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Análise: Call of Duty Black Ops 4

Análise: Call of Duty Black Ops 4

 

Por Killy

 

Uma certa dose de preguiça

Estagnado, desde o segundo episódio, em um contexto de guerra do futuro, a série Black Ops sempre apresentou seu pequeno modo história como um modo mais reativo, bastante engraçado e recheado de techno-machines que permitem aos soldados matar mais e mais rápido. O abandono dessa ideia é uma grande novidade deste Call of Duty: Black Ops 4, escolha motivada por uma observação simples: ninguém joga o modo história.

Mas não dar tanta ênfase ao modo história também representou um problema de conteúdo à franquia. Sem esta “desculpa” para vender novas versões aos jogadores, que viam nas novidades do modo solo uma certa evolução da franquia, resta ao FPS caprichar no multiplayer a ponto de oferecer uma experiência digna de um novo episódio.

 

Uma carga que pesa nos grandes ombros da Treyarch

Black Ops 4 ainda oferece várias missões curtas na pele de vários “especialistas”, homens e mulheres que estão lutando contra uma ameaça latente – e contra os padrões de cabelo, uma maneira inteligente de introduzir cada tipo de personagem e suas habilidades especiais. O jogo sofre com o roteiro: os diálogos são todos meio irônicos e meio falsos, e por vezes esses momentos atingem um nível de estupidez tão grande que é difícil ouvi-los sem bufar.

Muitos outros representantes do gênero FPS mostraram que um personagem, mesmo sendo um soldado de exército, pode possuir algum resquício de profundidade. Com talento e boa-vontade, é possível fazer personagens divertidos e interessantes mesmo num jogo em que o interesse está mesmo no tiro, porrada e bomba.


Battle Royale em cena

O multiplayer da franquia Call of Duty: Black Ops é articulado em torno de dois eixos, os modos mais ousados e a parte dedicada aos zumbis.

Mas, este ano, o Black Ops 4 inova com a adição de um pequeno espaço Battle Royale. Pensando bem, seria uma perda de tempo, porque é uma versão magra e pouco melhorada de Playerunknown’s Battlegrounds – seja no nível do design de som, na introdução da missão ou no tipo de suplemento a serem aplicados às armas, a similaridade é impressionante. A diferença está na presença de bônus – em forma de maletas – que adicionam, por exemplo, uma melhor recuperação da saúde e no nível do colete. Por outro lado, mais claro do que o seu modelo anterior, ele permite gerenciar suas coisas sem perder tempo em “arrastar e soltar”.

Alguns desses recursos oferecem uma ótima reatividade sem abafar a ação ou desviar a concentração por mais de 2 ou 3 segundos. Basta selecionar, em uma barra exibida na parte inferior da tela, o tipo de arma secundária, as ferramentas para equipar sua arma e o bônus desejado, tudo com muito clareza. O progresso é, portanto, fluido, e o óbvio desejo da Treyarch é de melhorar a fórmula, já que este modo Blackout é uma corrida constante para o progresso.

Esse ritmo louco também é motivado por uma triste realidade; É quase impossível ganhar experiência sem ter matado alguém ou feito um Top 10. O interessante é, então, tentar encadear execuções, já que quase nenhuma outra abordagem é válida.  Azar dos novatos: o mapa está cheio de lugares irregulares e escondidos, perfeitos para acabar com  jogadores iniciantes que tentam ganhar alguns pontos.

Sobrevivência torna-se mais ou menos rara, e o modo é mais como um deathmatch em um card maior do que um Battle Royale. Alguns veículos trazem um lado divertido que falta nos PUBG, mas será difícil para este Call of Duty continuar assim. Ao contrário da parte zumbi, que ainda faz um papel especial na jogatina.

Talking Dead

Parte importante da experiência dos jogos Black Ops, o modo Zombie vem este ano em 4 mapas, todos focados na resistência a ondas de mortos-vivos. IX, a pequena novidade, acontece em uma arena e tenta contar uma história à qual ninguém dá a mínima, assim como em A Travessia do Desespero, localizado em um barco, O Sangue dos Mortos, em Alcatraz, ou Top Secret, que é uma restauração de um mapa dos primeiros Black Ops.

O princípio permanece o mesmo em todos os casos; sobreviver a ataques incessantes e acumular dinheiro gasto na compra de armas ou abertura de portas. Para ajudar os 4 jogadores em sua tarefa de super-coveiros, este modo permite o uso de Trumps (poder especial para encontrar nos níveis), Elixires (capacidade de ataque/suporte para selecionar antes da batalha) e um talismã que garante algumas vantagens, como um bônus de munição, um bem utilizável desde o início do jogo, etc.

Labirínticos, os mapas são campos de batalha compostos de corredores, onde a menor horda de zumbis se acumula em segundos. Você tem que permanecer móvel, se comunicar com sua equipe e especialmente saber quando equipar uma nova arma de acordo com sua situação e seu dinheiro. Um tutorial tenta explicar algumas coisas, mas leva tempo para explicar todos os bônus, sua operação e especialmente suas interações.

Na lógica da aquisição imediata deste CoD: Black Ops 4, não é justo que os jogadores recentes demorem para que entendam todo o contexto do jogo antes de se lançarem à guerra e, depois, terminarem frustrados com a experiência. A outra preocupação com os zumbis é a sua aparência muito “viva”. O princípio básico quase não mudou e não é o novo modo Rush que muda o jogo, uma simples dimensão “competitiva” onde você tem que tentar encadear o maior número possível de inimigos. Um defeito que é o reflexo de todo o jogo.


Scoping No Scoping

Nenhuma surpresa, portanto, no campo de balões multi-competitivos: novamente temos a impressão de uma simples atualização do Black Ops 3. Poucas novas cartas nos 14 presentes (15 com a atualização de novembro), e houve a retirada da corrida contra as muralhas – que trouxe a sua dose de adrenalina de boas vindas e favoreceu algumas boas surpresas contra os menos atentos – em favor de um deslize mais desajeitado,  e o resultado é triste. Apenas o modo Hold-Up sem precedentes é que dá alguma expectativa. Lá dentro, devemos roubar uma sacola cheia de dólares e trazê-la de volta para um ponto de extração, com a condição de ter pelo menos um sobrevivente em uma equipe de 8 a 10 pessoas. Intenso, rápido e focado principalmente no trabalho em equipe, o que, inclusive, se destaca como a melhor ideia deste episódio de 2018.

Um dos seus maiores recursos é a seu progresso “à là” o Counter Strike, onde, dependendo do seu desempenho, cada equipe tem direito a mais ou menos dinheiro para equipar. O resto está de acordo com o que já é normal na série, eficaz e espetacular sem reinventar nada. Além dessa “criatividade preguiçosa”, onde o olho se volta mais para um passado povoado de Overwatch do que para o futuro, o multi sofre vários grandes problemas de ajustes.

De um ponto de vista puramente técnico, o tickrate do servidor está hoje em 20Hz no PS4 contra 60 no momento do beta, o que causa sérios desequilíbrios. A Treyarch está ciente disso no momento deste teste e deve tentar resolver a situação nas próximas semanas ou meses. Na mesma linha, as desconexões são numerosas, especialmente no jogo dedicado aos zumbis, como travamentos com a paralisação da rede do jogo e tempos de rompimento longos o bastante para os jogadores pensarem sobre a fragilidade da vida.

Call of Duty: Black Ops 4  oferece um conteúdo robusto, com tudo o que é necessário para construir um bom momento de entretenimento entre amigos, mas sem nunca ter inventado ou encontrado seu próprio estilo. Tudo funciona como planejado e o jogador se diverte, mas a série gagueja já há algum tempo e merece um novo design. Tal como está, a guerra virtual é, sem dúvidas, divertida, mas talvez um patch teria sido o suficiente antes de um novo episódio real.

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