Cadastre-se e tenha acesso a conteúdos exclusivos!
Quero me cadastrar!
Menu & Busca
A Porta Maldita – Um Coletivo que Propaga suas Ideias Por Meio da Música

A Porta Maldita – Um Coletivo que Propaga suas Ideias Por Meio da Música

Na verdade, não é só por meio da música.

O coletivo A Porta Maldita se organiza para realizar eventos gratuitos na Praça General Oliveira Alvares, com a aparelhagem ideal para fazer um som e reunir os amigos.

A fim de conhecer melhor o trabalho, nós trocamos uma ideia com a organização do rolê. Confira:

FALA!: Primeiramente, obrigado pelo tempo de vocês. Desde a criação do projeto até os dias atuais, o que o coletivo de vocês representa? É tipo uma força-tarefa para valorizar bandas independentes?

A.P.M: É uma honra pra gente poder responder as perguntas, bicho!

É bem por aí mesmo, a ideia principal é fortalecer a cena musical independente, principalmente da galera que está querendo viver disso. Tem muita coisa boa rolando não só nas casas de show, saca? Muita coisa nas ruas, nas praças, nos espaços abertos e bastante também ainda dentro dos quartos e garagens… O que a gente busca é dar um apoio pra que esse pessoal possa ser ouvido e crescer junto da cena.

14409422_1796957833917775_4746298646083456804_o
Foto: Mayra Biajante Soeiro.

 

FALA!: O evento agrega todo e qualquer tipo de banda?

A.P.M: Com certeza! No começo éramos mais focados em rock’n’roll mesmo… Mas depois de alguns eventos começamos a incorporar bandas de ska, brasilidades, groove, e hoje temos uma boa variedade de estilos que passaram nos nossos eventos, desde o stoner mais pesadão até o jazz mais suave e virtuoso.

FALA!: Por que esse nome tão delicado – “A Porta Maldita” ?

A.P.M: (Risos) É um lance “histórico”. O rolê mesmo começou nos fundos da casa do Arthur (Amaral), sem pretensão nenhuma, só um monte de louco querendo se juntar pra fazer um som sem compromisso mesmo, dentro de um estudiozinho com um amplificador de guitarra, um de baixo, uma caixa péssima e uma bateria pela metade. O lance é que, até hoje, existe uma pichação de “A Porta Maldita” na entrada do estúdio e, por carinho ao lugar e história, decidimos manter assim.

14500271_1796499543963604_7261541716572313791_o
Foto: Mayra Biajante Soeiro.

 

FALA!: Além da praça, vocês já fizeram o rolê em outros lugares?

A.P.M: Em dois anos de existência já passamos por alguns lugares, sim… Como dito, tudo começou no “estudiozinho” de uma casa, depois migrou para o jardim dessa mesma casa, que aí foi quando começamos a abrir para o público os rolês musicais e a chamar bandas consolidadas para tocarem. Depois disso revitalizamos uma praça na Vila Romana para um evento de carnaval. Já estivemos em uma casa no Butantã em parceria com a Revista Vaidapé, em um teatro no Centro, duas praças pela região da Sumaré e, mais recentemente, fizemos alguns eventos na Casa do Mancha, ali na Vila Madalena. A vontade também era fazer no Estúdio Dinamite, que ficava ali em Sto. Amaro, mas infelizmente não existe mais (risos).

13887070_1772659396347619_3579441015713916053_n
Foto: Mayra Biajante Soeiro.

 

FALA!: Vocês devem conhecer muitas bandas da cena independente, e isso gera um certo tipo de conhecimento, tipo uma experiência empírica desse cenário musical. Analisando todas as bandas que já passaram pela Porta Maldita (que metáfora hein!), o que vocês podem concluir sobre as bandas independentes de São Paulo (ou de outras cidades também, que já passaram pelo projeto) ?

A.P.M: (Risos) Tá vendo, a intenção do nome é justamente essa!

Bicho, São Paulo e arredores (especialmente Guarulhos, amor total) têm uma cena gigantesca e muito desconhecida, com muita gente que está na correria pesada mesmo e não brinca em serviço. Acho que a lição que todos nós aprendemos ao longo disso é que o negócio só vai virar se todo mundo se juntar mesmo, essa é a real. Ninguém faz nada sozinho, por mais recursos que você tenha não é tão gratificante nem prazeroso, entende? A cena tem que ser construída por todos que estão envolvidos nela, é criar esse “antissistema” pra dar luz e espaço pra um novo tipo de sistema, um tipo de zona autônoma que só pode ser concretizada com o trabalho em conjunto de todos que pretendem, um dia, viver dentro dela.

13903150_1772660303014195_1181616686513373410_n
Foto: Mayra Biajante Soeiro.

 

FALA!: Vocês têm um dia marcante da Porta Maldita, durante toda a trajetória desse trabalho? Algum dia que foi muito além das expectativas?

A.P.M: Nossa, todo evento é um dia marcante, né? (Risos)

Mas o nosso evento do carnaval foi bem sinistro: fizemos apresentações com um cordão de carnaval, o Cordão Cheiroso, um grupo de música balcânica, Tutti Amici, e uma big band de música jamaicana, a LaMota. Pintamos e revitalizamos a praça (ao custo de muita picada de mosquito na hora de cortar a grama), montamos um palquinho e um barzinho lindos, reunimos muita gente que morava em volta, jovens, crianças, adultos, idosos, cães, gatos e tudo que você pode imaginar, enfim, foi lindo! A parte marcante, porém, foi depois do evento quando abrimos espaço para as nossas famosas jam sessions e, dois minutos depois de encerrarmos, caiu um toró sinistro, tivemos que correr muito em cima do barro e debaixo de chuva pra salvar os nossos equipamentos (e depois secar tudo, cabo por cabo, pra não dar um prejuízo gigante). O último que foi dia 24 agora também foi bem marcante, tivemos o maior público da nossa história e apesar da reclamação de um morador e da polícia baixando, deu tudo certo no final.

FALA!: Então já aproveita e conta um pouco deste último evento de vocês, que aconteceu no dia 24/09 ?

A.P.M: Este evento foi ideia das minas zicas do baile que trampam com a gente, a Aninha (Malta) e a Carol (Gobatto), que sentiram a carência de bandas femininas nos nossos rolês, o que é uma grande verdade não apenas nos eventos realizados pela Porta, mas no cenário musical num geral – que desde sempre é bem machista e exclusivo com as minas. É muito mais fácil você encontrar uma mulher cantando ou tocando um instrumento do tipo violino, violãozinho e tal, enquanto é muito raro encontrar uma mina baterista, trompetista ou baixista, e isso não significa que elas não tenham “aptidão” pra tocar estes instrumentos, é justamente a falta de incentivo do próprio cenário musical, saca? É muito exclusivo. Visto isso, buscamos fazer um rolê em que o protagonismo seja mesmo das minas, tanto no palco quanto na produção, na realização, tivemos exposições de trampos maravilhosos da Lola Ramos e da Bruna Araújo, justamente pra quebrar esse preconceito de que “mulher não sabe tocar” / “mulher não consegue fazer X”, o que é uma idiotice completa. E vai ter edição dois em breve, hein! Fiquem ligadinhos.

14468346_1796947040585521_4563422229825129858_o
Foto: Mayra Biajante Soeiro.

 

FALA!: Dando uma olhada no Facebook, dá pra sacar que vocês também produzem vídeos das performances das bandas. Quando surgiu essa ideia? Vocês fazem isso desde a primeira edição do rolê?

A.P.M: Sim, com certeza. A ideia por trás d’A Porta é mais do que dar o espaço da apresentação para a banda e de proporcionar show ao público, é justamente fornecer o material para as bandas poderem se alavancar por si próprias e dar a oportunidade para aquela pessoa que assiste os nossos vídeos no YouTube, de poder chegar na praça e ver uma ótima banda ao vivo, dançar, tomar uma gelada e ainda poder ver o vídeo depois e dizer “eu fiz parte, eu estava ali”. Porque, como dito, a cena tem que ser construída em conjunto, e o público é parte totalmente integrante deste conjunto.

FALA!: Existe uma banda por trás da Porta Maldita?

A.P.M: Existe a banda do Arthur (Amaral) com o Lucas (Valotto), que é a “UmQuarto”, stonerzão pesadão com muito riff, e a do Caio (Lopes), que é a “Largato!?”, um trio que faz um jazz experimental misturando umas brasilidades aí. Podem procurar que vale a pena hein #momentomerchan.

Mas A Porta Maldita, em si, não é uma banda.

FALA!: Como vocês conseguem se manter financeiramente? É apenas pela venda de breja e comidinhas no dia que tem evento?

A.P.M: Precisamente! Somos totalmente independentes, não temos apoio de entidade privada nenhuma ou de edital algum (não significa que não estejamos interessados, alô investidores) então todos os custos com transporte, equipamento, manutenção e tal são mantidos com a venda das comidinhas e bebidinhas na praça – ou do nosso bolso mesmo.

FALA!: O que vocês acham que é mais difícil de encontrar nos dias de hoje – uma banda que toque bem ao vivo, ou uma banda com um bom som gravado?

A.P.M: Hmm difícil responder… Tem muita banda por aí que tem um som gravado sinistro e que ao vivo não manda tão bem, já passamos por isso algumas vezes inclusive. Da mesma forma, existem bandas que são simplesmente sensacionais ao vivo e não possuem material nenhum pra divulgação, para estas, principalmente, que a nossa produção audiovisual do rolê mais se volta, pra poder fornecer um material de qualidade em áudio e vídeo e a banda poder se mostrar pro mundão.

13886335_1772660343014191_3649706782328269619_n
Foto: Mayra Biajante Soeiro.

 

FALA!: E o que vem pela frente? Quais são os próximos passos da Porta Maldita?

A.P.M: Estamos com algumas ideias para o ano que vem, ideias de expansão na verdade. Queremos deixar o rolê mais abrangente, ir para outros lugares, outras cidades (quem sabe até outros Estados?) e tentar colocar bandas em casas de show, bares, teatros, enfim… Fortalecer a rapaziada de todas as formas possíveis pra fomentar a cena cada vez mais e fazer a galera perceber que tem muita coisa boa e desconhecida por aí, e tornar isso cada vez mais acessível.

Quanto mais cultura na cidade, melhor! E lembrar sempre que “a indústria precisa da música, mas a música não precisa da indústria” (créditos ao Mancha por esta frase célebre).

13903250_1772659329680959_7612234648990742117_n
Foto: Mayra Biajante Soeiro.

 

O próximo evento do coletivo acontece no dia 08/10:

14445216_1798481140432111_3686998396331915266_o

Por: Marcelo Gasperin – Fala! Universidades

0 Comentários

Tags mais acessadas