A faixa etária da literatura
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A faixa etária da literatura

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Todos podem e devem apreciar a literatura: desde crianças até idosos. Mas será que livros devem ter classificações indicativas? Certos livros são mais adequados para faixas etárias e outros devem ser mais “evitados”? Existem livros considerados como leituras “válidas” e outros “descartáveis”? 

Não é novidade para ninguém que a taxa de leitura no Brasil é triste e até mesmo assustadora. Segundo a última edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, feita pelo Instituto Pró-Livro, o brasileiro lê, em média, 2,43 livros por ano.

Ler de fato não é uma atividade simples. Requer gosto pela leitura (que claramente não é incentivado no país), atenção e até mesmo disciplina. Mas mesmo considerando esses fatos é de partir o coração que a maioria dos brasileiros não lê nem 5 livros por ano. 

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Literatura e a questão da faixa etária. | Foto: Revista Bula.

A literatura tem idade certa?

O mundo vive uma época de caos, isso não é novidade para ninguém. E também é óbvio, para todo brasileiro, que vivemos em uma situação ainda mais complicada. Considerando isso, a leitura poderia ser um lugar de refúgio para muitas pessoas, pois ela diverte, emociona, conforta e até mesmo incentiva a empatia (algo que todos devem concordar que seria de grande ajuda uma dose extra a mais aqui e ali), mas não é nem considerada como opção, porque nunca foi incentivada para grande parte dos brasileiros. E, além de tudo, ainda há quem diga que certos livros não são leituras válidas para pessoas mais velhas, como livros infanto-juvenis.

Livros infantojuvenis nem sempre são, necessariamente, infantis demais. Toda leitura pode ser uma grande fonte de conhecimento, mesmo que seja considerada “fútil” para outras pessoas, basta saber observar. Livros como Harry Potter, de J. K. Rowling, e Percy Jackson, do escritor Rick Riordan, por vezes, são considerados infantilizados demais para pessoas mais velhas lerem, mas, ao mesmo tempo, foram responsáveis pelo começo da jornada de vários leitores, juntamente a vários outros livros do mesmo gênero, por serem mais fáceis de ler, geralmente com uma leitura mais fluida e divertida. E num país com uma taxa de leitura tão baixa como o Brasil, qualquer incentivo à literatura deve ser enaltecido. 

Por outro lado, deve-se ter atenção quanto às leituras de crianças. É claro, o hábito da leitura deve ser incentivado para crianças e jovens, quanto mais cedo melhor. Mas, enquanto um leitor mais velho pode começar com livros infantojuvenis e ir progredindo para livros mais adultos (ou pode apenas permanecer no mesmo gênero se quiser e nunca deve ser julgado por isso), a leitura de livros mais adultos para crianças pode ser um perigo.

Livros com a escrita mais densa e até mesmo com assuntos e cenas mais delicados, como de violência, abusos, estupros, entre outros, estão presentes em diversos livros que, entre os raros jovens leitores no país, podem servir de desestímulo à leitura, e até mesmo de gatilho para ansiedade e crises de pânico.

Por isso, a classificação indicativa deve estar presente em livros, além de avisos de gatilhos para leituras mais delicadas, e deve ter a atenção dos responsáveis de jovens leitores e dos próprios leitores, jovens ou não. No entanto, não devem servir como desencorajamento a leitores mais velhos que desejam ler qualquer livro considerado “infantil demais”.

Não se deve limitar a literatura para ninguém, e sim aconselhar e recomendar. A literatura é um universo amplo demais para se colocar limite. A classificação etária na literatura é, na verdade, o leitor quem faz, sempre com uma dose de cuidado ao lado. 

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Por Michely Loures – Fala! UFG

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