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Quem faz suas roupas? App Moda Livre monitora trabalho escravo em marcas famosas

Quem faz suas roupas? App Moda Livre monitora trabalho escravo em marcas famosas

Por Luiza Granero – Fala!MACK

 

O app Moda Livre avalia marcas famosas e divulga informações sobre trabalho escravo no Brasil

A ONG Repórter Brasil, especializada na questão do trabalho escravo contemporâneo, tinha uma questão: eles queriam juntar o útil ao agradável e assim facilitar e simplificar a divulgação de informações ligadas à prática de trabalho escravo na indústria da moda no Brasil.

O sistema fast-fashion, que é basicamente um padrão de consumo no qual os produtos são fabricados e descartados facilmente (em questão de semanas), foi revolucionário para sociedades por todo o planeta; até certo ponto. Esse modelo permitiu que uma quantidade muito maior de pessoas pudesse ter acesso à roupas mais baratas, entretanto, gerou problemas graves como poluição, acarretada pelo alto consumismo das peças e, principalmente, mão de obra escrava, onde trabalhadores produzem muito em troca de muito pouco.

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O Brasil reconheceu em 1995 a existência do trabalho escravo contemporâneo no país. Suas características são delimitadas pelo Artigo 149 do Código Penal e incluem trabalho forçado, jornadas exaustivas, servidão por dívida e condições degradantes que abrange fatores como alojamento precário, falta de assistência médica, péssima alimentação, falta de saneamento básico e de água potável.

Na época – e até os dias atuais -, esse assunto era precariamente divulgado. Foi então, pensando nessa carência de informações, que a Repórter Brasil desenvolveu, em 2012, o Moda Livre, um aplicativo no qual a equipe avalia marcas e as categoriza em três cores: verde, amarelo e vermelho.

“A gente desenvolveu uma metodologia de avaliação que leva dois pontos em conta: de um lado, o histórico da empresa em relação a esse assunto e do outro, as políticas que elas adotam sobre o tema”. Explica o jornalista André Campos, responsável pelo projeto.

Ele conta que as notas não são dadas apenas pela quantidade de flagrantes de trabalho escravo em uma marca. “Não ter um problema com trabalho escravo não significa que a empresa está ok, por isso mesmo que a gente avalia o que ela faz [as políticas]. E, da mesma forma, empresas que já tiveram um problema, também não significa que elas não tenham criado políticas de monitoramento, adotado novas práticas e melhorado por conta disso”.

Das 119 marcas registradas no Moda Livre, 53 têm a pior avaliação. Entre elas estão a Besni, Forever 21, Hope e M. Officer. Outras 44 estão no amarelo. Isso muitas vezes significa que, apesar de não ter nenhum registro oficial sobre trabalho escravo, a empresa não divulga publicamente informações sobre o tema ou elabora políticas contra isso. Nesse grupo estão a Emme, Farm, Hering, John John, Renner, Riachuelo e Zara.

As marcas com a melhor avaliação são minoria: apenas 22 de todas classificadas. Esse grupo é composto de grandes multinacionais como AdidasCalvin Klein, Levi’s, Nike e C&A. André comenta que, nos últimos anos, a indústria da moda vem passando por uma mudança intensa em relação à postura das grandes empresas por elas terem maior risco de imagem. “As políticas de monitoramento aumentaram muito e um reflexo disso é que provavelmente hoje em dia você não tem mais tantos casos de trabalho escravo sendo flagrados nas grandes empresas. A gente ainda tem um desafio muito grande de outras cadeias de roupas porque aqui no Brasil temos também um monte de peças vendidas em magazines e feiras de ruas e a realidade desse mundo ainda conta com problemas”.

André também comentou a influência que a opinião pública tem para que ocorram essas mudanças. “Muitas vezes o consumidor entra em contato com a marca por conta de informações que foram divulgadas no Moda Livre, e não tenha dúvida que as empresas prestam muita atenção nisso”. Ele diz que a equipe já recebeu muitas instituições dizendo que haviam repensado suas políticas e que queriam mostrar isso a eles.

“Não sei se é possível eliminar completamente esse tipo de situação da realidade tal qual como ela é hoje. Agora, eu acho que coisas como fiscalização em maior quantidade, a criação de leis e políticas prevendo sansões a empregadores que são flagrados com esse tipo de trabalho e a pressão de grupos da sociedade civil, tudo isso têm mostrado que mudanças importantes acontecem por conta desses fatores”.

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Confira também:

– Por trás da moda: O trabalho escravo nas indústrias têxteis

– Moda, cultura e política – como a década de 60 influenciou o mundo da moda

 

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