'13 Reasons Why': A midiatização do suicídio na série da Netflix
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’13 Reasons Why’: A midiatização do suicídio na série da Netflix

’13 Reasons Why’: A midiatização do suicídio na série da Netflix

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Como a série 13 Reasons Why abordou o assunto e qual a importância de fazê-lo de maneira responsável

Com a trama finalizada na quarta temporada, 13 Reasons Why é uma série que, desde o início, acumulou debates e críticas. Por se tratar de uma história de violência e, ao final, suicídio da personagem principal, acreditava-se que deveria haver uma postura cuidadosa dos produtores da obra ao retratar tais eventos.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda uma série de precauções ao midiatizar o suicídio. Logo na primeira temporada de 13 Reasons Why, o episódio final revela Hannah tirando a própria vida, cuja cena conta com 3 minutos que mostram, de fato, o momento e por quais meios a personagem o fez.

midiatização do suicídio
13 Reasons Why, da Netflix. | Foto: Reprodução.

Midiatização do suicídio em 13 Reasons Why e consequências

Em relação a coberturas jornalísticas, um dos alertas é o de evitar incluir o método, local ou detalhes da pessoa que faleceu. Apesar da série se tratar de uma obra fictícia, ela trouxe cenas de maneira irresponsável na visão de alguns. “A cena é desnecessária na narrativa, é contrária ao que apregoam os manuais”, afirma Luis Fernando Tofóli, psiquiatra da Unicamp, em relação ao momento da morte da personagem.

Alguns estudos, ainda, foram realizados para determinar possíveis consequências ocasionadas pelo seriado. Um deles, norte-americano, publicado na revista acadêmica JAMA Internal Medicine, trouxe resultados expressivos.

Nos 19 dias consecutivos após o lançamento da primeira temporada, houve um crescimento de 19% nas buscas da palavra suicídio, além de outras expressões sinônimas, na Internet. Traduzindo para números reais, houve 1,5 milhão a mais de pesquisas do que era esperado, e a maioria se tratava de métodos para consumá-lo.

Outra pesquisa, publicada na revista acadêmica JAMA Psychiatry, revelou, ainda, que de abril de 2017 até junho de 2017 – meses de maior interesse do público no seriado – houve um aumento de cerca de 13,3% nos suicídios cometidos por jovens dos Estados Unidos de 10 a 19 anos.

Já no Brasil, levantamentos foram executados por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Estes coletaram a resposta de 20.062 jovens acerca de uma possível influência do seriado na vida deles. Dentre os adolescentes, haviam estadunidenses e brasileiros, todos na faixa etária de 12 a 19 anos.

Questionados sobre pensamentos suicidas antes e depois de assistir à obra em discussão, 4,7% dos jovens afirmaram que nunca os tiveram antes, mas que, depois do contato com a série, passaram a pensar mais sobre tirarem a própria vida. 

Além disso, 21,6% daqueles que já conviviam com algum histórico de depressão ou inclinamento ao suicídio declararam ter mais ideação a cometê-lo depois de 13 Reasons Why. No entanto, ainda neste grupo, 49,5% afirmaram uma baixa nos pensamentos suicidas após a série.

13 reasons why e suicídio
Consequências da midiatização do suicídio em 13 Reasons Why. | Foto: Reprodução.

Repercussão do suicídio em 13 Reasons Why

Foi então, em julho de 2019, depois de mais de dois anos desde a estreia de 13 Reasons Why, que a Netflix optou por alterar a cena da morte da jovem. Ao invés de mostrar, de fato, o momento do suicídio, houve um corte e a cena revela Hannah se olhando no espelho e já pula para os pais a encontrando na banheira.

Apesar dos números levantados nas pesquisas, não é possível afirmar que a abordagem da série acarretou num efeito contágio, processo pelo qual outras pessoas se espelham no suicídio cometido e o copiam. Entretanto, por se tratar da segunda maior causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos, é necessário atentar-se a retratá-lo de maneira cautelosa, seja em obras de ficção ou em notícias factuais.

Os clínicos e os pesquisadores sabem que não é a cobertura jornalística do suicídio per se, mas alguns tipos de cobertura, que aumentam o comportamento suicida em populações vulneráveis. Por outro lado, alguns tipos de cobertura podem ajudar a prevenir a imitação do comportamento suicida.

Organização Mundial da Saúde, Prevenção do Suicídio: um manual para profissionais da mídia, p.4.

Fontes

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5820689/

https://jamanetwork.com/journals/jamapsychiatry/fullarticle/2734859

https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2018/08/07/o-impacto-da-serie-13-reasons-why-na-visao-de-jovens-brasileiros-sobre-suicidio-e-bullying-segundo-estudo.ghtml

https://epoca.globo.com/saude/check-up/noticia/2017/07/serie-13-reasons-why-estimulou-ideias-de-suicidio-diz-estudo.html

OMS: cobertura jornalística responsável pode contribuir para prevenção de suicídios

https://radis.ensp.fiocruz.br/index.php/home/reportagem/precisamos-falar-sobre-suicidio

https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=5671:folha-informativa-suicidio&Itemid=839

https://www.who.int/mental_health/prevention/suicide/en/suicideprev_media_port.pdf

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Por Isabel Mello – Fala! Cásper

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