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Resenha – Animais Fantásticos: Os crimes de Grindelwald

Resenha – Animais Fantásticos: Os crimes de Grindelwald

Por Julia Helena Tabach – Fala!Cásper

 

No próximo capítulo…

Animais Fantásticos: Os crimes de Grindelwald está repleto de personagens e subtramas, deixando muitos fatos para serem explicados nos próximos filmes da franquia.

(Contém spoilers)

O filme Animais Fantásticos: Os crimes de Grindelwald chegou aos cinemas brasileiros na última quinta-feira, 15, continuando a história iniciada dois anos atrás por Animais Fantásticos e Onde Habitam (2016). Contudo, o longa não conseguiu repetir o impacto causado pelo primeiro filme.

O novo episódio da franquia começa em 1927, com Gellert Grindelwald (Johnny Deep), que está preso nos Estados Unidos, sendo transferido para o encarceramento mágico de Londres. No entanto, em uma cena inicial cheia de ação e efeitos visuais, o vilão luta com seus captores e foge.

Então, Grindelwald, ao mesmo tempo em que recruta aliados, precisa encontrar Credence Barebone (Ezra Miller), que fugiu para Paris e pode ser o único capaz de matar Alvo Dumbledore (Jude Law), o maior inimigo do bruxo das trevas.

O menino também é procurado por Tina Goldstein (Katherine Waterson), a serviço do Ministério da Magia Americano, e por Newt Scamander (Eddie Redmayne), magizoologista que está agindo a pedido de Dumbledore, seu ex-professor.

Nessa trama, surgem personagens já mencionados no filme anterior, como Queenie Goldstein (Alison Sudol), Jacob Kowalski (Dan Fogler), Leta Lestrange (Zoë Kravitz) e Theseus Scamander (Callum Turner) e são apresentados novos, como Yusuf Kama (William Nadylam) e Nagini (Claudia Kim). Contudo, nem todos possuem papéis importantes ou são plenamente desenvolvidos.

Jacob, padeiro que teve suas lembranças apagadas no final do primeiro longa, recuperou a memória e está noivo de Queenie, fato que a afastou de sua irmã, Tina, já que nos Estados Unidos não são permitidos casamentos entre bruxos e pessoas não-mágicas. O casal vai visitar Newt em Londres, mas acaba se desentendendo e Queenie parte para Paris à procura de Tina.

Newt, ao receber de Dumbledore a função de encontrar Credence antes de Grindelwald, vai para Paris com Jacob. Lá, eles se reúnem com Tina e Yusuf Kama, que deseja matar Credence para resolver uma questão familiar. Assim, a busca pelo menino se torna um mergulho no passado das famílias tradicionais da comunidade bruxa.

Nesse contexto, Jacob, um não-mágico, acaba ficando ofuscado e suas ações não têm real importância para a história. Mesmo sendo a mola propulsora para a mudança de Queenie, que se alia a Grindelwald, o papel do padeiro nessa transição não é bem explicado. E esta não é a única ponta solta do roteiro.

Credence, por exemplo, começa o filme em Paris, trabalhando no Circo Arcanus. É nesse show de aberrações mágicas que ele conhece Nagini, mulher que sofre de uma maldição hereditária e está condenada a se transformar permanentemente em um animal. Nesse caso, a moça se transforma na cobra que aparece na saga Harry Potter como serpente de estimação de Voldemort.

Contudo, se o circo e a inserção de Nagini foram superestimados nos trailers e materiais de divulgação do filme, sua participação no enredo é quase irrelevante. Nagini apenas acompanha Credence e o circo tem pouquíssimos minutos de cena.

Além disso, diferentemente da cidade de Nova York, que atuou como um verdadeiro personagem no primeiro longa da franquia, em Os crimes de Grindelwald, Paris é somente um pano de fundo. A composição da cidade luz no início do século XX e as particularidades da comunidade mágica francesa não são citadas nem trabalhadas pelo roteiro.

Leta Lestrange e Theseus Scamander, por sua vez, surgem apenas como um gancho para o filme anterior e têm pouco destaque na trama. Leta, que aparentemente era a paixão de Newt, começa o longa como noiva de Theseus, fato que não é explicado durante a narrativa.

Ademais, os conflitos de Lestrange, que acredita ter matado seu irmão, apesar de bem construídos, estão reduzidos a flashbacks e cenas de explicação, sem ter suas consequências totalmente desenvolvidas. Já Theseus é usado mais para ressaltar a timidez de Newt do que para acrescentar novos elementos ao enredo.

Aliás, são as interações entre Newt e Tina que constituem os pontos altos do filme. O casal dá um passo a mais no relacionamento e Newt, com toda a sua introspecção, cria um jeito muito peculiar para se aproximar da auror americana. Uma das melhores cenas ocorre quando o magizoologista diz para Tina que os olhos dela iluminam a água como as pupilas de uma salamandra.

A atuação de Jude Law como Alvo Dumbledore também rende bons momentos. A versão mais jovem do diretor de Hogwarts realça os principais traços do personagem e estabelece uma conexão com as interpretações feitas por Richard Harris e Michael Gambon na saga Harry Potter.

Outro aspecto positivo são os efeitos visuais e os figurinos. As criaturas mágicas de Newt Scamander e os feitiços que aparecem na trama são muito realistas. Os figurinos, por sua vez, foram criados por Colleen Atwood, que ganhou o Oscar como figurinista de Animais Fantásticos e Onde Habitam, e refletem as mudanças sofridas pelos personagens. Por exemplo, Queenie amadureceu em relação ao primeiro filme, logo, suas roupas apresentam tonalidades mais escuras.

O discurso de Grindelwald no final do longa também é um item que traz reflexões interessantes. O bruxo das trevas que deseja dominar os seres não-mágicos usa a retórica para conseguir aliados e mostra imagens da Segunda Guerra Mundial, dizendo que o mundo enfrentará um grande conflito caso ele não suba ao poder.

 

Essa é a primeira vez que o universo Harry Potter faz referências políticas e históricas tão explícitas. As palavras de Grindelwald dialogam com os fatos que ocorreram na Europa na metade do século XX e com o contexto atual, dada a recente ascensão de tantos líderes populistas. Contudo, apesar de sua importância na trama, o vilão é interpretado por Johnny Deep, ator acusado de agredir sua ex-mulher, Amber Heard.

E essa não é a única problemática envolvendo o filme. Alguns fãs acreditam que a inserção da personagem Minerva McGonagall, que aparece lecionando em Hogwarts por volta de 1912 e em 1927, interpretada em sua versão mais jovem por Fiona Glascott, vai contra o cânone da saga Harry Potter, já que, segundo referências temporais dos próprios livros, a professora teria nascido em 1935, ou seja, depois dos acontecimentos de Animais Fantásticos.

Além disso, nesse longa, a personagem foi utilizada apenas para estabelecer uma ligação entre as histórias de Newt Scamander e de Harry Potter, uma vez que ela aparece somente em duas cenas e tem aproximadamente três falas, o que pode ser visto como um mau aproveitamento de uma das figuras femininas mais emblemáticas do mundo mágico de J. K. Rowling.

Assim, com todos os aspectos positivos e negativos, é possível dizer que Animais Fantásticos: Os crimes de Grindelwald é um capítulo de transição, que deixa muitas pontas soltas para serem atadas nos próximos três filmes que contarão as aventuras de Newt Scamander e Gellert Grindelwald.

1 Comentário

  1. Tauane Mendes
    1 mês ago

    Explêndido! Texto com descrições essenciais. Resenha explicativa. Parabéns!