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Agrotóxicos: uso indiscriminado alerta pesquisadores

Agrotóxicos: uso indiscriminado alerta pesquisadores

Por Louise Diório – Fala!MACK

 

O uso de agrotóxicos aumenta a produção de alimentos, mas também gera preocupação à saúde humana e ambiental

O Brasil é o país que mais consome agrotóxicos no mundo, chegando a cerca de 20% da produção mundial. De acordo com a Associação Brasileira de Agroecologia (ABA) cada brasileiro consome cerca de 5,5 quilos de agrotóxicos anualmente. De 2000 a 2012 a Sindag constatou um aumento de 288% no uso do produto em solo brasileiro. As regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul lideram o consumo total do país.

A Anvisa, órgão regulamentador divulgou, em 2016, o relatório do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA) considerando 80,2% dos alimentos satisfatórios, 42% sem taxa residual, 38,3% com resíduos dentro do Limite Máximo de Resíduos (LMR), 3% acima do LMR e 19,7% insatisfatórias. O dado que mais preocupa os pesquisadores é o fato de 18,3% dos alimentos apresentarem resíduos de agrotóxicos não autorizados para a cultura, gerando uma série de riscos ao consumidor, ao trabalhador rural e ao meio ambiente.

Lavoura de café no interior de São Paulo. Foto: Louise Diório

A produção de defensores agrícolas teve início após a Primeira Guerra Mundial e foi difundida no Brasil a partir da década de 1940 com a Revolução Verde. O produto é formulado para combater desde pragas, insetos, fungos, bactérias, plantas daninhas, até doenças que atacam as plantações, aumentar a produtividade para atender à demanda mundial e conservar os alimentos até chegarem à mesa do consumidor. Embora mantenham as culturas equilibradas, pesquisas alegam que seu uso inadequado pode trazer malefícios para a saúde humana e ambiental.

A nutricionista Luana Marchi aponta que “os agrotóxicos possuem substâncias cancerígenas, podem afetar a taxa de fertilidade, causar problemas respiratórios, gerar distúrbios de tireoide, desenvolver problemas de ordem neurológica e sintomas de intoxicação.” Como forma de escape, orienta seus pacientes a optarem por alimentos orgânicos sempre que possível. O pesquisador Robson Barizon, da Embrapa, complementa que adquirir produtos certificados é imprescindível. “A garantia de consumir um produto de qualidade é muito maior”, diz.

O pesquisador da Embrapa Luiz Alexandre De Sá concorda sobre os riscos da contaminação de agrotóxicos e relata que há muitas pragas e doenças que necessitam de controle para a produção de alimentos via agropecuária no mundo. “[o uso de agrotóxicos] deve ser bem planejado, com pesticidas seletivos e tecnologicamente aceitáveis”, afirma.

A boa higienização caseira dos alimentos pode diminuir a ingestão de agrotóxicos. Para isso, Luana Marchi orienta deixar as frutas e legumes de molho em solução de hipoclorito de sódio, popularmente conhecida como água sanitária, por cerca de 10 minutos e logo após enxaguar em água corrente. “Retirar cascas e folhas externas de verduras também ajuda na redução dos resíduos de agrotóxicos e eliminação de micro-organismos resistentes”, indica a nutricionista.

Pulverização sem uso de EPI traz sérios riscos à saúde. Foto: Acervo Embrapa


Além da contaminação por ingestão, há a exposição de agrotóxicos no ar que pode afetar a saúde de pessoas próximas das zonas rurais. Com o intuito de minimizar esse tipo de contaminação, a Bayer desenvolveu novos tipos de pulverizadores. Henrique Lemos, coordenador de tecnologia e aplicação empresa, explica que quanto mais concentrada a saída do pulverizador, menor o nível de deriva, distribuindo melhor o produto na área desejada, sem espalhar para fora da zona de plantio.

A Universidade Federal do Ceará, em 2012, divulgou uma pesquisa realizada ao longo de 4 anos sobre os efeitos de agroquímicos em trabalhadores rurais. A pesquisa constatou que 30% dos entrevistados tinha sintomas de contaminação. Outro dado averiguou que áreas rurais do Ceará possuem mais casos de câncer em comparação aos seus municípios urbanizados, tendo 38% a mais de pessoas com a doença.

Novas cultivares produzidas pela IAC, em Campinas. Foto: Louise Diório


Equipamentos de Proteção Individual (EPI) são imprescindíveis no momento da aplicação e devem ser fornecidos aos funcionários pela empresa responsável, tais como: máscara, óculos, luva, bota, macacão de mangas compridas e avental impermeável. Segundo o pesquisador Robson Barizon, a falta de instrução pode ser um agravante à saúde dos trabalhadores. “Grande parte não possue tratores com cabines fechadas que reduzem significativamente a exposição aos agrotóxicos”, diz.

De acordo com o IBGE, o uso de produtos agroquímicos também é a 2° maior causa de contaminação dos rios no Brasil. Isso ocorre porque quando há o uso indiscriminado, os resíduos de compostos químicos são escoados para o solo, contaminando os lençóis freáticos. “Com pulverizadores mal calibrados e com o manejo inadequado do solo, há o revolvimento excessivo que ocasiona a erosão e o transporte dos agrotóxicos até os cursos d´água”, explica Robson Barizon.

1 Comentário

  1. Cenise
    1 ano ago

    Excelente matéria!