A liberdade do crespo no livro 'Americanah', de Chimamanda Ngozi
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A liberdade do crespo no livro ‘Americanah’, de Chimamanda Ngozi

A liberdade do crespo no livro ‘Americanah’, de Chimamanda Ngozi

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O livro Americanah, de Chimamanda Ngozi, conta a história de Ifemelu, uma mulher que saiu da Nigéria e foi para os Estados Unidos para estudar, deixando sua família, amigos e seu namorado. Essa obra aborda muitos assuntos importantes, entre eles está a transição capilar. A transição é uma etapa difícil, mas extremamente gratificante, de autoconhecimento.

Chimamanda Ngozi
Livro Americanah, de Chimamanda Ngozi. | Foto: Reprodução.

Chimamanda Ngozi e importância do livro Americanah

A transição capilar de Ifemelu começa quando, depois de muito tempo morando nos Estados Unidos, seu namorado Curtis, um homem branco, ajuda ela a conseguir um emprego. Para passar pela entrevista de emprego, Ifemelu decide alisar o seu cabelo. Quem já alisou o cabelo, sabe que pode ser um processo difícil e doloroso, principalmente para as pessoas que têm o cabelo crespo, que não alisa fácil. Para Ifemelu não foi diferente, ela não se reconheceu com aquele cabelo, quando Curtis perguntou o porquê de ela ter feito aquilo, ela explicou que precisava parecer profissional, ou seja, liso ou “encaracolado de gente branca”.

A maioria das mulheres pretas alisa ou já alisou seus cabelos, a sociedade as ensina que seus cabelos não são bonitos, não sendo raro que pessoas achem seus cabelos sujos. Para algumas delas, ter o cabelo alisado significa serem aceitas e terem o mínimo de beleza. Existem meninas que sempre alisaram o cabelo e não sabem como é o seu cabelo natural.

Durante o tempo alisadas, as meninas fazem o impossível para que, em todas as situações, ele esteja bonito e apresentável, muitas vezes até se privando de algumas atividades, como correr e nadar. É muito comum esse cabelo começar a cair ou quebrar. Quando o cabelo de Ifemelu começou a cair ela foi até uma amiga, chamada Wambui, que disse para ela deixar seus cabelos naturais, pois ficar com eles alisados era como uma prisão. Então, Ifemelu cortou o cabelo bem curtinho, mas não gostou, achou que estava parecendo um menino, considerou esconder seu cabelo com perucas.

Curtis não conseguia entender o fato de ela estar tão nervosa. Ela faltou três dias no trabalho e, quando foi, as pessoas ficaram olhando. Ifemelu se sentiu muito melhor quando achou um site com mulheres negras de cabelo curto, que também davam dicas sobre como cuidar dos cabelos crespos. É muito difícil se ver com o cabelo crespo, porque é preciso desconstruir o que a sociedade construiu na mente de mulheres pretas, a imagem da mulher com cabelos longos é muito forte.

Ainda temos pouca representatividade negra, que é muito importante no processo de aceitação. Além de ser importante que pessoas negras sejam vistas, também é importante que elas sejam vistas com o seu cabelo natural, não só o enrolado, mas também o 4C, que são cabelos crespos que não formam cachos.

Mulheres negras com cabelo 4C se frustram mais quando descobrem que seu cabelo não é enrolado e sofrem mais preconceito. Ifemelu tem um blog, em um dos seus textos, ela fala sobre o fato da Michelle Obama e Beyoncé não usarem seus cabelos naturais e sobre como o Obama poderia perder votos caso a Michelle Obama aparecesse com seu cabelo natural. Ela critica programas que colocam o cabelo natural como feio, representando o antes e o cabelo liso como bonito, sendo o depois.

O livro Americanah é cheio de representatividade negra e aborda diversas pautas importantes, como a transição capilar, um assunto delicado, difícil e, no final, gratificante para diversas mulheres. Quanto mais representatividade, mais as mulheres podem ser inspiradas a passar pela transição e passarem pelo processo de autoconhecimento.

Fora a transição, esse livro também aborda assuntos como relacionamentos inter-raciais, como é ser um negro não-americano nos Estados Unidos e tem um romance lindo entre duas pessoas pretas, sendo uma leitura satisfatória e importante.

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Por Ana Beatriz Carvalho da Silva – Fala! Anhembi

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