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A solidão dos dois lados – A Opinião de uma Aluna Sobre o Contexto do “Muro do Impeachment”

A solidão dos dois lados – A Opinião de uma Aluna Sobre o Contexto do “Muro do Impeachment”


O “Muro da Vergonha” de Brasília: o que você vai falar para seu filho?

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Foto: comerciodojahu.com.br

 

O cenário atual é extremamente caótico, sendo absolutamente fácil notar a fragmentação do imenso país brasileiro, a qual dividiu a população em duas vertentes: ou se é “coxinha”; ou “petralha”. Infelizmente, a noção de comunidade foi bombardeada por essas ideologias discordantes, e foi-se extinto o pensamento que a globalização trouxe, ou seja, a noção de um país integrado.

Com um quilômetro de extensão, o “muro do impeachment”, como ficou mais conhecido, foi tratado como a divisão – tanto literal quanto simbólica – do racha que tomou o Brasil nos últimos meses. Essa divisa foi uma forma de explicitar o quão repartido, bipolarizado e individualista está o nosso país, e o que parece é que esqueceram a interdependência que o mundo pós moderno nos ofereceu. Não obstante, abolimos o diálogo e ignoramos o real motivo das várias manifestações, adotando então um sistema de desunião e intolerância.

Igual ao muro de Berlim, o “Muro da Vergonha” entrará para a história como um símbolo de tristeza e dicotomia. É indispensável lembrar que, independente da ideologia e posição de cada um, é inegável que esse momento ficará escandalizado na história brasileira, pois além do cenário grotesco e ridicularizado que se encontra a atual Câmara dos Deputados, a população seguiu o mesmo fluxo: “carnavalizando” um momento tão importante e sério. Deixou-se levar pela tão falada “busca pela democracia” , que criou uma visão errônea de questões sociais e políticas, pois houve a sujeição de optar pelo “sim” ou pelo “não”. Isso faz memória ao maniqueísmo, no qual se pregava uma visão completamente alegórica do bem versus o mal, nutrindo ainda mais o sentimento de uma verdade absoluta- a qual não existe.

A solidão que se encontra os dois lados é extrema. Ninguém atingiu à ideia utópica da “fórmula do ouro” e, atualmente, ao oposto do que escreveu Freud em “O mal-estar na civilização” (1920), entregamos demais nossa segurança em prol de mais e mais liberdade.

Tal anseio não foi de acordo com as nossas expectativas, tornando o produto de toda essa revolução um só: a angústia. O que os cidadãos não perceberam, é que o “impeachment” não é um jogo de futebol, no qual sempre há um único time vencedor, mas sim um assunto de extrema relevância, que não levará a derrota de um e nem a vitória de outro, e sim uma consequência – seja ela boa ou ruim em todo o país, que todos nós teremos de arcar.

É lastimável e dolorosa essa situação em que a maioria não consegue e nem quer conviver com outros que pensam distintamente; na inflexibilidade de ambas as partes; do fato em si de haver “partes”; da necessidade de um muro para que não haja confronto; dessa liquidez contemporânea expressada pela falta de ética; da falta de vergonha na cara daqueles que nos representam; enfim, do escândalo político-social que estamos submetidos e afogados. Esse momento é único e devem ser sugados ensinamentos, para que assim, nossas futuras gerações não vivam ilhadas uma das outras nesse mar de amargura.

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Foto: noticias.r7.com

 

Por: Victoria Stampacchio Bassi – Fala!P.U.C

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1 Comentário

  1. Rosângela
    4 anos ago

    Esta é a mais pura verdade. Não existe um “sim” ou um “não” absoluto, as pessoas devem ser respeitadas e, a convivência tem que existir pacificamente. Afinal, vou deixar de falar com alguém que respeito e tenho carinho pelo simples fato desta pessoa pensar diferente de mim? Afinal de contas, não somos seres racionais?
    Devemos aproveitar o momento e a união do povo brasileiro para lutarmos por justiça, pois nos meus 51 anos de idade nunca presenciei um momento como este, onde pessoas poderosas estão indo para a cadeia.
    Pela primeira vez na minha vida, estou começando a acreditar que no final “as coisas podem não acabar em pizza”, então, vamos aproveitar o momento histórico e lutar para construir um país melhor, lutar para colocar na cadeia os verdadeiros corruptos e mostrar para os que estão por vir que não vamos mais aceitar as falcatruas, calados. Que já não somos mais aqueles brasileiros que aceitam tudo de cabeça baixa, estamos cansados, aprendemos a brigar por nossos direitos, aprendemos a lutar por um país melhor e, vamos brigar para colocar na cadeia aqueles que não tem escrúpulos!

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