A pandemia e a procura por cursos on-line no Brasil
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A pandemia e a procura por cursos on-line no Brasil

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Levantamento do Google mostra aumento de 130% na busca por cursos a distância

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A pandemia e a procura por cursos on-line no Brasil. | Foto: Unsplash.

De uma hora pra outra, tudo mudou. Desde março de 2020, início da quarentena em estados do Brasil, o home office ganhou força, assim como o ensino a distância. Por outro lado, muita gente perdeu o emprego. De acordo com o IBGE, entre abril e junho, 8,9 milhões de pessoas ficaram desempregadas. 

E com mais horas em casa foi preciso arrumar um jeito de se adaptar ao momento. Seja pela preocupação em não ficar desatualizado ou ocupar o tempo ocioso, a busca por aprendizado nunca foi tão disputada. Assim, os cursos on-line (gratuitos ou pagos) ganharam espaço significativo na vida de boa parte dos brasileiros. 

Plataformas EAD

UP Cursos Grátis, com cerca de 2 mil cursos on-line gratuitos, em mais de 50 áreas, viu na pandemia uma oportunidade de aperfeiçoar seus serviços. A empresa investiu na qualidade dos materiais, na velocidade e na facilidade de navegação pelo site. 

Segundo a Udemy (líder do mercado de cursos a distância), as matrículas na plataforma aumentaram em 95% no Brasil e no mundo, 425%. Lembrando que a Udemy funciona um pouco diferente de outras instituições de ensino. Assim como os alunos, os instrutores precisam se cadastrar no site e disponibilizar as videoaulas do tema de interesse. 

Ou seja, qualquer um pode compartilhar o que sabe e atuar como um professor (instrutor) na plataforma. Desde o início do ano, foram criados novos cursos (cerca de 55% a mais) no site. Isso dá uma ideia da quantidade de profissionais que tentam conviver com o novo normal, fugindo do desemprego e buscando conhecimento. E as razões por trás do crescimento dessa busca são diversas.

Procura por cursos on-line: pesquisa na Internet

Em uma pesquisa on-line, realizada por mim, com ajuda de formulários, foi possível enxergar melhor este cenário. Quase 80% (38) do total de 48 entrevistados (de 18 a 50 anos) fizeram pelo menos um curso on-line nesta pandemia; 3 fizeram mais de 10 ou perderam as contas. 

A maioria (33%) recorreu aos cursos on-line para aprofundar noções acadêmicas. Enquanto isso, o objetivo de outro grupo de entrevistados era especialização profissional ou curiosidade, como a coordenadora pedagógica Cláudia: 

Embora eu prefira fazer atualizações em cursos presenciais, nesse período, impedida pela pandemia, eu fiz três cursos remotos: dois sobre o ensino híbrido, promovido pela plataforma de ensino Ari de Sá e um promovido pela Anvisa sobre os protocolos de segurança para a retomada das aulas presenciais. Os cursos foram bem importantes nesse período e me ajudaram bastante na vida profissional diante das dificuldades desse momento.

Além disso, das 48 pessoas, 27 optaram pela modalidade gratuita. Também foi perguntado quais recursos tecnológicos (entre Internet, celular, computador e tablet) o entrevistado tinha em casa. Somente 18 tinham acesso a todas essas plataformas. Além disso, os nichos mais procurados pelo público foram jornalismo, marketing e idiomas.

Mas há quem prefira ocupar o tempo de outra forma. Dez pessoas não realizaram nenhum curso nesta quarentena. É o caso da universitária Yasmin:

Eu não fiz nenhum curso nessa pandemia. Mas acho os cursos, principalmente on-line gratuitos, uma mão na roda para quem tem um tempinho livre que antes usava na condução indo para o trabalho, faculdade. Não fiz por uma questão de preferência. Prefiro estudar pelos livros, palestras.

Colocou Yasmin.

Cursos on-line: há espaço para pessoas com limitações?

Dos 48 entrevistados, somente 2 conheciam uma pessoa com alguma limitação intelectual ou física que tenha realizado um curso on-line na quarentena. De fato, se já é difícil encontrar instituições presenciais acessíveis a essas pessoas, imagina no ambiente on-line? É raro, mas existe. 

Um exemplo é o Instituto “Me Viro”, que oferece curso de marcenaria e eletrônica, a distância, para deficientes visuais. Na verdade, a iniciativa começou presencialmente, em Brasília. Mas, com o isolamento social, foi preciso continuar remotamente. 

Embora escolhidos por muitas pessoas, os cursos livres on-line ainda encontram barreiras. Na pesquisa, vimos que a falta de recursos financeiros e a dificuldade de adaptação ao modelo são alguns obstáculos. E em uma pandemia, as condições emocionais também pesam na hora de decidir iniciar um curso pela Internet. 

Então, mesmo que você olhe ao redor e tenha a sensação de que o mundo todo está fazendo cursos e mais cursos, e você ficando para trás, não se sinta pressionado. Lembre-se: sua saúde mental deve vir em primeiro lugar. Sempre. Principalmente em um período delicado de pandemia. 

Acho bacana, mas não é essencial. Essencial é saúde. Não se deve pressionar um modo ideal de viver a pandemia. Não é sobre correr contra o tempo e ‘trabalhar enquanto eles dormem’, porque, neste caso, é ainda pior: trabalhar enquanto eles adoecem, morrem… É muito delicado. Creio que um acompanhamento psicológico, em [uma] pandemia, é muito mais importante.

Destacou uma das entrevistadas da pesquisa.

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Por Ana Paula Jaume – Fala! UFRJ

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