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A Aluna Victoria Bassi Expõe Sua Opinião Sobre Os Padrões da Sociedade e Compartilha Relatos de Quem Sofre Com o Preconceito

A Aluna Victoria Bassi Expõe Sua Opinião Sobre Os Padrões da Sociedade e Compartilha Relatos de Quem Sofre Com o Preconceito

O Início da Nova Era

No Brasil existe um conjunto de posturas vindas da família, da educação e da sociedade, que contribuem para a construção de uma cultura de ódio direcionada à população homossexual e negra. Piadas que despertam a famosa “risada de hiena” colaboram, ainda mais, para a estigmatização social, pois com um tom sarcástico tornam mais sufocante a realidade daqueles que são oprimidos.

Vale ressaltar que tudo isso ocorre em função da manutenção de um padrão cultural premeditado pela mídia, a qual adotou a “Barbie” como a representação de beleza e determinou legítimo apenas o amor entre seres de sexos distintos, excluindo não só a beleza negra como também o amor LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e travestis).

O militante do movimento LGBT, Luan Lúcio, já dizia:

“Qualquer coisa que não se encaixa nos padrões é vista com maus olhos”.

Em entrevista, Leonardo Mantovaninni, um representante da classe homossexual que tem 18 anos e é estudante de Moda na Faculdade Santa Marcelina (FASM), pôde contar como é viver em uma sociedade preconceituosa. Ele revelou como foi angustiante sua pré-adolescência com um recado que merece reflexão:

Fala: Teve algum problema, ou demorou para você se aceitar ? Quando isso aconteceu ?

L.M: Tive diversos problemas durante a minha infância enquanto estudava no Ensino Fundamental. Meus colegas de classe tiravam “sarro” de mim por conta da minha voz e por eu andar só com meninas, ou seja, o famoso “bullying”. Sempre aceitei o meu jeito e nunca mudei por nada e ninguém, mesmo sofrendo preconceito.

Fala!: Já sofreu algum tipo de violência ?

L.M: Violência física não, mas psicológica sim, principalmente no Ensino Fundamental, com comentários como: “você tem a voz fina”, “você só anda com menina, é uma mulherzinha”, “fica brincando com Barbie”… Essas injúrias iam corroendo por dentro, essa questão dos xingamentos, do preconceito… foi bem difícil de lidar.

Fala!: Finalizando, gostaria de propor que você dissesse algo em relação à sua orientação sexual e a questão da sociedade nos dias de hoje.

L.M: Todos nós somos iguais, não importa cor, sexo ou religião. Somos todos seres humanos e temos sentimentos. O respeito e educação são essenciais para um mundo de paz, e é sempre importante lembrar que o que tem valor é como as pessoas são por dentro. Não será a opção sexual de cada um que mudará o interior de cada cidadão.

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A população negra, que no Brasil equivale à 53%, vive em busca do fim das desigualdades raciais, fator tão anacrônico numa sociedade tão evoluída tecnologicamente.

Sandra Domiciano, que tem 48 anos, é graduada em pedagogia e atua como professora em uma escola infantil, e Sônia Maria Conceição, de 68 anos, é formada em direito e atualmente aposentada. Elas conversaram com a gente, e puderam compartilhar um pouco de seus olhares, experiências vividas e perspectivas sobre a sociedade:

Fala!: As cotas foram criadas como medidas imediatas para que o ingresso de negros nas universidades fosse maior. O que vocês acham sobre as cotas? E o que vocês pensam sobre esse argumento ?

Sandra: Bom, eu sou contra as cotas. Acho um preconceito com os negros, porque dificuldades todos têm. Cabe a cada um de nós, seja de qual raça for, correr atrás, fazer as coisas acontecerem em nossas vidas. Não é fácil, e também tenho a consciência de que para o negro a dificuldade dobra. Mas por outro lado, temos que conseguir pelos nossos próprios méritos.

Sônia: Eu acho que as cotas são uma porcaria. Quando fiz faculdade só havia eu e mais uma negra, e penso que, hoje em dia,  não é muito diferente desse número. Os negros não possuem um cérebro menor do que o dos brancos, mas acredito que a educação necessita melhorar para que o ingresso da raça negra seja realmente efetiva. As cotas foram criadas só para mostrar que o governo está fazendo alguma coisa, mas não resolve muito… É só parar e ver: quantos negros têm na sua faculdade? Sem dúvida não são muitos.

Fala!: Vocês já sofreram algum tipo de violência? Se sim, como lidaram com o fato ?

Sandra: Sempre que posso, gosto de expor minha opinião para amigos e familiares. Não deixo ninguém me humilhar e me desvalorizar. Não só os negros, mas todas as pessoas devem se sentir especiais, únicas e importantes. Quando conseguimos nos sentir assim, nada e ninguém consegue nos atingir. Comigo já tentaram, mas eu nunca dei razão para que acontecesse. Eu sempre me coloco e imponho respeito.

Sônia: Sofro todos os dias, mas hoje em dia nem “tomo conhecimento”, prefiro ignorar.

Para vocês, o que ainda deve ser vencido na sociedade? Quais as grandes dificuldades para o povo negro, de maneira geral ?

Sandra: Acredito que ainda falta oportunidades. As portas se fecham para os negros. Na maioria das vezes, se tem uma vaga de emprego e dois concorrentes, sendo um negro e outro branco, mesmo que o negro seja mais preparado e capacitado para a vaga, infelizmente a vitória acaba sendo do branco. Hoje já melhorou muito, mas ainda há muito o que melhorar e mudar nessa questão da igualdade e da oportunidade.

Sônia: A educação. A população negra nunca vai evoluir sem boas escolas que permitam o acesso de livros, o conhecimento mesmo. Portanto, o maior obstáculo é a educação.

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Diante desses depoimentos, há a transparência da sociedade em que vivemos.

Seres humanos refletindo, cada vez mais, a falta de maturidade e individualismo, que transformam assuntos como os relatados acima em vergonhosos de serem discutidos, já que os consideram muito delicados.

Para que essa discussão se torne rotineira e natural, é de extrema importância haver um debate aberto em sala de aula e também no ambiente familiar, a fim de desmascarar a falsa utopia da realidade (aquela em que a “Barbie” é o padrão de beleza e o amor só existe entre um homem e uma mulher) que é transmitida e propagada pela própria sociedade.

Dessa forma, as gerações como a de “Leonardo Mantovaninni”, “Sandra Domiciano” e “Sônia Maria” serão munidas de qualquer sofrimento que sua orientação sexual ou cor possa lhes oferecer, dando início a uma nova Era: aquela que será extinta de preconceito e tabus, proporcionando, assim, voz aos que jamais tiveram.

Victoria Bassi – Fala! P.U.C

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