5 estilistas brasileiros que marcaram a história da moda nacional
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5 estilistas brasileiros que marcaram a história da moda nacional

5 estilistas brasileiros que marcaram a história da moda nacional

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Nomes como Christian Dior, Donatella Versace, Chanel são muito conhecidos por quem gosta de moda. Mas você já parou para pesquisar sobre os estilistas nacionais? Conhecer a história, o trabalho e as referências de alguém que veio de uma realidade parecida com a nossa pode ser muito inspirador. 

A seguir, 5 estilistas brasileiros que marcaram a história da moda nacional e influenciaram vários outros que vieram depois.

Estilistas brasileiros que marcaram a história da moda

Ronaldo Fraga

Considerado um dos sete estilistas mais inovadores pelo Design Museum de Londres, Ronaldo Fraga descreve a si mesmo como um contador de histórias. 

ronaldo fraga
O estilista Ronaldo Fraga. | Foto: Divulgação.

Vindo de uma cidade no interior de Minas Gerais, Ronaldo adorava desenhar e, quando adolescente, inscreveu-se em todo curso de desenho que encontrava. Foi quando sua vizinha lhe mostrou um folheto para um curso de desenho de moda no Senac. Resolveu tentar e adorou. Curso que rendeu seu primeiro trabalho em uma loja de tecidos.

De lá para cá, formou-se na Universidade Federal de Minas Gerais – no primeiro curso de estilismo do país -, graduou-se em Nova Iorque – onde chegou sem saber nada de inglês – e foi um dos pioneiros fora do eixo Rio-São Paulo no SPFW.

Em seus 25 anos de carreira, Ronaldo Fraga se consagra não apenas pelas roupas coloridas, com variedades de estampas e todo tipo de aplicações, mas pelas histórias que conta em seus desfiles-manifesto, onde faz protestos políticos e homenageia personalidades brasileiras.

Além dos desfiles, Ronaldo se dedica a causas sociais, ajudando comunidades de pequenos artesãos a entrar no mercado de trabalho.

Curiosidade: Seu irmão, Rodrigo Fraga, também é estilista.

Martha Medeiros

Martha Medeiros
A estilista Martha Medeiros. | Foto: Divulgação.

Nascida em Maceió, Alagoas, Martha Medeiros começou a se interessar por moda ainda pequena. Com 8 anos, por influência da sua avó, professora de artes, Marta já iniciava no bordado e vendia suas roupinhas de boneca na feira de artesanato da cidade. O pai não apoiava seu interesse, levando a futura estilista a fazer Direito, Economia, e até a trabalhar no Banco do Brasil, quando finalmente resolveu correr atrás do seu sonho. 

Mudou para São Paulo, fez curso de moda no Senac e, quando voltou, investiu em uma boutique multimarcas. A demanda de peças começou a crescer mais do que o previsto, então, teve a ideia de incluir o trabalho das rendeiras de sua região. Hoje, dona da sua marca homônima, Marta vende peças em 170 países.

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Desfile da estilista. | Foto: Martha Medeiros.

A renda da estilista caiu nas graças de Hollywood, vestindo de Jessica Alba à Beyoncé. Recentemente, 16 peças de sua grife fizeram parte do figurino de Um Príncipe em Nova Iorque 2.

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Vestidos de renda renascença feitos pela estilista Martha Medeiros vestem as princesas de Um Príncipe em Nova Iorque 2. | Foto: Divulgação.

Suas roupas podem levar de 10 meses a um ano para serem produzidas, dependendo da técnica, e são todas 100% de algodão. As rendas da estilista são feitas por mais de 400 costureiras nordestinas, que trabalham com a renda renascença e outras técnicas de renda aprendidas em viagens internacionais.

Alexandre Herchcovitch

Alexandre Herchcovitch
O estilista Alexandre Herchcovitch. | Foto: Rotacult.

Nascido em São Paulo, filho de um ator e de uma empreendedora em confecção de lingerie, Alexandre, como Martha, também aprendeu cedo a costurar, tendo feito o seu primeiro vestido aos 16 anos, seguindo as orientações da sua mãe. 

Já mais velho, frequentador das noites de São Paulo, começou a fazer figurinos para Drag Queens e outras figuras de clubes como o Madame Satã, chamando a atenção da mídia. Na mesma época, Paulo Borges, diretor do Phytoervas Fashion – que viria a ser o SPFW – convida o estilista, agora recém-formado na Universidade Santa Marcelina, a desfilar. Desde então, foram mais de 20 anos de São Paulo Fashion Week, vendas e desfiles em Paris, Londres, Nova Iorque e uma grife em Tokyo.

Ao longo de sua carreira, fez diversas parcerias nacionais e internacionais como Chilli Beans, Tok&STok, Melissa, McDonald’s, Disney e Universal. Além de ter sido diretor criativo das marcas Cori, Zoomp e Ellus.

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Coleção Alexandre Herchcovitch Verão 2013. | Foto: Reprodução/Luciana Levy.

Seu trabalho costuma ser colorido, mistura alfaiataria, com streetwear e até elementos fetichistas e da cena alternativa. Hoje, diretor criativo da À La Garçonne, ao lado de seu marido Rodrigo Souza, levanta a bandeira do consumo consciente optando por uma produção em pequena escala e no reaproveitamento de peças garimpadas ao redor do mundo.

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Último desfile de Alexandre Herchcovitch com a sua marca homônima. A coleção inverno 2016 trazia elementos fetichistas bem marcantes, como nas suas primeiras coleções. | Foto: Reprodução/UOL.

Lino Villaventura

Lino Villaventura
O estilista Lino Villaventura. | Foto: Divulgação.

Antônio Marques dos Santos Netto – Lino, como é chamado desde criança – é um estilista paraense, radicado em Fortaleza, Ceará. Quando jovem, Lino costumava customizar roupas e fantasias com amigos para ir a festas. E mais tarde, influenciado pela onda hippie dos anos 70, Lino tingia, bordava e cortava peças de materiais reaproveitados.

Um dia, sem dinheiro para comprar um presente para Inez, sua então namorada, Lino, com ajuda da irmã Graça faz um colete de sacos de trigo. Colete que chama muita atenção dos amigos do casal. Lino e sua irmã começam, então, a fazer encomendas: tingem peças, fazem macramê, bordam e, com o tempo, começam a vender para algumas lojas. 

Sua irmã desistiu, mas Lino não parou mais. Na época, fazer moda não era bem o que ele planejava para a sua vida, preferia que fosse arquitetura ou artes plásticas, mas não teve jeito, as coisas se encaminharam de tal forma que uma de suas criações, feita para uma amiga, foi abordada em uma festa pelo colunista Lúcio Brasileiro, que divulgou a sua roupa na TV e ainda batizou Lino da Vila Ventura – logradouro de um bairro de Fortaleza – de Lino Villaventura.

A marca foi patenteada e Lino (agora) Villaventura é convidado para desfiles e exposições não só no Brasil, mas no Líbano, Estados Unidos e Japão.

Sua roupas chamam a atenção pela variedade de texturas e modelagens, técnicas de bordado, nervuras sobre o tecido, cores e movimento. Sempre bem artísticas, influenciadas pelo cinema, arquitetura e artes plásticas.

Lino fez muitos trabalhos como figurinista no teatro e no cinema. Também vestiu famosos como Hebe Camargo, Xuxa e até a boneca Barbie.

Ney Matogrosso
Figurino feito para a turnê Bloco de Rua do cantor Ney Matogrosso, assinado por Lino Villaventura. | Foto: Reprodução/ Rita Vicente.

Zuzu Angel

Zuzu Angel
A estilista Zuzu Angel. | Foto: Reprodução/ Nossa causa.

Um dos maiores nomes da moda brasileira, Zuzu Angel foi responsável pela criação de uma identidade na moda nacional, quando ainda tinhamos a moda europeia e principalmente a francesa como referência. Usando motivos de pássaros, frutos, borboletas, temáticas regionais e tecidos brasileiros como a chita -o que à primeira vista foi considerado cafona-, entrou no armário de Joan Crawford, Kim Novak e Liza Minnelli.

No Rio de Janeiro dos anos 50, a mineira Zuleika morava com seu marido Norman e seus três filhos.Um dia, sua tia a convida para costurar em uma ação social em que era voluntária, patrocinada pela primeira-dama Sarah Kubitschek, ao participar, Zuzu se destaca entre as outras por sua habilidade e destreza, recebendo até encomendas de suas colegas. Ela viu aí uma oportunidade de negócio.

Com o tempo, foi convidada para fazer figurinos de teatro e também roupas para personalidades da época. Em 1960 Zuzu lança a sua primeira coleção inspirada em Lampião e Maria Bonita e em 1970, sua coleção Fashion and Freedom ganha destaque internacional, sendo exposta na Bergdorf Goodman, em Nova Iorque.

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Registro de modelos da coleção International Dateline Collection, inspirada em Lampião e Bonita/Nova Iorque, Estados Unidos. | Foto: Reprodução/ Acervo Zuzu Angel.

Além de ser a primeira estilista do país a exportar a moda brasileira aos Estados Unidos, Zuzu Angel foi uma importante figura humanitária: durante a ditadura civil-militar na década de 60 e 70 não mediu esforços na busca de Stuart, seu filho, sequestrado pelos órgãos da ditadura, e usou o seu trabalho como ferramenta de denúncia.

Em 1971, a estilista faz um desfile-manifesto na casa do cônsul do Brasil nos Estados Unidos. Vestida de preto, de véu e um cinto com cem crucifixos, Zuzu apresentou mulheres com vestidos repletos de figuras de tanques de guerra, canhões, pássaros engaiolados, anjos feridos, quepes e soldados. Um momento considerado marcante na história brasileira.

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Vestidos presentes no desfile-protesto de Zuzu Angel. | Foto: Reprodução/ Memórias da ditadura.

Stuart nunca foi encontrado e Zuleika morreu em 1975, em um acidente forjado por agentes da ditadura militar. No ano de 1993, sua filha, a jornalista Hildegard Angel, fundou o Instituto Zuzu Angel – IZA – que visa divulgar a moda nacional, seus profissionais e a memória de Zuzu Angel.

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Por Loara Tomaz – Fala! Universidade Federal do Tocantins

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