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UERJ começa o segundo semestre sem aulas

As aulas estavam previstas para começarem no dia de hoje, terça-feira, 01 de agosto, mas o reitor Ruy Garcia Marques, afirmou nesta segunda-feira (31) que não há possibilidade de retomarem as atividades da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) neste segundo semestre de 2017.

Dentre os argumentos, os principais são a falta de pagamento para empresas terceirizadas que são responsáveis pela manutenção (limpeza, segurança e coleta de lixo) da universidade, e ainda a atual situação do restaurante universitário (famoso bandejão), que permanece fechado.

UERJ capa

O salário dos professores também estão atrasados, e se torna uma dívida a mais para a instituição. Estudantes bolsistas e cotistas também estão com suas matrículas incertas, uma vez que a universidade não tem dinheiro para pagá-las.

O governador Luiz Fernando Pezão, que se afastou do cargo durante uma semana no mês de julho para realizar tratamentos de saúde num spa de luxo, diz que promete encerrar o seu mandato (em 2018) com todos os salários dos profissionais da UERJ em dia.

Governador Luiz Fernando Pezão e prefeitos discutem medidas contra a crise econômica nas cidades no entorno do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro em reunião no Palácio Guanabara (Fernando Frazão/Agência Brasil)
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Confira a nota que a reitoria publicou na noite desta segunda-feira (31):

“A Reitoria da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, ouvido o Fórum de Diretores das Unidades Acadêmicas, reunido em 31 de julho de 2017, vem informar que, a despeito das reiteradas manifestações públicas em relação às precárias condições de funcionamento da Universidade, não houve qualquer progresso das negociações com o governo do estado do Rio de Janeiro nas últimas semanas.

As condições de manutenção da universidade degradam-se cada vez mais com o não pagamento das empresas terceirizadas, contratadas por meio de licitação pública: limpeza, vigilância e coleta de lixo estão restritas, além de o Restaurante Universitário permanecer fechado.

Somam-se a isso os atrasos salariais dos servidores técnico-administrativos e docentes da universidade (meses de maio, junho e – já nos próximos dias – julho, bem como o não pagamento do décimo-terceiro salário do ano de 2016), os atrasos no pagamento de diversas bolsas, de docentes e alunos, incluindo os cotistas, estes últimos especialmente punidos pela impossibilidade de deslocamento à universidade ou de condições mínimas para prover a própria subsistência.

O atraso salarial, cada vez maior, gera endividamento crescente, insegurança, angústia e situações de estresse incontroláveis, maximizadas naqueles que se veem impedidos até da simples compra de medicamentos para manutenção básica da saúde.

No primeiro semestre de 2017, em consideração aos nossos estudantes e à população fluminense, trabalhamos enfrentando todas essas adversidades que, a cada dia, se acentuam. Reconhecemos que, neste momento, não podemos mais aceitar tal sacrifício de nossos servidores e de suas famílias.

Atingimos um patamar insuportável que impede a universidade de bem exercer suas funções de ensino, pesquisa e extensão. Também o nosso Hospital Universitário Pedro Ernesto padece do mesmo problema e funciona com limitações quase impeditivas, diminuindo amplamente o atendimento à população.

Tal situação nos avilta, ainda mais, pela atitude discriminativa adotada pelo governo do estado do Rio de Janeiro, ao manter em dia, sem parcelamentos ou atrasos, os salários de muitos outros setores do funcionalismo.

Todo o quadro acima mencionado nos impõe a decisão de não dar início ao semestre letivo no dia 1o de agosto, conforme anteriormente previsto no calendário acadêmico. À medida que surjam novos fatos, voltaremos a nos manifestar acerca do início das aulas.

Adiar o início das aulas não é parar a UERJ! Nossa universidade permanece ABERTA e VIVA!”

UERJ II

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