Cadastre-se e tenha acesso a conteúdos exclusivos!
Quero me cadastrar!
Menu & Busca
A pressão psicológica durante a vida acadêmica

A pressão psicológica durante a vida acadêmica

Por Mayara Santos e Ligia Barcala – Fala! Anhembi

A pressão para a escolha de uma carreira logo após o término do ensino médio faz com que muitos jovens ingressem na faculdade sem a consciência plena do caminho que estão tomando. Essa escolha, por vezes precipitada, acaba gerando futuros profissionais insatisfeitos, fazendo com que os recém-formados repensem toda sua formação e questionem se ela realmente valeu a pena.

Dados de 2014 mostram que 80% dos formandos das universidades brasileiras se encontram em apenas seis áreas do conhecimento, o que gera uma escassez de vagas e falta de espaço no mercado para tantos profissionais. Segundo o estudo “Educação para o trabalho: desenhando um sistema que funcione”, feito pela consultoria multinacional McKinsey & Company, apenas 45% dos universitários se sentem preparados para exercer sua profissão. A perspectiva das empresas não é muito diferente, uma vez que 48% delas não estão satisfeitas com os candidatos.

[read more=”Leia Mais” less=””]

Os millennials e centennials, gerações caracterizadas por aqueles que nasceram entre os anos 80 e 2010, são considerados a maior parte da população economicamente ativa na atualidade, ou seja, compõem grande parcela do mercado de trabalho. Essas mesmas pessoas estão sofrendo cada vez mais com transtornos mentais, justamente por serem obrigados a fazer escolhas tão importantes em um curto espaço de tempo.

De acordo com a psicóloga Solange de Souza, os índices de ansiedade e depressão nos jovens chamam a atenção por terem aumentado expressivamente nos últimos tempos. Ela afirma que esse aumento é reflexo do despreparo emocional para a vida, excesso de cobranças e até mesmo ausência dos pais ou de pessoas responsáveis em momentos decisivos. A psicóloga menciona que os jovens precisam de orientação e acompanhamento familiar para o enfrentamento dos problemas, sem tirar sua própria responsabilidade sobre as escolhas e atitudes a serem tomadas. “Liberdade requer responsabilidade. Isso precisa ser assumido pelo jovem e ensinado pelos pais”, explica Solange.

Aos 16 ou 17 anos de idade, esses jovens adultos precisam definir o que irão trabalhar pelo resto da vida, e a maioria deles ainda não tem maturidade suficiente para tomar uma decisão dessa dimensão. Isso os força a sair de uma adolescência sem responsabilidade, para irem direto à vida adulta, com todas as suas devidas obrigações. Essa decisão acaba tornando-se um peso nas costas de muitos jovens, que por vezes, só escolhem a sua profissão para suprir a pressão da sociedade.

“Para mim foi difícil no começo porque eu não sabia o que fazer, e tinha um pouco da pressão dos meus pais para sair logo da escola e entrar na faculdade” – disse a estudante de nutrição, Jacqueline Alves, que já mudou de curso duas vezes. Em 2015, logo após sair do ensino médio, ela decidiu cursar Relações Internacionais e pouco tempo depois percebeu que tinha sido uma escolha precipitada, feita no calor do momento. Em 2017, Jacqueline mudou para a área da saúde, o ramo que, segundo ela, é o que sempre sonhou.

Metade dos jovens universitários brasileiros já passaram por algum momento de crise emocional durante o ano de 2016, e além disso, a depressão atingiu cerca de 15% dos estudantes, segundo dados da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes).

Um dos motivos para o agravamento da doença parte da cobrança dos próprios alunos. A estudante de Jornalismo, Roberta Caroline, nos conta:

“A pressão maior e que mais me atrapalha não vem de nenhum ambiente ou dos meus pais, mas de mim. Eu sempre acho que tô fazendo errado, que não sou boa o suficiente, que alguém melhor vai aparecer para me substituir.”

Um outro fator que agrava os sintomas da depressão e ansiedade na vida estudantil, é a jornada dupla que a maioria dos estudantes enfrentam. Conciliar o trabalho, faculdade e vida social é uma tarefa difícil. A partir dessa situação, surgem sintomas como irritabilidade, perda de energia, alteração do sono, entre outros que evidenciam o começo dos distúrbios psicológicos.

O sofrimento causado por uma decisão precipitada, a cobrança  dos pais, da sociedade e, principalmente, do próprio estudante, não deve ser levado adiante até tornar-se um peso. A busca por ajuda médica e o simples diálogo com pessoas do seu ciclo de amizade, são passos essenciais para tentar amenizar o problema. Roberta relatou que faz terapias duas vezes por semana e tem o auxílio de remédios florais. Além disso, ela coloca uma lição crucial para enfrentar momentos difíceis:

“O importante é pelo menos tentar viver um dia de cada vez, porque cada dia é uma batalha diferente”.

[/read]

3 Comentários

  1. 1 ano ago

    Muito bom o texto, parabéns às autoras.

  2. Gabriela Cavani
    1 ano ago

    Me identifiquei muito com o texto. Minha maior dificuldade era conseguir conciliar faculdade e trabalho, e pra isso não conseguia dormir direito, o que me deixava muito estressada.

  3. Jorge Candido S. C. Viana
    10 meses ago

    Meu interesse em matérias ou artigos que possam ser divulgados por este site, sempre serão interessantes. inclusive para aplicação jurídica em diversos campos da área.
    Sempre que me utilizar de uma citação, que eventualmente encontre em artigos publicados, serão citadas a fonte e seu repesctivo autor.