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Álbum da Copa: Uma febre mundial fora das quatro linhas

Álbum da Copa: Uma febre mundial fora das quatro linhas

Por Fabrício Indrigo e Lucca Ribeiro – Fala!PUC
Álbum de figurinhas bate recordes e aumenta lucro de donos de banca. – Alberto Rocha/Folhapress

 

Nos dias de hoje, vivemos tanto no meio de uma era de avanços tecnológicos quanto em uma das maiores crises econômicas que o Brasil já atravessou. Um dos campos mais afetados por esses fatores é a mídia impressa, que cada vez mais perde espaço. Notícias antes divulgadas em periódicos chegam a milhares de pessoas com apenas um clique. Então, como é que as chamadas “bancas de jornal” estão aumentando seu faturamento nos dias atuais? A resposta é simples e aparece de 4 em 4 anos.

Os álbuns de figurinha da Copa do Mundo se tornaram uma febre mundial. Comercializado em mais de 50 países, o que era para ser um simples passatempo virou uma legítima indústria, que hoje emprega e movimenta milhões. Em meados de março, a estimativa era de que já haviam sido produzidos 57 milhões de álbuns.

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Para alguns, até os gols e defesas de dentro das quatro linhas perdem espaço em relação às figurinhas e trocas. Completar álbuns da Copa se tornou não só um vício como um instrumento de socialização. Se no campo os jogadores são famosos, nos pontos de trocas você nunca sabe quem irá encontrar. A reportagem foi a um desses pontos na zona norte de São Paulo e encontrou o estudante Lucas Venâncio, de 19 anos, que coleciona figurinhas desde o álbum de 2006, e afirmou sobre a expectativa da chegada do álbum no ano de 2018.

“Para falar a verdade, quando chegamos em 2018, eu nem estava tão empolgado para a copa, e sim para o álbum [risos]. Estou procurando a última figurinha pra acabar meu segundo. Na copa, eu não ligo pra seleção da Polônia. No álbum, é a última que me falta.”

Contudo, essa missão que os colecionadores têm não sairá nada barata. Os preços, tanto do álbum quanto dos pacotes de figurinhas sofreram um polêmico aumento para a edição desse ano. Em 2014, o álbum era vendido a R$5,90 e pacotes saíam a R$ 1,00 cada. No ano atual, o álbum é vendido a R$7,90 e o pacote com cinco figurinhas é comercializado a R$ 2,00. Para um colecionador como Lucas, que está completando o seu segundo álbum, o gasto com figurinhas pode ultrapassar a casa de mil reais. E não só as vendas não foram afetadas por esse fator como o álbum bateu todos os recordes de 2014.

Pensando nisso, a reportagem tentou contato com o outro lado, alguém que dependa das vendas do álbum para sobreviver. Entrevistamos um dono de uma popular banca em Santana, Dito, que tem seu negócio faz mais de 30 anos.

“Em tempos de copa, chega a dobrar o faturamento em relação à um mês normal. As pessoas não leem mais jornal, revista. Normalmente, eu só faço dinheiro com cigarro e alguns jornais. Só na copa mesmo que dá pra ganhar dinheiro nesses novos tempos. O dia inteiro, a garotada vem comprar pacotinho.” Naturalmente, Dito viu com bons olhos esse aumento do preço.

“Eu não entendo o porquê de eu vender tanta figurinha, mas eu continuo vendendo. E quanto mais caro melhor, porque cada vez eu vendo mais [risos]. ”

A estimativa da Panini, empresa desenvolvedora do álbum, é que até o dia 20 de abril foram produzidos cerca de oito milhões de pacotinhos por dia. E esse número só tende a crescer. Assim, mesmo que os jogadores só entrem no campo daqui dois meses, para muitos, a Copa do Mundo já está a todo vapor.

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