A repercussão do caso Mari Ferrer no TikTok
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A repercussão do caso Mari Ferrer no TikTok

A repercussão do caso Mari Ferrer no TikTok

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 No final de 2018, a jovem modelo e influenciadora Mariana Ferrer (com 21 anos, na época do episódio) afirmou ter sido estuprada pelo empresário André de Camargo Aranha em um beach club catarinense.

Logo após o ocorrido, em maio de 2019, Mari utilizou suas redes para mostrar as provas que tinha e contar ao público o que tinha passado e, claro, o caso ganhou grande visibilidade na mídia.

De 2018 para cá, a jovem, com 23 anos hoje, vem enfrentando uma longa batalha judicial (consistindo na constante alteração da versão do acusado, troca de promotores e sumiço de vídeos e imagens) para incriminar seu então agressor.

Mari Ferrer
Veja a repercussão do caso Mari Ferrer no TikTok. | Foto: Reprodução.

O estopim

 Na última terça-feira (3), o caso voltou a repercutir na mídia em função de um trecho do vídeo da audiência ter sido divulgado pelo The Intercept Brasil que mostram Mariana sendo humilhada pelo advogado de defesa de André Camargo Aranha e o silêncio do juiz frente aos absurdos comentários de Cláudio Gastão da Rosa Filho, o então advogado.

Em meio às acusações infundadas, a jovem reclama ao juiz Rudson Marcos: “Excelentíssimo, eu tô implorando por respeito, nem os acusados são tratados do jeito que estou sendo tratada, pelo amor de Deus, gente. O que é isso?”.

Ao final da audiência, o promotor responsável pelo caso inocentou o réu com a justificativa de que a vítima não estava em condições de consentir a relação, portanto, não tinha como o empresário ter conhecimento de estar ou não estuprando a jovem e, assim, dando a entender que André não tinha a intenção de estuprá-la. Com a sentença divulgada, a comoção se propagou para além das redes e muitas pessoas (famosas e não famosas) vieram a público se posicionar sobre o caso.

Veja o post de Astrid Fontenelle, no Instagram, clicando aqui.

Chegada do caso Mari Ferrer ao TikTok

Com tamanha comoção, o caso alcançou até mesmo a “rede do momento”: o TikTok. Muitos usuários da plataforma digital (conhecidos como tiktokers) fizeram uso de suas respectivas contas para mostrarem apoio à Mari Ferrer.

Tendo em vista um público altamente diversificado, desde crianças com seus 10 anos até adultos, começaram a discutir amplamente o caso dentro da rede. Por meio das chamadas “trends” (tendências, traduzido para o português), muitas pessoas dublaram o áudio de Mariana suplicando por respeito e até mesmo disseminaram sua revolta por meio de “desafios de maquiagem” (os chamados “challenges”), o que causou certa polêmica.

Até mesmo a ex-BBB Rafa Kalimann e a maquiadora Mari Maria foram alvos de ataques, pois dublaram o áudio da audiência do caso, o que fora considerado um desrespeito e uma forma de se “autopromover” de uma causa séria quanto a acusação de um estupro.

O que diz a psicologia sobre isso?

Em entrevista à psicóloga Renata Magalhães Caparroz Ribeiro, há a afirmação de que a fala de Mariana disseminada pelos inúmeros vídeos no TikTok transparece sofrimento, exposição de alguém a uma situação humilhante, desrespeitosa e violenta e, compartilhá-la da forma na qual está sendo compartilhada, causa uma desapropriação da possibilidade do sofrimento e da reestruturação daquela mulher violentada (apesar de ter sofrido o que sofreu).

Você falar dela para se promover é calar também o sofrimento dela.

Conclui.

A segunda psicóloga entrevistada, Francine Peralta, cita o conceito “comportamento de rebanho” para justificar essa “febre” de trends e challenges sobre o assunto no TikTok. Basicamente ela se refere à situação em que, ao ver alguém realizando determinado tipo de comportamento, a pessoa o reproduz sem questioná-lo, para se sentir pertencente a um determinado tipo de grupo.

Podemos usar o exemplo da Rafa Kalimann, por exemplo, ela pode ter feito o vídeo dublando a fala de Mari Ferrer da audiência porque viu várias pessoas fazendo aquilo, de certa forma “engajando”, e decidiu reproduzir sem ao menos se perguntar qual seria o benefício daquilo. Francine finaliza seu raciocínio:

Nesse caso talvez até role uma identificação forte com a vítima ao ponto de tomar essa atitude como uma forma de protesto, mas sem se questionar e enxergar que esse tipo de conteúdo não ajuda, afinal, em nada.

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Por Julia Neves Silva – Fala! Cásper

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