Amapá sofre com falta de luz e de água: entenda a situação
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Amapá sofre com falta de luz e de água: entenda a situação

Amapá sofre com falta de luz e de água: entenda a situação

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Desde o dia 3 de novembro, o estado do Amapá, no norte do Brasil, enfrenta falta de energia elétrica e, como consequência, de água. O prazo para o restabelecimento de energia é o dia 26 de novembro. Enquanto não há normalização do fornecimento, 13 dos 16 municípios do Amapá passam por um racionamento de energia, que só os permite ter luz por 3 horas.

Amapá sem energia
Maria Félix de Carvalho, 58 anos, comerciante, moradora do residencial Macapaba, durante o apagão de energia na capital do Amapá. | Foto: André Borges.

As comidas estragaram e o comércio já enfrenta desabastecimento de carne e de água. Alguns moradores relatam que os poucos lugares que ainda têm água para vender aumentaram os preços.

Com calor e sem energia, aqueles que têm carro dormem em seus veículos para aproveitar o ar-condicionado enquanto outros passam a noite nos chãos de shoppings e aeroportos. Esses locais também estão sendo usados para recarregar aparelhos telefônicos, o que tem provocado aglomerações próximo às tomadas.

Amapá
Amapaenses carregam celular em aeroporto. | Foto: TV Globo/Reprodução.

Sem Internet ou máquinas de cartão, filas enormes se formam nos caixas eletrônicos para sacar dinheiro. A mesma situação tem sido observada nos postos de gasolina. Os comerciantes lamentam o prejuízo que estão tendo. Motoristas de aplicativo estão sem fazer corridas, padarias não conseguem ligar os fornos e as lojas estão fechadas.

A violência também preocupa os amapaenses. Eles relatam que casas estão sendo invadidas e os assaltos, aumentando. Diante da situação, a população vem fazendo manifestações desde o dia 6 de novembro. Até o dia 19/11, a Polícia Militar (PM) já havia contabilizado 110 atos. Por conta desse cenário, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu adiar as eleições em Macapá, capital do estado, para os dias 6 e 20 de dezembro.

Amapá apagão
Ato realizado no bairro do Buritizal, na noite do dia 10 de novembro, sétimo dia de apagão. | Foto: Maksuel Martins/Secom/GEA.

Como o fornecimento de energia foi interrompido no Amapá?

No dia 3 de novembro, após uma forte chuva, um transformador, dos três da subestação do Amapá, pegou fogo devido a problemas com uma bucha. Esse transformador sobrecarregou o segundo, que também foi danificado. O terceiro, segundo a perícia, já estava fora de funcionamento desde 2019. A princípio, chegou-se a pensar que os transformadores tivessem sido atingidos por raios, mas o laudo preliminar da perícia, divulgado no dia 11 de novembro, descartou essa possibilidade. As investigações ainda tentam descobrir se as quedas de raios, ocorridas naquele dia, tiveram alguma influência indireta no incêndio.

Depois do incêndio, houve um apagão que deixou 765 mil pessoas, 90% da população do estado, completamente sem luz por quatro dias. Os únicos três municípios que não foram afetados, Oiapoque, Laranjal do Jari e Vitória do Jari, têm sistemas isolados de fornecimento de luz.

No dia 8 de novembro, um dia após a justiça determinar prazo de três dias para que o problema fosse solucionado, o estado começou um rodízio de luz de 6 horas por região. No entanto, quatro dias depois, a Companhia de Eletricidade do Amapá (CAE) anunciou um tempo mais curto de rodízio, apenas 3 horas. A Linhas de Macapá Transmissora de Energia (LMTE), empresa responsável pela subestação, só se manifestou no dia 9.

falta de energia
Bombeiros apagam incêndio na subestação de Macapá. | Foto: G1/Reprodução.

As expectativas da volta da luz

Dois dias depois do blackout, o governo federal lançou um plano de recuperação que envolvia transportar transformadores de Laranjal do Jari, no extremo do Amapá, e de Roraima para a subestação. Devido ao peso dos equipamentos, cerca de 100 toneladas, e à necessidade de desmontá-los e montá-los para o deslocamento, o transformador de Laranjal só entraria em funcionamento em 15 dias e o de Roraima, em 30.

No dia 10, o Ministério de Desenvolvimento Regional liberou R$21,6 milhões para o aluguel de geradores de energia e para a compra de combustível para os equipamentos. A expectativa era de que a medida pudesse reestabelecer energia para todos os municípios afetados de forma provisória.

Já no dia seguinte, entrou em funcionamento a usina hidrelétrica de Coaracy Nunes, localizada a 137 quilômetros de Macapá. Com isso, o fornecimento de energia aumentou para 80% do estado, mas os rodízios permaneceram.

falta de luz
Ministro de Minas e Energias e comitiva vão à subestação de Macapá. | Foto: Ministério de Minas e Energia.

Em 13/11, a Justiça Federal determinou que a União pagasse R$1.200, divididos em duas parcelas mensais, de auxílio emergencial para os moradores de Amapá que ficaram sem luz. Na mesma sentença, porém, o prazo para a normalização do fornecimento de energia foi prorrogado para o dia 25 de novembro.

No dia 16 de novembro, 37 geradores, movidos à combustível, chegaram ao Amapá para serem direcionados às subestações de Santana e de Macapá. Espera-se que eles consigam reestabelecer 100% da energia enquanto os novos transformadores não chegam à subestação de Macapá.

Novo apagão no dia 17

No dia 17, um novo apagão interrompeu totalmente o fornecimento de luz, ainda em rodízio, para os mesmos 13 municípios que ficaram sem luz no dia 3. O Operador Nacional de Sistemas (ONS), responsável por coordenar e controlar a geração e transmissão de energia elétrica no Sistema Interligado Nacional, informou que o novo corte de energia possa ter acontecido devido à energização da linha de transmissão Santa Rita-Equatorial.

As investigações

O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou, no dia 10, a abertura de uma investigação para apurar o que havia ocorrido. No dia seguinte, o Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou a abertura de uma auditoria para apurar possíveis casos de omissão e irregularidades. A justiça, por sua vez, bloqueou R$ 50 milhões da LMTE para ressarcir danos aos consumidores.

No dia 19, determinou o afastamento, por 30 dias, da diretoria da ANEEL, reguladora do setor elétrico, e do Operador Nacional de Sistemas (ONS) que é responsável por coordenar e controlar a geração e transmissão de energia elétrica no Sistema Interligado Nacional, além de planejar a operação de sistemas isolados.

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Por Rosamaria Santos – Fala! UFRJ

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