A cultura coreana empregada na sociedade brasileira
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A cultura coreana empregada na sociedade brasileira

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A cultura asiática, até pouco tempo atrás, era conhecida e diminuída pelos seus produtos, os quais, de certa forma, ainda não o conhecemos direito, por falta de estudo e aprofundamento sobre sua capacidade na transformação do mercado. Desde o ano de 2011, o Hallyu, a famosa “onda coreana”, se intensificou no Brasil, principalmente através do sucesso, em 2012, Gangnam Style, lançado pelo cantor PSY.

Surgindo como uma forma de aumentar a economia da Coreia do Sul após a Guerra Fria, em que tropas americanas e das Nações Unidas deixaram um pouco da sua cultura ao invadirem o país, o k-pop utilizou esses “resíduos” a seu favor de forma que fizesse parte da sua cultura, onde partes das letras das músicas são em inglês, facilitando na “globalização” do gênero musical.

cultura coreana
A cultura coreana na sociedade brasileira. | Foto: Reprodução.

Cultura coreana

O k-pop, sucesso no exterior, apesar da semelhança com o MPB brasileiro, tendo destaque internacional da Coreia do Sul, é influenciado, não apenas pelo pop, mas também por vários outros estilos, como o rap, hip hop, R&B, música eletrônica, rock e reggaeton, atraindo os olhares do público, o fazendo se interessar pelo gênero musical.

Contando com as mídias sociais, consideradas um “instrumento fundamental para a indústria da música coreana”, para fazer divulgações sobre os grupos formados por idols e, assim, atingir um público maior, além de ajudar nas aparições em paradas ocidentais de música, como a revista Billboard que elege os sucessos musicais da semana.

Grupos de k-pop são uma grande referência no estilo de vida, como no quesito alimentação e o modo de se vestir, trazendo hábitos da cultura. BTS, Twice e Blackpink são alguns dos maiores grupos conhecidos mundialmente que tratam em suas músicas sobre assuntos importantes, como a baixa autoestima e a depressão, além de incentivarem seus fãs a nunca desistirem de seus sonhos, mesmo tendo algum tipo de dificuldade.

Os MV’s, videoclipes, em geral, trabalham a interação com seu público, não só a imagem do idol, que são atraídos pelas coreografias e a alta qualidade dos vídeos. Dessa forma, por conta da grande produção por trás de todo o trabalho, os fãs consideram os álbuns verdadeiras obras de arte.

O crescimento da indústria cinematográfica coreana também está envolvida com o Hallyu, um exemplo é como o filme Parasita tomou as telas da televisão, celulares e computadores de vários amantes de filmes. A dramaturgia asiática, conhecida como k-drama ou dorama, a qual traz parte da realidade local, retrata, em suas narrativas, costumes diferentes, se dispersando das atrações ocidentais. Homens sendo representados como carinhosos, românticos e sensíveis, tirando a atenção da masculinidade tóxica das novelas brasileiras, se dispersando do machismo e intolerância à homossexualidade, mostrando uma distinção de gênero menor que a do ocidente, já que homens, na Coreia do Sul, têm o costume de cuidar mais da aparência.

Tendo uma maior repercussão em países da Ásia, como o Japão e China, no início, mas com a evolução das plataformas de mídias on-line, como o YouTube, os doramas foram ganhando cada vez mais espaço na Internet, se tornando um fenômeno global. A estrutura dos k-dramas é diferente das novelas brasileiras, contendo entre 16 a 100 episódios, sendo as maiores emissoras KBS, SBS, MCB e TVN, com temáticas variadas (familiares, médicos, históricos, criminais, escolares, comédia ou de fantasias), conseguindo um alcance maior e com público diversificado.

O sucesso dos doramas é tanto que está começando a invadir a literatura, ganhando o nome de “dorama literário”, autoras brasileiras estão se inspirando em seus roteiros para escreverem livros, que, diferente do ocidente, trabalham em formas de deixar o telespectador intrigado com a história da trama, mas, apesar de ter vários livros sobre o mundo pop coreano, a maioria aborda temas sobre o k-pop ao invés do estilo k-drama, como se fosse uma espécie de manual do k-pop.

Graças aos fãs, os dramas coreanos conquistaram espaço no ocidente, tendo ajuda de plataformas on-line, como Viki e Netflix, que, conforme a evolução da tecnologia, em alguns países, começou a aparecer fansubbers, onde pessoas voluntariadas traduzem e legendam as séries vindas do oriente. Por conta do grande sucesso no exterior, as produtoras da televisão sul-coreana começaram a mesclar os enredos coreanos com alguns aspectos ocidentais, despertando a curiosidade em seus telespectadores, referente à Coreia do Sul e aos dramas.

Apesar de ainda existir preconceito por parte dos brasileiros em relação à cultura asiática, o fato dessa cultura estar crescendo no Brasil está modificando concepções sobre sua importância na história do Brasil. O Centro Cultural Coreano Brasileiro (CCCB) além de apoiar eventos menores e shows, promove aulas de dança e culinária, mais concursos de k-pop. Assim como, para quem tem interesse, a embaixada coreana oferece aulas, em que a cada ano, grupos de fãs executam eventos e competições, nos diversos estados brasileiros, para mostrarem os melhores no k-pop.

Nam Chanwoo, diretor da divisão da cultura popular do Ministério da Cultura, Esporte e Turismo, diz, que, para a Coreia, o aumento entre os laços culturais com o Brasil é de grande importância, já que o mesmo carrega uma enorme tradição em músicas e artes populares. Já o Kim Il Hwan, diretor geral do Serviço de Cultura e de Informação da Coreia, fala sobre o desejo do governo coreano de expandir os valores culturais coreanos em outras cidades do Brasil, não apenas em São Paulo, onde mora a maior parte dos coreanos que optaram por morar no país.

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Por Sabryna Grechi – Fala! ESPM

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