botava muita fé no começo”. Os quadros menores, mais simples e baratos da nova coleção chamaram a atenção do seu público, que, a princípio, nem sabia sobre a doação, chegando a marca de 13 quadros vendidos e R$1450 doados em somente uma semana. Depois de ser convencido a divulgar suas transferências para a UFRJ, o sucesso só cresceu, assim como a demanda. 

Wladimyr Jung
Wladimyr Jung com máscara. | Foto: Reprodução.

Desde então, ele trabalha incansavelmente nesse projeto e não pretende parar até a pandemia estar devidamente controlada: “Enquanto existir necessidade de contribuir, de alguma forma, para as pesquisas e os hospitais, me sinto na obrigação de continuar focado nessa série”. E ele não espera parar com as doações nem no caso da série Flor da Quarentena perder o apelo e a atenção do público. Caso isso ocorra, ele está preparado para inovar e seguir contribuindo.

Apesar das suas contribuições tão importantes para toda a sociedade, Jung se entristece que o artista, atualmente, tenha um valor muito baixo nos olhos da maioria. Para ele, “o olhar do ser humano é muito pragmático e a função do artista é tornar esse olhar poético”, e, por isso, a arte é tão subestimada.

Assim, ele não acha que esse trabalho vá inspirar ninguém, mas espera que as doações incentivem outros a estenderem a mão para quem mais precisa, seja numa pandemia ou em qualquer outro cenário.

A coleção

Cruzes, caixas de madeiras e cadáveres. Assim nasceu a coleção que eventualmente se tornaria a Flor da Quarentena

Os quadros dessa série são relativamente simples, mas é nessa simplicidade que a solidão do artista se expressa: eles são compostos, em sua maioria, por uma única flor. Já o plano de fundo, depende do estado de humor de Jung.

Nas primeiras semanas de isolamento social, ele se sentia desesperançoso e triste. Os quadros, então, eram escuros e frios, além de ásperos, texturizados com borra de café. A aparente falta de apelo visual não incomodava Jung. Para ele, “A questão da arte é você buscar não somente o belo, mas o que cada pessoa tem de sentimento, seja ele nojo, tristeza ou solidão”.

Hoje, os quadros já são mais serenos e alegres, refletindo a calmaria e a esperança que vieram para ele passado um tempo. A flor, objeto tão “piegas” no mundo das artes (de acordo com o próprio artista), dá então sentido a tudo que estamos passando e aos sentimentos em constante mutação nesses tempos tão singulares.

Atualmente, por conta da grande demanda, o artista contemporâneo está tendo que inovar nos materiais usados. Desde o começo da Flor da Quarentena, produzia em telas antigas e já usadas, mas, agora que esse material acabou, está pintando em caixas ou de qualquer jeito que conseguir para manter os depósitos. O uso de materiais reutilizados explica os preços mais baixos das obras, sendo o menor valor R$250.

Ainda que ache a ajuda que está dando para o hospital universitário importante, para Jung, o mais emocionante é o momento em que o quadro está inserido e que ele vai significar para quem o comprar: “Você vai olhar para aquele quadro daqui a 50 anos e pensar ‘sobrevivi’”. Por fim, como diria Schopenhauer, que a arte possa ser uma flor nascida em nossa vida, que se desenvolve para suavizá-la.

Para ajudar os hospitais da UFRJ através do Flor da Quarentena, visite o link abaixo do Facebook de Wladimyr, onde as peças são expostas e vendidas: www.facebook.com/atelier.jung/media_set?set=a.3367226116674153&type=3.

Veja mais informações e contribua para o Doe UFRJ na página do Facebook do projeto: www.facebook.com/doeufrj/.

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Por Camila Sant’Anna – Fala! UFRJ

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