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Você conhece o curso de Comunicação das Artes do Corpo?

Se você estuda na PUC, talvez você já tenha se deparado com algumas intervenções artísticas no meio do Bosque, na Prainha ou até mesmo na rampa de entrada da universidade.

Misturando a dança com o teatro e a performance, todas essas representações artísticas atraem o olhar e a curiosidade de quem passa por esses lugares, e os responsáveis por essas manifestações são os alunos e alunas do curso de Comunicação das Artes do Corpo.

Pensando nisso, o Fala! PUC entrevistou duas alunas, a Camila de Assis Miranda (25) que está no último semestre e a Carolina Anjos (18) que acabou de entrar no curso e está no segundo semestre, para saber um pouco mais sobre o curso mais autêntico da PUC. Confira:

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Foto: Facebook Artes do Corpo Existe.

 

1 – O que é o Curso de Artes do Corpo?

Camila: O curso de Comunicação das Artes do Corpo é um curso que tem por objetivo cruzar três linguagens corporais: dança, teatro e performance. A partir de matérias teóricas e práticas, os alunos tem liberdade de montar a própria grade afim de estimular de fato esse trânsito entre esses três meios, que conversam muito entre si.

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Foto: Facebook Artes do Corpo Existe.

 

2- Como são as matérias?

Camila: O curso conta com matérias aparentemente bastante diversas, mas que convergem para um mesmo lugar: ampliar as noções de corpo e do fazer artístico. O estudo aborda as diferentes maneiras de entender o corpo e suas ações em uma construção histórica, abordando a contemporaneidade e os fazeres de nossos tempos. Muitas matérias também permeiam o campo específico da comunicação e da produção cultural.

Carolina: Eu estou cursando o primeiro ano ainda, então tenho matérias que são de todas as linhas de formação, como Anatomia e Corpo na Cultura, além de algumas matérias mais específicas.

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Foto: Facebook Artes do Corpo Existe.

 

3- Vocês costumam realizar diversas intervenções na PUC. Elas fazem parte da grade ou são os próprios alunos que propõem?

Camila: Durante esses anos que o curso existe, já foram muitas as intervenções pelos espaços da PUC, por diversos motivos e causas. Existem muitas matérias que buscam deslocar as práticas das salas de ensaio, a fim de promover outros estímulos e estudos do corpo no espaço, para saber como o mesmo dialoga com o entorno. Muitas outras ações foram desenvolvidas pelos espaços públicos, também como movimento político diante de diversas questões já existentes no curso. Descobrimos sempre que a arte tem um papel questionador e político dentro da sociedade, e nas artes do corpo temos a liberdade de desenvolver nesse lugar de questionamento.

Carolina: Realizamos as performances quando sentimos necessidade de fazer, quando o “corpo está em crise” algo interior ou de fora que precisamos nos colocar sobre. A performance, pelo que eu sei, busca chocar pra acontecer alguma mudança. A gente quer mesmo se expressar, colocar algo que acontece internamente para o mundo.

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Foto: Facebook Artes do Corpo Existe.

 

4- Qual a reação das pessoas quando você fala que faz Artes do Corpo? Você acredita que algumas pessoas (da PUC e fora dela) possuem preconceito com o curso?

Camila: Já foram muitas as reações quando eu digo que faço artes do corpo. Muitas pessoas não conhecem o curso e não sabem do que se trata. Outras acham muito empolgante e inspirador esse lugar do trânsito entre as linguagens do corpo. Outras, algumas vezes, menosprezam e acreditam que esse tipo de estudo é inútil. O preconceito existe de quem está dentro da PUC, fora da PUC, e até mesmo dentro da classe artística.

Carolina: As pessoas falam, “Nossa eu nunca conheci alguém de artes do corpo”, “você existe?” – “O que vocês fazem no curso?”, “Vocês são aqueles que andam pelados pela PUC?”. Não sei se chega a ser preconceito, acho que é mais um desconhecimento.

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Foto: Facebook Artes do Corpo Existe.

 

5- Camila, depois de formado, quais opções o profissional de artes do corpo possui?

Depois de formados podemos dar continuidade às pesquisas artísticas nas linguagens de nossas habilitações, buscando uma carreira mais prática, desenvolvendo trabalhos de corpo, participando de editais, festivais, espetáculos e companhias. O curso abre também para a atuação dentro do cenário contemporâneo com produção cultural. O curso também abre um campo vasto para a continuidade acadêmica, possibilitando uma base para investir em pesquisas dentro das universidades. Muitos alunos também voltam-se totalmente para o universo de ser professor, pois o curso também possibilita esse lugar de ministrar aulas.

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Foto: Facebook Artes do Corpo Existe.

 

6- No começo desse ano houve boatos de que o curso ia fechar. Ainda há essa suspeita?

Camila: Acho que o perigo de fechar o curso não existe. Existiram boatos sim porque a arte caminha para o lado contrário da instituição/empresa. Esse curso não é algo que gera um bom lucro, por exemplo, para a universidade, e não é um curso disputado e que conta com cem alunos por sala.

Acredito que isso acontece porque o Estado em si não está nada interessado em formar pessoas críticas, que seguem aquilo que lhes fazem bem, seres pensantes com opinião política. A procura pelo Curso de Artes do Corpo ainda é pouca, se compararmos com grandes graduações como direito ou administração. Mas acredito que nós, que estamos nos formando nessa base, podemos disseminar cada vez mais essa possibilidade de viver a arte como meio de ganho, de resistência e de existência.

Carolina: Ainda há sim! E sempre vai ter! Nosso grande problema é a falta de alunos. No começo do ano entraram 25, 13 em teatro, 12 em dança e 3 em performance, mas já saíram uns 10. E a mensalidade, pela falta de pessoas, fica muito alta – grade cheia está saindo R$ 3.200,00 por mês!

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Foto: Facebook Artes do Corpo Existe.

 

7- Camila, na opinião de quem está concluindo o curso, você acredita que ele te forma como artista?

Acho que ninguém se forma como artista. Acredito que é um fazer diário, uma construção contínua de estudo, de tempo, de trabalho, de continuidade. A formação existe para tornar visível outros caminhos possíveis para aprofundamento.

8- Carolina, Você está no primeiro ano, certo? O que você está achando do curso?
Sim, e estou amando! O curso me fez mudar hábitos e viver mais, não fazer mais tudo no automático, prestar atenção em mim e nas pessoas e coisas em volta. O curso discute algo muito importante, que é o corpo, e isso nos faz realizar o autoconhecimento de uma maneira incrível.

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Foto: Facebook Artes do Corpo Existe.

 

 

Por: Laura Jabur e Sofia Missiato – Fala! PUC

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