Ariano Suassuna, quem foi o escritor do 'Auto da Compadecida'?
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Ariano Suassuna, quem foi o escritor do ‘Auto da Compadecida’?

Ariano Suassuna, quem foi o escritor do ‘Auto da Compadecida’?

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Ariano Suassuna (1927–2014) foi um escritor, dramaturgo e criador do Movimento Armorial. Nascido em João Pessoa, na Paraíba, o autor incorporou a regionalidade e os cordéis em suas obras. Seus trabalhos foram reconhecidos no Brasil todo.

Suassuna foi eleito para a cadeira de número 32 na Academia Brasileira de Letras em 1993. No mesmo ano, a Academia de Letras de Pernambuco destinou a cadeira de número 18 ao autor. No ano de 2000, foi eleito para a cadeira número 35 da academia Paraibana de Letras. Sua obra mais conhecida é O Auto da Compadecida (1955), mas o autor deixou um trabalho extenso de 15 livros e 18 peças de teatro.

Origem de Ariano Suassuna

Embora tenha nascido em João Pessoa, o autor passou a maior parte de sua vida em Taperoá, que à época, era uma cidade pequena e, hoje, se chama Campina Grande. Lá, Ariano Suassuna teve contato com as obras em cordel e a cultura regional. Obras essas que embasaram seus futuros trabalhos e o movimento Armorial.

Em 1942, o autor se mudou para Recife. Em 1946, iniciou os estudos na faculdade de Direito e, em 1947, escreveu sua primeira peça de teatro, chamada de Uma Mulher Vestida de Sol. Por esta peça, recebeu o prêmio Nicolau Carlos Magno.

Ariano Suassuna
Saiba quem foi o escritor do Auto da Compadecida. | Foto: Reprodução.

Movimento Armorial

O movimento visava mostrar a cultura do sertão através da cultura erudita tendo como influencia os cordéis. Além da literatura, o movimento incluía dança, música tradicional e cantigas. Alguns exemplos de obras de Ariano Suassuna que participam do movimento são: Uma Mulher Vestida de Sol, O Auto da Compadecida e o Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta.

Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta (1971)

O livro Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta foi escrito entre os anos de 1958 a 1970. O romance conta a história de Quaderna, um homem que foi preso em Taperoá injustamente. O personagem se intitula descendente dos reis brasileiros.

A história é baseada em um acontecimento ocorrido em 1836, onde uma seita tentou ressurgir um antigo rei de Portugal no nordeste. Esta obra, como todas as outras de Ariano, apresenta traços da literatura de cordel e repente. A obra foi adaptada para uma minissérie pela TV Globo em 2007. Devido à sua influência, foi considerada um ponto de referência para a literatura nordestina.

O Auto da Compadecida (1955), maior sucesso de Ariano Suassuna

Ambientada no sertão, O Auto da Compadecida é uma peça que conta a história de João Grilo, que é especialista em arrumar confusões, e Chicó, um covarde mentiroso. Os dois amigos arrumam um emprego na padaria da cidade e tentam sobreviver entre os coronéis, a fome, a pobreza e cangaceiros com muito humor.

No terceiro ato, João Grilo morre e precisa pedir ajuda para a Compadecida, para voltar à terra. A obra mais conhecida de Ariano Suassuna deve seu reconhecimento à adaptação para minissérie realizada pela TV Globo. O filme, lançado em 2000, na verdade, é um copilado da série.

Há vários elementos presentes no filme e na série que não constam na obra original escrita em 1955. Isto porque O Auto da Compadecida é uma reunião de três obras de Ariano: O Auto da Compadecida, O Santo e a Porca e Torturas de um Coração. Como é uma adaptação de uma peça de teatro, os personagens do filme são bem expressivos.

Literatura de Cordel

Traições, luta entre bem e o mal, pobreza, resgate de histórias faladas, luta entre o religioso e profano e figuras locais são características da literatura de cordel da época e que foram incorporadas por Ariano Suassuna em suas obras. Este movimento adquiriu força entre os anos de 1930 e 1960 tendo como principais estados a Paraíba, Ceará, Pará, Pernambuco e Rio Grande do Norte. O nome tem origem nas cordas em que os escritores penduravam suas histórias para vender nas feiras populares das cidades do Nordeste.

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Por Jessica Grossi – Fala! UEPG

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