'A Arte de Viver' - análise sobre o novo álbum de Toquinho
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‘A Arte de Viver’ – análise sobre o novo álbum de Toquinho

‘A Arte de Viver’ – análise sobre o novo álbum de Toquinho

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Olhando para a janela do futuro e cercado de seu passado. É assim que Toquinho nos recebe na capa de seu mais novo álbum, A Arte de Viver. É a primeira produção a trazer músicas inéditas do compositor desde 2011.

A mensagem do disco faz jus ao título: sem abandonar a pegada poética e filosófica característica antiga de suas composições, ele demonstra como a vida é indecifrável nas suas mais variadas questões, o aprendizado que devemos tirar das paixões, das perdas, dos amores, dos medos. E, como em composições clássicas, Toquinho volta ao tema da vida menos agitada, levada menos a sério –  ”quem segue a estrada sem parar para entender, aprende a arte de viver”, conta ele num dos versos de A Arte de Viver.

Toquinho
Toquinho lança novo álbum depois de anos. | Foto: Reprodução.

A Arte de Viver: novo álbum de Toquinho

Com produção de Rafael Ramos e lançamento da gravadora Deck, o disco chegou às plataformas digitais na última sexta-feira (6) e, apesar de também veicular a versão física em CD, Toquinho se diz muito feliz com a experiência nova de ter um lançamento de disco a partir das plataformas e lojas virtuais.

Embora admita a preferência aos métodos e ferramentas tradicionais, o músico aderiu com veemência ao mundo das redes durante a pandemia – criou uma conta no Instagram, fez diversas lives e passou a interagir com os fãs por meio de novos canais. A quarentena também definiu a composição das músicas: Toquinho enviava as melodias e harmonias, isto é, a parte instrumental, para o poeta e amigo Paulo César Pinheiro, que fazia a letra. A dupla assina as onze canções e, dentre elas, destaco quatro:

A participação especial de Maria Rita em Papo Final, a primeira música a ser disponibilizada nas plataformas digitais e que também possui um clipe no YouTube. É a história daquele amor que foi desfeito: para ela, cansada de sofrer, acabou. Já ele, não perde a esperança de voltar atrás e corrigir seus erros. ”Foi uma lição para nosso coração”, apela.

A faixa seguinte conta com a virtuosidade do bandolinista Hamilton de Holanda, com lindos solos ao longo da canção. Amor Pequeno é quase que uma valsa sendo guiada pela a voz suave e a viola cadenciada de Toquinho.

Camila Faustino, considerada uma das vozes mais bonitas da MPB na atualidade, faz o dueto em duas outras músicas. A goiana já vinha de outras parcerias e projetos com Toquinho, participando inclusive de algumas lives pelo YouTube. Em a Roda da Sorte, Camila inicia os primeiros versos falando sobre a passagem da vida e do tempo com sua voz suave e leve. Na metade da música, ela e Toquinho entram em uníssono acompanhados do violão melódico e calmo. Na minha opinião, a melhor música do disco, além da linda combinação de letra e vozes, ressalta a levada do violão de Toquinho, em segundo plano em outras músicas.

Além desta, em Rainha e Rei, a dupla volta a cantar junto. Nas duas músicas que Camila participa percebe-se essa opção por algo mais tranquilo, que, de certa forma, acompanha a suavidade vocal da cantora. Ao ouvir Rainha e Rei, lembrei-me imediatamente de Senhorinha, do mestre Guinga, não só pelo dedilhado melódico do violão mas pelo tema –  idealização de amor – e por conta da escolha das palavras, com valorização do diminutivo -inha. Modinha, Sinhazinha e Andorinha são palavras que aparecem em ambas as músicas. Coincidência?

A canção de Guinga é dedicada a uma das filhas que passou por uma situação bem grave de saúde, mas que, após passar um tempo numa fazenda, ela conseguiu se recuperar rapidamente. E contando essa história para Paulo César Pinheiro – o letrista das canções de A Arte de Viver –  que Senhorinha nasceu. Então, é bem possível que as semelhanças não sejam meras coincidências. De todo modo, são duas canções belíssimas.

Além das participações, A Arte de Viver faz uma homenagem a um dos maiores violonistas de todos os tempos – Baden Powell. A música começa com um trecho de Samba da Benção e traz uma citação de Deixa, ambas as parcerias de Baden com Vinícius de Moraes. Dois nomes que foram grandes inspirações que passaram pela vida de Toquinho. ”Não dá pra esquecer o seu violão vadio gemer”, a letra conta.

O disco de Toquinho é uma boa surpresa num ano tão difícil. Deleite aos fãs, sempre ávidos por ouvir seu violão, mas agrada a novos ouvintes pela suavidade das canções. Degrau a mais numa carreira já há muito solidificada como uma das maiores de todos os tempos da Música Popular Brasileira.

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Por Pedro Tavares – Fala! UFRJ

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