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07 de abril: Dia do Jornalista e também de resistência

07 de abril: Dia do Jornalista e também de resistência


Por Luana Dias – Fala! Anhembi

Em tributo à data, escultura ampliada do prêmio que prestigia os direitos humanos é inaugurada na Praça Vladimir Herzog

Prêmio Vladimir Herzog. Fonte: Agência Chico.

Era 07 de abril de 1831. A data que marca a abdicação do Imperador Dom Pedro I também celebra, atualmente, a profissão do jornalista. Há quase duas centenas de anos, o monarca vivia um momento de crise política. Cansado de ser submetido às feitorias do colonizador, o país presenciou uma onda de revoltas populares que se tornaram mais robustas após o assassinato de um dos maiores oposicionistas do império, Giovanni Battista Líbero Badaró. Cerca de um ano depois, Dom Pedro I abdica o trono.

Badaró era médico e jornalista, fundador do “Observador Constitucional”, mídia que defendia as ideias liberais e se posicionava contrária à monarquia de Dom Pedro I. O jornalista foi morto por inimigos políticos em 22 de novembro de 1830, na rua de sua casa, a antes conhecida Nova São José, rebatizada como Rua Líbero Badaró, onde hoje se situa a Câmara Municipal de São Paulo.

Próximo dali, na Rua Santo Antônio, há uma praça atualmente denominada “Praça Vladimir Herzog”. O local de lazer homenageia, desde 2013, outro profissional da imprensa que, igualmente, prezava pela liberdade. Devido à sua resistência durante os anos de chumbo, Herzog foi vitimado pela ditadura em 25 de outubro de 1975. Em homenagem a Badaró, a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) definiu o dia 07 de abril como dia do jornalista ao entender que devido sua atuação Dom Pedro I teve de deixar o trono; em homenagem a Vladimir Herzog, o Comitê Brasileiro de Anistia (CBA), colocou seu nome no prêmio concedido aos profissionais da imprensa e artistas do traço que trabalham o tema da Anistia e dos Direitos Humanos.

Elifas Andreato: “Os monumentos são erguidos para nos lembrar da história e a memória da nação”

A Praça inaugurou nesse sábado, 06, a terceira obra que compõe o acervo constituído por peças de autoria de Elifas Andreato, artista plástico que já elaborou diversas capas de disco de cantores da música popular brasileira. A escultura é uma versão ampliada do prêmio Vladimir Herzog e foi implantada simbolicamente na véspera do dia do jornalista. Em discurso, Andreato ressaltou: “Aqui modestamente construímos monumentos em memória não apenas do Vlado, mas de muitos jornalistas que ganharam este prêmio”. O artista se referia aos nomes gravados na escultura dos profissionais que recebeu a premiação durante os 40 anos de sua existência.

“Acredito que o Brasil será o primeiro a dar uma resposta firme e virar de novo esse jogo pró-liberdade, pró-direitos humanos, pró-respeito.”, afirma Ivo Herzog. Fonte: Agência Chico.

Em discurso, Ivo Herzog, filho de Vladimir Herzog, se relembrou de quando a família decidiu retornar ao Brasil, em 1968. A esposa de Vlado, Clarice Herzog, e os filhos, Ivo e André, vieram primeiro. O jornalista havia ido à Itália participar de um curso de cinema e, uma semana antes de sua volta, a ditadura promulgou o Ato Institucional número cinco (AI-5), decreto que autorizava o presidente a fechar o Congresso Nacional, intervir em Estados e Municípios, cassar mandatos parlamentares e suspender os direitos políticos de qualquer cidadão por até dez anos, além de suspender a garantia de Habeas Corpus. Apesar de ter sido aconselhado a ficar fora do Brasil devido ao decreto, Vlado revidou seus conselheiros. “Mais um motivo para eu voltar”, ressaltava.

Para Ivo, a resistência do pai também influi na vida dele, já que é esse pensamento que continua movendo-o. Durante 2018, ele disse que enfrentou momentos de depressão perante a campanha eleitoral e frente aos resultados da mesma, o que o faz enxergar a praça atualmente como um local não apenas de memória, mas de resistência. Consonante a ele, está Andreato: “Hoje a gente nega que tenha havido tortura e censura no Brasil. E o que nós estamos fazendo aqui? Nós estamos mostrando a história, histórias de que esse regime militar torturou, estuprou, matou, censurou a imprensa”. 

Também estavam presentes no evento Soninha Francine, vereadora paulistana – que encabeçava a apresentação daqueles que discursariam – Eduardo Suplicy, também vereador na cidade de São Paulo, e Sérgio Gomes, jornalista e fundador do Oboré Editorial. O momento final antes do descerramento da obra foi protagonizado por Vanira Kunc, viúva de Audálio Dantas, jornalista brasileiro que atuou como presidente do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo entre 1975 e 1978. Audálio foi a personalidade que conduziu os protestos pela morte de Vladimir Herzog que aconteceu nas dependências do DOI-Codi. Energicamente, Vanira proferiu: “Nunca mais ditadura, censura, tortura. Liberdade, liberdade abra as asas sobre nós!”, últimas palavras do discurso oficial do evento que foram recebidas sob aplausos do público presente. Ao todo, dezenove instituições ligadas ao jornalismo e profissionais do traço assinaram o documento.

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