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A Favela Ainda é Senzala

A Favela Ainda é Senzala

Aposto que depois do play neste clipe do Emicida, você deve ter achado irado, e compartilhado em suas redes sociais. Realmente este clipe é irado e merece ser compartilhado. Mas o xis da questão é outro, e este texto vem convidar você, “apoiador do movimento”, a perceber a hipocrisia de curtir e compartilhar algo que na realidade você não pratica.
Vamos lá.
Você é o cara (ou a mina) que compartilha este vídeo nas redes sociais, mas nunca pisou na favela e atravessa a rua quando vê um negro se aproximando. Você mora em um prédio luxuoso e sai da garagem de manhã sem dar bom dia pro porteiro, porque se diz atrasado. Você que se diz amigo da empregada, mas paga a mais para ela não tirar férias.

“Vamo acordá! Vamo acordá! É a selva de pedra, eles matam os humilde demais…” (talvez você não entenda porque “conhece” Emicida, mas nunca ouviu bem os Racionais).
Não diga que se identifica com o rap, só porque você sai as terças-feiras para ouví-lo, gasta metade de um salário mínimo (apesar de não saber o valor atual dele) e aprendeu a cantar meia dúzia de refrões atuais. Não vem com essa de lista vip, camarote e discurso sobre racismo pra cima do seu avô. Você ainda é igual a ele. Só se diferencia pelo vocabulário e os cabelos brancos.
Esse texto não é para criticar você, mas pra convidá-lo a pensar, e viver mais de atitudes e menos de palavras.

Aprenda a ver a beleza negra, e não se prenda apenas a procurar a beleza em negros que têm narizes finos e traços de brancos, como a Naomi Campbell ou a Camila Pitanga. Pague um salário mais justo para os funcionários da sua casa e da empresa do seu pai (sejam eles negros ou não). E por fim, acostume-se com a ideia de que ainda vivemos em uma sociedade que está longe de ser fraternal e igualitária. O brasil pede mudança. Com pequenas e grandes atitudes, e não só com posts, likes e hashtags.

Se você realmente quer entender melhor o rap, o que acha de começar por aqui?

 

Por: Pedro Alcantara

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