Além da ficção: As consequências de encontrar vida fora da Terra
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Além da ficção: As consequências de encontrar vida fora da Terra

Além da ficção: As consequências de encontrar vida fora da Terra

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Quando Enrico Fermi (1901-1954), prestigiado físico italiano pelas suas descobertas na área da física nuclear, questionou a Equação de Drake, cálculo que indicava a probabilidade da existência de civilizações inteligentes na Via Láctea, levantou-se uma das dúvidas mais instigantes que ainda perpetuam o século XXI, responsável pela criação do Paradoxo de Fermi: onde está todo mundo?

Apesar de muitos filmes de ficção científica abordarem o contato com extraterrestres, deixando o público ainda mais curioso, quais seriam as possíveis consequências para a humanidade ao encontrar os nossos “vizinhos”? 

E.T. - O Extraterrestre
Sendo um dos clássicos quando o assunto é filmes que abordam o primeiro contato entre seres humanos e alienígenas, E.T. – O Extraterrestre, de Steven Spielberg, consagrou-se como o maior sucesso das bilheterias de 1982 e da época. | Foto: Reprodução.

A condição de ser humano

Para o filósofo e crítico literário George Steiner (1929-2020), a linguagem é a característica que declara a humanidade. Não se pode considerar ser humano apenas pela sua constituição física e biológica. A sua capacidade simbólica, ou seja, de compreender a comunicação por meio de símbolos, de estabelecer uma noção de tempo e de transmitir memórias é fundamental para que a experiência humana ganhe significado com base nas narrativas e nos discursos que constroem o mundo de forma social e cultural. 

Contudo, a comunicação é o ponto de partida para analisarmos o primeiro contato entre os seres humanos e os alienígenas. No filme A Chegada (2016), após naves pairarem sobre diversos locais do planeta, a linguista Louise Banks (Amy Adams) é convocada para decifrar os códigos transmitidos pelos desconhecidos: círculos com diferentes ramificações que não aparentavam um começo e um fim. 

filme A Chegada
A linguista Dra. Louise Banks e o físico Ian Donnelly durante a missão de estabelecer uma comunicação com os seres hepdapodos extraterrestres. | Foto: Reprodução.

As mensagens que pareciam indecifráveis de início passam a ser estruturadas em uma teoria linguística que ganhou destaque no século XX: a hipótese de Sapir-Whorf.

A língua e a cultura estabelecem uma relação de interdependência, pois a realidade e a cultura de um povo são compreendidas através das categorias semânticas e gramaticais de sua língua. Assim, ao considerar que a linguagem é capaz de modelar os pensamentos e as percepções cognitivas, como a própria perspectiva temporal, Louise busca no entendimento da língua alienígena uma forma de entender a visão de mundo daqueles seres e a explicação para o motivo da visita.

No entanto, se houver civilizações inteligentes nos exoplanetas, planetas que orbitam outras estrelas e têm condições propícias para que a vida se desenvolva, essas serão formadas por seres como nós? A partir desse ponto, torna-se fundamental a reflexão diante da nossa relação com os próprios povos distintos da Terra. 

Enxergar a própria história

Se os alienígenas nos visitassem, as consequências poderiam ser parecidas quando Colombo desembarcou na América, algo que não acabou bem para os nativos.

Em 2010, em um programa exibido pela Discovery Channel, o renomado astrofísico Stephen Hawking (1942-2018) já alertava a população sobre o possível resultado desse encontro. Em uma perspectiva antropológica, a noção de alteridade, ou seja, a condição de ser outro, poderia acarretar o etnocentrismo mútuo ao colocar os valores de cada civilização no centro durante a análise de ambos os comportamentos, gerando uma distorção da realidade.

Assim como Cristovão Colombo enxergou os índios como generosos e covardes ao entregarem o ouro em troca de vidro, as diferentes civilizações assumiriam uma hierarquização dos costumes caso não percebessem que os valores são convenções e, por isso, as concepções e os interesses não são os mesmos.

Com base no pensamento etnocêntrico e na crença de que uma cultura é superior à outra, atos etnocidas poderiam acontecer. Por meio da opressão cultural, o objetivo seria o da transformação de um povo, para que esse encontre uma identificação – ainda que forçada – com o modo de vida daquele que o domina.

Analisando a linha do tempo dos processos históricos, a lógica escravagista ainda poderia ser um dos métodos adotados, porque, além de tirar a integridade do povo a qual é submetido, seria a base da mão-de-obra para manter a civilização opressora no poder.

Diante dos conflitos territoriais, colonizadores e para impor qual seria a verdadeira “raça ariana” – alusão à Alemanha Nazista durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) – o extermínio físico e cultural das populações, isto é, genocídio, seria justificado como forma de proteger a civilização de “espécie superior”, pois esse sentimento enxerga a diferença do outro como maldade e risco para a mesma.

Da mesma forma que em 2008, ao completar o seu 50º aniversário, a Nasa transmitiu para a Estrela Polaris, localizada a 431 anos-luz da Terra, a música dos Beatles, que comemorava 40 anos de gravação, Across the Universe, alguma civilização extraterrestre pode estar em contagem regressiva pela chegada de seu sinal aqui na Terra!

Porém, antes de pensarmos em um suposto “contato”, devemos olhar de forma crítica para o nosso planeta e para as marcas violentas deixadas pelas ações humanas, resultando em consequências que jamais podem ser esquecidas nos livros, para que a história não se repita.

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Por Isabella Fonte de Carvalho – Fala! Cásper

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