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A história se repete: frases racistas foram pichadas dentro da universidade

A história se repete: frases racistas foram pichadas dentro da universidade

Ontem se espalhou pelas redes sociais mais uma mensagem totalmente negativa, primária e sem fundamento, pichada dentro de um banheiro masculino do Mackenzie.

O aluno devia estar em seu mais puro momento de reflexão, fazendo suas necessidades básicas, quando resolveu expressar o que se passava pela sua cabeça naquele instante. Infelizmente, o que saiu foi isso:

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É. Com certeza ele nem sabe muito bem o que escreveu. E esse é justamente o problema.

Da última vez que aconteceu algo do tipo, nós soltamos uma matéria aqui no portal (clique AQUI para conferir a matéria). Como a história se repetiu, também vamos repetir e colocar a opinião do aluno em pauta. Conversamos com a estudante de Direito do próprio Mackenzie, Natália Lourenço, que inclusive faz parte do coletivo AfroMackpara expor a opinião dela. Confira:

01) Como participante de um coletivo que combate diretamente o racismo, você acha que estamos em regresso ou em progresso em relação a questão do preconceito racial dentro das universidades?

 

02) Você acredita que o Mackenzie é uma universidade mais vulnerável para esse tipo de comportamento por ser uma universidade privada?

 

03) Na sua opinião, qual é a principal causa desse tipo de comportamento?

 

04) Você acha que falta discussão e debate sobre questões raciais, étnicas e culturais dentro das universidades?

 

O coletivo AfroMack divulgou há pouco em sua página do Facebook uma carta de repúdio após o acontecido:

COLETIVO DE NEGRAS E NEGROS AFROMACK

Nota de Repúdio

Os integrantes do Coletivo Negro da Universidade Presbiteriana Mackenzie manifestamos nossa indignação ao ato de cunho racista assistido no dia 6 de outubro de 2015.

Em sua própria discrição histórica, a Universidade Mackenzie faz alusão da premissa de ter sido uma das pioneiras na recepção de alunas e alunos de origem negra dentre seus discentes, contudo o que observa-se nos dias atuais é que apesar dessa premissa o espaço universitário dessa ainda abarca um forte sentimento excludente étnico-social.

Mais precisamente ontem dia 6 de outubro desse presente ano, um aluno que utilizava uns dos banheiros do prédio 3, que abriga os últimos níveis de graduação do curso de Direito, se deparou com os seguintes dizeres em uma parede “ Lugar de negro não é no Mackenzie, é no presídio”, sendo esse o segundo ato racista, visto que o primeiro desse formato ocorreu em agosto em um banheiro de um complexo de restaurantes intensamente frequentado por mackenzistas.
Em uma sociedade onde a população negra encabeça estatísticas alarmantes como que 77% dos 30.000 dos jovens assassinados por ano Brasil, são negros (fonte: anistia internacional), a mulher negra é a mais atingida pelo desemprego (12%), e a renda dos negros é 40% inferior que a das pessoas de fenótipo brancos (fonte: revista exame) e em São Paulo onde ocorreu o fato, a maioria (38%) da população de moradores de rua é negra (fonte: Censo/SP), entende-se que as palavras descritas em banheiros nada mais é que um reflexo do pensamento elitista e opressor da sociedade.

Dentro da nossa Universidade encontramos inúmeros casos de discursos pró divisão racial, violência verbal e até coação de pessoas por causa da cor de sua pele, fatos observados com uma certa frequência. Esse fatores por consequência acabam limitando os espaços, os quais deveriam ser ocupados por pessoas de origem negra dentro do campus, sejam esses espaços discentes, docentes ou mesmo empregatícios. Essas pessoas possuem legitimidade para estar inseridas no ambiente acadêmico mackenzista.

Tendo como foco essa questão podemos pontuar a pouca presença de pessoas de origem negra nessa instituição, mesmo que as mesmas estejam dignamente trabalhando em serviços terceirizados, os quais infelizmente são, em sua maioria, serviços de limpeza ou construção civil. Não estamos aqui desprivilegiando essa classe, pelo contrário, a Ela prestamos todo o nosso respeito e agradecimento. Entretanto, não podemos deixar velado o fato do Corpo Docente da Universidade praticamente não possuir professoras ou professores de origem Afrodescendentes, em quaisquer dos cursos oferecidos, o que sentencia a representabilidade negra.

Com a Lei 12.288 de 2012, o Estado passou a protelar à população negra a garantia da efetivação de igualdade de oportunidades, a defesa dos direitos étnicos individuais, coletivos e difusos, o combate à discriminação e às demais formas de intolerância étnica, o mecanismo mais utilizado para esse fim foi a criação das Ações Afirmativas. De acordo com o Ministério da Educação, no ano de 2013 a porcentagem de cotistas negros nas universidades chegou a 17,25%, sendo que em 2014 obteve um aumentou que chegou a 21,51%, mesmo com o crescente dado quantitativo, observamos que esse não se configura em uma mudança na mentalidade cultural da sociedade.

O dado descrito acima torna-se notório para evidenciar uma busca pela reparação da exclusão e dos abusos direcionados à um grupo étnico específico. Porém, a entrada de pessoas negras em espaços universitários não traduziu-se em mudanças nas estruturas sociais, culturais e principalmente nas relações de poder. Em detrimento dessa última, podemos pontuar que as ações afirmativas são apreendidas por uma parte da sociedade como algo a ser temido ou mesmo criticado de forma pejorativa. Visto que, a inclusão de pessoas historicamente excluídas nos campos do conhecimento abre margem para a conscientização dos indivíduos como grupo, não que esses tenham por si escolhido um “lado”, pelo contrário, a sociedade escolheu previamente antes de seu nascimento.

Assim compreendemos que o ato racista ocorrido dentro do campus de Higienópolis da Universidade Presbiteriana Mackenzie deve ser ferozmente combatido por todas as esferas que compõem a estrutura acadêmica. E nós como Coletivo Afromack, formado por alunas e alunos afrodescendente de cursos distintos dessa instituição, não ficaremos passivos e omissos frente a qualquer demonstração publica ou velada de opressão ligada ao nosso fenótipo ancestral.

Dessa maneira exigimos que a Reitoria da Universidade Presbiteriana Mackenzie e o Instituto Presbiteriano se posicionem contra esses fatos e tomem atitudes concretas para que o racismo que existe dentro do campus seja combatido. Seja com o posicionamento, contratando mais professoras negras e professores negros, com debates acerca do racismo, com cotas raciais no vestibular e principalmente com a responsabilização de pessoas que propagam o pensamento racista.

Atenciosamente.

COLETIVO AFROMACK.

Esperamos que depois de tanta discussão, de tanto esclarecimento e de tanta frustração, esse comportamento seja cada vez menos frequente e, se possível, que nunca mais aconteça.

Por: Marcelo Gasperin – Fala!M.A.C.K

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