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Twin Peaks: O Retorno – confira a resenha sobre o fim da última temporada

Por: Fernanda Talarico – Pipoca Amanteigada

 

Antes de começarmos, já aviso: é quase que impossível falar de Twin Peaks sem escapar um spoiler ou outro. Portanto, fica o SPOILER ALERT.

Twin Peaks é aquela série cult dos anos 90 que todo mundo já ouviu falar e que tem o mestre David Lynch como criador, junto com Mark Frost. Com duas temporadas lançadas, respectivamente, em 1990 e 1991, Twin Peaks contou a história de uma cidade pequena de Washington – chamada Twin Peaks – que lida com o assassinato de uma das meninas mais queridas pelos seus habitantes: Laura Palmer (Sheryl Lee).

Para descobrir o que aconteceu com a jovem, o agente do FBI Dale Cooper (Kyle MacLachlan) é enviado à cidade. Até agora parece uma trama de seriado policial, mas com o passar dos episódios, a série se mostra cada vez mais diferente de tudo. Dificilmente alguém vai acertar em qual gênero Twin Peaks se encaixa.

Pulando toda a história das temporadas iniciais e, junto com elas, todos os spoilers que eu poderia dar, vamos à última cena da segunda temporada: Laura Palmer diz a Dale Cooper que eles se encontrariam depois de vinte e cinco anos.

“Mas pera aí. A Laura Palmer não estava morta?”

Então. Sim.

“Mas como que ela encontra o Dale Cooper?”

Então… Vou tentar explicar rapidamente: existe um “universo paralelo” em Twin Peaks (do gênero policial, fomos parar numa ficção cientifica). Esse universo se chama Black Lodge e é onde o mal se concentra, mas também é um local onde o agente Cooper visita em seus sonhos. Lá aparecem as mais diversas pessoas para conversar com ele: um homem sem braço, um anão (que é o braço do homem sem braço), todo mundo que morre na série, personagens do futuro ou até pessoas da vida de Cooper, mas que já morreram.

Mas chegamos onde eu queria: a terceira temporada de Twin Peaks, mais conhecida como Twin Peaks – O Retorno.

Quando a segunda temporada acabou, Cooper estava preso no Black Lodge e uma versão malvada dele volta para o mundo real. Vinte cinco anos depois (exatamente quando a série volta), o mesmo Bad Cooper (como ele foi apelidado pelos fãs) ainda está no mundo real. O agente verdadeiro ainda está preso.

A terceira temporada, então, gira em torno do Bad Cooper no mundo real, do Good Cooper tentando voltar 100% também ao mundo real e tudo que envolve essa confusão toda.

Mr. C, personagem que mostrou o ótimo ator que é Kyle MacLachlan

Pode-se dizer, com toda certeza, que o retorno foi feito para agradar os fãs, e disso não há dúvidas. Quase todos os atores voltaram e alguns deles aparecem em pouquíssimas cenas ou então não têm muito o porquê de terem aparecido; parece que estão lá apenas para te dar um alô.

Mas, como tudo que envolve David Lynch, não obtemos muitas respostas e ele parece rir da nossa cara.

Vou tentar explicar: uma das personagens mais queridas das série se chama Audrey Horne (Sherilyn Fenn). Ela é uma adolescente, da mesma idade da Laura Palmer, que começa como uma garota mimada mas, com o passar da série, vai se mostrando muito mais interessante do que qualquer outro personagem. Ao fim da segunda temporada, Audrey está em um banco que sofre uma explosão e, depois disso, nada mais sabemos da personagem.

Audrey Horne em sua famosa dança

A terceira temporada começou e a maioria dos fãs estavam ansiosos para ver a volta de Audrey e… Nada. Passa episódio, passa personagens inúteis, passa tudo e.. Nada da Audrey. Tinha alguma coisa muito errada nisso.

Paralelo à dúvida, um personagem novo apareceu, chamado Richard. Os fanáticos de plantão trataram de checar nos créditos qual era o nome inteiro do personagem e descobriram: Richard Horne. Então ele é filho da Audrey? Porque ele tem 25 anos, mas ela estava na explosão, então de quem é o filho? A Audrey sobreviveu? Ela está comendo? Ela está com frio? CADÊ A AUDREY?

E é aí que temos a maior decepção da temporada: Audrey aparece falando com seu marido (pelo menos ela o chama assim) pedindo para que ele a leve para o Roadhouse (bar famoso de Twin Peaks) para encontrar Billy (que ninguém sabe quem é). Não posso contar muito mais que isso, mas garanto que a última cena da nossa querida Audrey nesta temporada me deixou mal/traumatizada e me faz pedir aos céus todos os dias que exista uma quarta temporada (que ainda não foi anunciada e aparentemente ninguém quer muito comentar sobre isso).

Outro ponto que não podemos deixar passar batido é o oitavo episódio. Em resumo: ele é uma grande brisa, com cenas de explosões, sem diálogos que façam sentido e com personagens que nunca apareceram antes. O oitavo episódio é um filme do Lynch no meio da temporada.

Cena do oitavo episódio de Twin Peaks

 

Um fato que chamou atenção dos fãs são os números musicais que aconteceram em quase todos os finais e, em sua maioria, aconteceram no Roadhouse. Se apresentaram ChromaticsTHE Nine Inch Nails (eles são anunciados assim), Eddie Vedder, Lissie, entre várias outras bandas.

O retorno de Twin Peaks foi conturbado e é o que assusta os fãs para uma possível quarta temporada, pois, depois de já anunciado que a série voltaria, Lynch postou em sua conta do Twitter que estava abandonado o projeto por divergências com a Showtime (canal que passa a série nos EUA). Pela felicidade de todos, eles se acertaram e, ao contrário do que os executivos do canal norte-americano queriam, o diretor fez 18 episódios – sendo que a Showtime queria 10.

Agora é torcer para ninguém brigar, nenhum ator morrer e para que não tenhamos que esperar mais 25 anos para obtermos alguma resposta (ou não).

Quer uma possível explicação da terceira temporada? Segue um artigo (em inglês) que, para mim, faz muito sentido e dá uma resposta para quase tudo que aconteceu.

P.S.: Twin Peaks tem três temporadas (apenas a terceira está disponível na Netflix), um filme (Fire Walk With Me), um filme só de cenas cortadas de Fire Walk With Me, um livro que é um dossiê de tudo que acontece na série e o diário de Laura Palmer. Todos esses citados foram feitos por pessoas ligadas à produção, então complementam a série com a ciência de Lynch (outro livro, lançado no Brasil pela editora Darkside, se chama Twin Peaks Arquivos e Memórias, mas que foi feito por um fã).

 

Confira também:

– It – A Coisa – confira a resenha sobre o filme!

– 5 Filmes Musicais para se apaixonar pelo gênero

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