Arte de mulheres negras: Ir além da margem e desafiar o centro
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Arte de mulheres negras: Ir além da margem e desafiar o centro

Arte de mulheres negras: Ir além da margem e desafiar o centro

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Exposição virtual coloca em evidência a arte de mulheres negras

É fato que, por dezenas ou centenas de anos, artistas negras tiveram as artes e histórias renegadas pelo eurocentrismo e preconceito latente. Com essas vivências e lições destinadas ao relento por tanto tempo, duas jovens entenderam que essa ordem precisa ser modificada. E, com a proposta ousada de criar um espaço para a divulgação de artistas negras, duas estudantes do curso de História da Arte da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) criaram o projeto Para Além da Margem. As idealizadoras desejam, com a exposição, trazer ao centro artistas que estiveram à margem do epicentro artístico, porque, para elas, se há margens, há de se transgredir essas concepções.

Os protótipos da curadoria on-line desenvolvidos por Beatriz Roza e Clarelis Rodrigues foram pensados antes da pandemia, mas, com o tempo surgido no confinamento, as duas tiraram do papel e colocaram a mão na massa. O site Para Além da Margem levou dois meses para ficar pronto e foi ao ar na última quarta-feira, 12.

Projeto Para Além da Margem e a arte de mulheres negras

Uma das donas do projeto, Beatriz Roza,  estudante do quarto período de História da Arte na UFRJ, explica que Para Além de Margem é um recinto para expor a pluralidade de mulheres negras. Para ela, é preciso que essas artistas não tenham mais os próprios trabalhos negados. 

Nosso principal objetivo é ser uma rede entre o público e as artistas. A gente sabe que a divulgação artística atual é bem fechada. Essas mulheres não aparecem nos manuais de história da arte e nem aparecem nas mídias. O que queremos é dar mais visibilidade a elas.

Um dos maiores desafios da dupla foi achar as artistas para compor a exposição. Ao todo, são 17 mulheres pretas que encontraram no projeto uma maneira de divulgarem as próprias criações, que vão de ilustrações a fotografias.

As artistas são de diversos locais do país: do estado do Rio de Janeiro, são 11 mulheres integrantes da exposição; o segundo estado com mais participantes é o Piauí, com quatro integrantes; e, empatados, estão Alagoas e São Paulo, com uma artista representante de cada. 

arte de mulheres negras
Organização visual da exposição on-line. | Foto: Reprodução.

Também dona do projeto, Clarelis Rodrigues, estudante do terceiro período de História da Arte na UFRJ, conta que o principal mote da exposição é, sim, a conceção de prestígio às artistas. Outro norte muito presente na orientação da dupla ao Para Além da Margem é reconfigurar a visão das pessoas quanto à Arte e questionar o que é agradável aos olhos de cada um. 

Acredito que o que precisa mudar na forma como o mundo vê a Arte. O que é considerável agradável aos seus olhos? É a arte branca, do colonizador? A arte europeia? É preciso mudar a direção que a História da Arte vem caminhando durante e toda a sua existência. Tem artistas que estão dando duro todos os dias. E queremos deixar isso em evidência, é o que mais esperamos do projeto. 

Outras informações sobre o projeto

Beatriz e Clarelis também idealizaram uma pasta no Google Drive na qual colocam diversos textos teóricos que debatem racismo e arte. Antes da estreia, Para Além da Margem já tinha conquistado uma presença forte na rede social do Instagram. O perfil alcançou a marca de 200 seguidores nas primeiras duas semanas e, uma semana antes do lançamento do site, produziram conteúdos relacionados à presença de mulheres negras na arte. 

Nosso objetivo é poder criar caminhos pelos quais a arte negra seja celebrada. Só que não por um espaço expositivo, mas também criar um lugar no qual essas mulheres possam falar sobre as vivências, pensamentos e desejos de uma forma natural.

Afirma Clarelis.

Ainda que tenham alcançado parte dos objetivos do projeto, a dupla pensa em continuar com novas exposições e já desenvolvem o conceito de uma nova exposição virtual.

O projeto pode ser visitado no link https://paraalemdamargem.com e no Instagram @paraalemdamargem.

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Por Gustavo Magalhães – Fala! PUC – Rio

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