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O Terceiro Universo e a escultura de gelo – uma crônica sobre o relacionamento humano

Por: Débora Bandeira – Fala!PUC

 

Relacionamentos não são fáceis. Não falo apenas dos amorosos, mas sim de qualquer laço forte de afeto criado entre duas pessoas. Falo de relacionamentos amigáveis, familiares, entre colegas próximos, entre seres humanos distintos que fazem parte da vida um do outro.

São duas pessoas que possuem seus próprios universos, entrando em contato com um outro universo completamente diferente daquele que vivem. E, a partir disso, tentam conectá-los em busca de uma convivência simultânea entre ambos.

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Foto: reprodução.

 

Para isso, é preciso que se entenda o universo do outro. E isso não é fácil. É preciso abdicar do seu jeito de ver o mundo e passar a ver com os olhos da outra pessoa. É preciso mergulhar fundo naquele universo que não é seu, com características que não são suas, e assim compreender os motivos que justificam o seu jeito de ser.

Motivos esses que não são os seus. E é por isso que se deve desprender-se. Porque só abrindo mão dos seus preconceitos e gostos, das suas justificativas e razões, dos seus medos e anseios, sonhos e desejos, é possível estar completamente aberto para entender o outro. E, repito, não é fácil.

Não é fácil porque você e a outra pessoa possuem bagagens. Carregam uma mala com lembranças, tristezas, inseguranças, felicidades, amores passados, sonhos, planos, opiniões e preferências que compõem toda a história de uma vida. E é preciso ajudar o outro a carregar a bagagem dele, enquanto você também carrega a sua.

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Em meio a tudo isso, ainda há a sua relação com você mesmo. Se já não é fácil entender a si próprio, quem dirá entender o outro. Quem dirá o outro universo que não habitamos. Quem dirá outro mundo ao qual não vemos. Quem dirá outra bagagem a qual não sabemos a total composição e o real peso da mesma.

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Assim, relacionar-se com alguém não é fácil. É necessário ceder, ser paciente, manter a calma e dialogar. É fundamental ouvir para entender o universo do outro e falar para que ele entenda o seu. A troca é a base dos relacionamentos, e ela pressupõe saber quando priorizar a si, e quando priorizar a outra pessoa. E, definitivamente, é complicado.

É difícil encontrar esse ponto de equilíbrio, afinal, o relacionamento não diz respeito a qual universo será escolhido para os dois habitarem. Não é sobre ceder totalmente a um e abraçar completamente o outro. É sobre a criação de um terceiro universo, constituído por ambos, no qual nenhum se sobressai.

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E isso demanda trabalho, tempo, dedicação dos dois lados. Demanda passar por situações difíceis, por dias infelizes, que incluem brigas, discussões e desentendimentos. Porque, como já disse, não são apenas duas pessoas – são dois universos que se chocam.

É mais fácil jogar a toalha mesmo. É mais fácil se afastar daquela amizade que parece diferente demais de você, se trancar no quarto ao invés de ter um diálogo franco com seus pais, trocar de namorado em busca de um universo que seja muito mais próximo do seu. Contornar as divergências exige manutenção constante, exige transparência. É difícil.

Não que não seja necessário se afastar de quem não te faz bem. Há universos que não são capazes de conviver, outros que não duram muito tempo, outros que não formaram uma combinação confortável para ambas as pessoas. Mas a tentativa é obrigatória quando decidimos nos relacionarmos.

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Relacionamentos não são fáceis. Quaisquer que sejam, eles envolvem amor, carinho, amizade, companheirismo e as mais variadas bagagens. Não significa que são um fardo. Não são. Mas a perfeição é uma falácia. Lidar com seu próprio universo também é difícil, e lidar com o do outro, mais ainda. E a criação de um terceiro universo exige muito. Relacionar-se exige muito.

É como uma estátua de gelo: é preciso autoconhecimento para aplicar a técnica exata, é preciso conhecer as particularidades do gelo para moldá-lo. E isso requer muito, mas muito trabalho, dedicação e paciência.

O resultado é admiravelmente fascinante. Mas ela nunca está terminada, é indispensável mantê-la sob as condições ideais para que não desmanche.

O mesmo acontece com um terceiro universo.

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Casal se abraça em frente a escultura de gelo durante o primeiro dia do Festival de Harbin, na China (Foto: Kim Kyung-Hoon/Reuter).

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