Andanças de Gay Talese pela cidade que nunca dorme
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Andanças de Gay Talese pela cidade que nunca dorme

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A metrópole nova–iorquina contada pelo mestre do Novo Jornalismo, Gay Talese

Chinatown. O Diabo Veste Prada. O Lobo de Wall Street. Homem-Aranha. Bonequinha de Luxo. O que une todos esses filmes? Seu cenário, a caótica e estranhamente bela Nova York, também pano de fundo do livro Fama e Anonimato, do renomado jornalista Gay Talese.

Ambientada nos anos 60, a obra – lançada em 1970 – é dividida em três séries de reportagens independentes, e ainda conta com um prefácio do próprio autor, um apêndice e, na versão brasileira, com um posfácio do jornalista Humberto Werneck.

Gay Talese
Fama e Anonimato, de Gay Talese. | Foto: Montagem/Reprodução.

Resenha crítica do livro Fama e Anonimato, de Gay Talese

A própria dualidade do título sugere o universo em que o leitor será imerso no decorrer das 535 páginas. O narrador mistura os perfis de notórias celebridades da época, como Frank Sinatra e Joe Louis – e essa é, talvez, a parte mais lembrada do livro pelo público, denominada “Excursão ao interior” -, com os de simples habitantes da cidade que nunca dorme, a exemplo de Helen Kay, popularmente conhecida no bairro do Bronx como Dama dos Farrapos, e Mike Krasilovsky e seus dilemas familiares. Assim, o autor conta uma história maior dessa tão excêntrica localidade, que também transforma-se em personagem ativa da história.

Vale ressaltar que a segunda parte da obra, denominada “A Ponte”, apresenta uma escrita menos dinâmica que as outras e, por vezes um pouco tediosa. Nesse momento do livro, Talese mantém enfoque a construção na ponte Verrazano-Narrows e as histórias de vida que ali se estabeleceram. Naquele instante, o autor acompanhou os boomers – chamados assim por participarem do “boom” das construções.

“Nova York – a jornada de um serendipitoso”, parte que escolhi dar atenção especial nesta resenha, transforma em protagonistas os antes figurantes. 

Há quem perceba a importância das milhares de personas sem rosto que passam por nós diariamente; e o repórter Talese, com certeza, é uma dessas pessoas. Brilhantemente, ele traça retratos peculiares desses olhos da multidão.

O autor compõe o cotidiano de Nova York com o auxílio de diversas estatísticas incomuns, que se tornam imprescindíveis para o funcionamento da história, como a quantidade de vezes que o nova-iorquino pisca – vinte e oito por minuto, quarenta quando estão tensos – e quantos quilômetros de fio dental eles passam entre os dentes – trinta e quatro mil, para ser exata. Durante a narrativa, somos apresentados a algumas histórias extraordinárias, por exemplo do mergulhador Barney Sweeney, do homem mais alto de Nova York, Ed Carmel, e de Bozo – rei dos vagabundos intelectuais.

É complicado pensar em um adjetivo que melhor descreva Gay Talese do que aquele com que ele mesmo se autodenomina – serendipitoso. Exemplifica a maestria no olhar e as inquietantes, mas também maravilhosas, observações feitas por meio das andanças ao redor da Big Apple. 

Desse modo, Fama e Anonimato se torna indispensável aos estudantes de Jornalismo por revelar a força de uma boa apuração que possibilita ir além do óbvio nesse âmbito, mas também é uma boa indicação aos amantes do lar da Estátua da Liberdade.  

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Por Vitória Prates Monteiro – Fala! Cásper

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