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365 Dias de Brechó – Consumindo de forma consciente

365 Dias de Brechó – Consumindo de forma consciente

3Valorizando a exclusividade, os brechós são alternativas acessíveis à moda com propósito.

”Toda roupa tem jeito, toda roupa tem uma segunda chance’’, afirma Ana Mastrochirico em seu blog Garimpo Mag, uma plataforma criada para falar sobre consumo consciente e sobre brechós. A designer sempre comprou roupas usadas e isso serviu de inspiração para a criação do blog e mais tarde do brechó online de mesmo nome.

Ressignificação sempre foi algo recorrente na moda. A releitura de tendências passadas não é nenhuma novidade para esse universo. Vemos similaridades entre as coleções atuais e a de décadas passadas com muita frequência. O consumidor atual, porém, exige da moda algo que nunca fez parte de suas principais pautas antes: consciência.

A moda é um dos principais setores econômicos do mundo, sendo a quarta maior atividade econômica global, segundo uma pesquisa de 2013 do Instituto UNIETHOS. Ela corresponde a cerca de 5,7% da produção manufatureira e mais de 14% dos empregos no mundo. Contudo, sua interferência em questões ambientais e sociais é muito grande.

Entre os impactos negativos socioambientais mais nítidos da indústria da moda estão o esgotamento de recursos naturais (estima-se que para a produção de uma única camiseta sejam utilizados cerca do 2000 litros de água) e a violação aos direitos humanos. Este último é mais praticado por marcas fast fashion, que concentram toda sua confecção de peças em países com legislações trabalhistas fracas como China e Tailândia, onde costureiras são condicionadas a produzir peças de roupas em condições análogas à escravidão.

O desabamento do edifício já era previsto e mesmo assim foi ignorado.

Em 2013, um desabamento no edifício Rana Plaza, em Bangladesh, causou a morte de 1.134 trabalhadores da indústria da confecção, e ainda deixou mais 2.500 feridos. As vítimas trabalhavam em condições de risco, servindo marcas globais como a H&M. O desastre fez com que diversas pessoas ao redor do mundo repensassem seus modos de consumo e aderissem à hashtag #whomademyclothes, em português, #quemfezminhasroupas, criada pela organização Fashion Revolution que pedia a transparência das marcas sobre suas fábricas de confecção fornecedoras.

Fast Fashion x Slow Fashion


Marcas varejistas de fast fashion priorizam um sistema de produção em larga escala. As peças produzidas são inspiradas em tendências produzidas por marcas renomadas e pelo street style. O fast fashion se mantém com o movimento acelerado das atualizações de tendências e também com a produção de roupas de baixa qualidade. Já quanto a mão-de-obra, a preocupação se limita ao custo; quanto mais baixo menor. Não há qualquer preocupação com as condições das pessoas que trabalham na linha de confecção.

Para bater de frente com esse modelo de produção, o Slow Fashion surgiu como uma solução para pessoas que desejavam diminuir seus impactos de consumo. O termo Slow fashion surgiu no início dos anos 2000, inspirado pelo movimento slow food. O movimento foi adaptado para o cenário da moda como uma alternativa às grandes cadeias de fast fashion e até hoje ganha cada vez mais adeptos.

 Brechós são alternativas acessíveis ao Slow Fashion 

Cinco anos depois do acidente do edifício Rana Plaza, a moda como negócio e indústria foi drasticamente alterada. O consumidor da moda atual está preocupado com os impactos da confecção de suas roupas. Com isso, o Slow Fashion deixou de ser uma ideia de consumo alternativo e ganhou espaço no cenário como um estilo de vida. A premissa de consumir menos, evitar tendências passageiras e dar preferência a peças de qualidade e duráveis focando no menor impacto ambiental atraiu diversos adeptos e fez com que a moda se reinventasse mais uma vez. Marcas inovadoras e start-ups se inseriram no mercado para os adeptos desta prática.

Coleções cápsulas, upcycling, sistema de troca de roupas e brechós são os setores da moda slow que mais crescem atualmente, este último sendo o mais promissor deles. Segundo levantamentos do Sebrae em 2014, o número de brechós cresceu 210% em cinco anos. O mercado já movimenta mais de R$ 5 milhões de reais anualmente e esse número só tende a crescer.

 A ideia de comprar em brechó não se limita apenas a ter uma peça de roupa exclusiva, mas também é uma maneira de militar contra o modelo de consumo fast-fashion de forma acessível. Peças produzidas por marcas de slow fashion tendem a ser mais caras devido ao cuidado com a escolha da mão-de-obra e o investimento em fornecedores que respeitem o meio-ambiente. Além disso, comprar peças usadas estende seu ciclo de vida útil e diminui a produção de roupas no geral.

Um lifestyle barato e sustentável

Ana Mastrochirico gerencia o brechó O Garimpo e escreve para o blog de mesmo nome.

Ana Mastrochirico criou, em 2015, um desafio para si própria em que ficaria um ano usando apenas peças garimpadas em brechó. Ela fala que o projeto lhe ajudou a repensar na sua forma de consumo e mudou sua forma de ver a si mesma e o mundo. ‘’É como se eu tivesse aprendido a tomar o controle de mim, como se eu tivesse me tornado a dona das minhas ações de verdade’’, escreve ela em seu blog. A designer fala que a ideia não era parar de comprar roupas totalmente, mas sim pensar em como consumir moda de forma sustentável e acessível.

Em busca de uma forma acessível para se vestir bem, Jéssica da Silva criou o projeto #jeenobrecho no instagram, onde compartilha sua experiência consumindo roupas apenas de brechós e feiras de troca.  A publicitária diz que sua inspiração para a ideia foi o preço alto das peças de marcas sustentáveis, ‘’me incomodava o fato das marcas sustentáveis terem um valor mais alto e inacessível para a maioria das pessoas, então comecei a falar sobre brechós, pois é um modo de começar a se interessar pela moda consciente de um jeito acessível’’. Para Ana, o primeiro passo para uma pessoa que quer deixar de consumir marcas fast fashion é começar a comprar roupas em brechó: “se a pessoa está querendo usar uma roupa usada, mesmo que inconscientemente, ela já está sendo engajada’’.

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