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Sobre a Mulher e os Meios de Comunicação de Massa – Confira a nossa cobertura da Semana de Mulher e Mídia

Sobre a Mulher e os Meios de Comunicação de Massa – Confira a nossa cobertura da Semana de Mulher e Mídia

Ilustração da semana Créditos Lisandra

Na semana dos dias 15 a 17 de março, a Faculdade Cásper Líbero realizou a IV Semana de Mulher e Mídia, com um ciclo de palestras que abordou diversos temas relacionados à participação das mulheres em diversos campos, como militância feminista, artes, política e comunicação brasileira.

Tanto as cinco mesas de debate, quanto as duas oficinas, buscaram discutir e questionar as questões referentes a mulher na mídia. Ao mesmo tempo que necessitamos enfrentar muitas barreiras num ambiente machista e dominado por homens, temos nossa imagem inferiorizada pelos meios de comunicação, que criam e reproduzem uma visão da mulher que é hipersexualizada e objetificada.

A luta pela inserção e valorização das mulheres no campo da comunicação é uma discussão muito necessária em uma faculdade de comunicação com uma porcentagem de mulheres tão alta, como a Cásper. Necessitamos de grandes referências femininas na área, que ajudem as futuras comunicadoras a conquistar seu merecido lugar no mercado de trabalho.

A organização

Este evento foi organizado também em parceria com a Frente Feminista Casperiana Lisandra (FFCL) e com o apoio da Coordenadoria de Cultura Geral.

Mesa: Comunicação Feminista (15/03)

A primeira mesa de debate teve como pauta Comunicação Feminista e foi composta por Viviane Duarte, publicitária e fundadora do Plano Feminino; Andreza Delgado, estudante de Geografia, militante feminista e do movimento negro, além de colunista da revista e livro Capitolina; e Michelle Prazeres, jornalista e professora de Jornalismo da instituição;

O debate se iniciou a partir do conceito de “furar a bolha”, que deveria ser o principal objetivo dos veículos de comunicação, mencionado pelas comunicadoras. Andreza comenta que quando era mais nova, “era difícil abrir uma revista como Capricho/Atrevida e encontrar assuntos como lesbianidade, por exemplo”. Seguindo a mesma linha de raciocínio, Michelle comenta que “é função do jornalista dar voz a mulher”. Elas questionam ainda o modo como produtoras de conteúdo, possuem essa ganância, mas caem no abismo de não conseguirem interferir nas estruturas de poder da sociedade, e levantam a bandeira de que o conteúdo de comunicação precisa ser regulamentado, que esta não é uma questão de censura. “Somos poucas chefes de redação. Como repórteres, ficamos nos temas de perfumaria. Não nos deixam ocupar cargos de editoria. Quando personagens, nunca somos especialistas”, complementa Michelle.

Ao problematizar o modo como as espectadoras recebem um conteúdo feminista, Viviane discorre a respeito de diversas histórias que já vivenciou no ramo, dizendo que seu principal objetivo é tirar a publicidade da zona de conforto, e ainda questiona: “como eu vou falar de empoderamento com uma mulher que não tem espaço em casa?”. As comunicadoras se perguntam se a onda feminista que atingiu as redes sociais nos últimos anos é capaz de alcançar tais mulheres, referindo-se muitas vezes àquelas de origem periférica ou que não viveram o movimento de contra-cultura de 1960, que incentivava as de origem burguesa a adentrar no mercado de trabalho. “Temos as mulheres do mundo real para nos preocupar”, adiciona Andreza.

Em meio ao debate caloroso, a mediadora Helena Jacob, coordenadora do curso de Jornalismo da instituição, levanta a voz: “Eu sei que mediadora não comenta, mas como mulher é impossível não comentar”, o que faz com que as comunicadoras questionem a escolha das comissões organizadoras de eventos feministas de quais seriam as habilidades e/ou competências para discursar sobre o tema. “Acho que estou mais aqui por ser feminista do que por ser jornalista, professora da Cásper, ou pesquisadora de Comunicação”, comenta Michelle.

A mesa foi aberta para questionamentos dos alunos presentes e as perguntas variaram desde estereótipos femininos, até divergências no movimento feminista dentro das redes sociais. Quando questionadas à respeito do “porquê ainda há tanto preconceito com o movimento”, Andreza explica que é devido ao modo como o sistema em que vivemos perdura, que as mulheres são ensinadas a serem coagidas a atitudes machistas. “Uma vez que o feminismo te belisca, sua vida não vai ser fácil. […]  As pessoas se acomodam com a dor, sabem que estão sendo violentadas, mas é difícil reconhecer. […] O primeiro passo é pararmos de achar que os homens precisam nos deixar falar. Nós temos que falar de qualquer jeito”, adicionou Michelle, levando a plateia a aplausos calorosos por uma fala tão sintetizadora da importância do movimento.

Mesa: Mulheres nas Artes (16/03)

Para compor a mesa mediada pela professora da Faculdade Caspér Líbero, Mei Hua Soares, contamos com a presença da cineasta, ex-casperiana e diretoria do talkshow ‘’A Máquina’’, Anna Lucchese; Wanda Martins, coordenadora do bloco carnavalesco Ilú Obá De Min – Instituição de cultura, educação e arte negra, que empodera mulheres e não possui fins lucrativos; além da diretora da peça ‘’Há Mulheres’’, Poliana Pitteri, e a atriz representante da Cia Naturalis, Nanci Abade.

Divulgação do Bloco Ilú Oba
Divulgação do Bloco Ilú Oba.

 

O início da palestra ocorreu de forma surpreendente, com um trecho da peça ‘’Há Mulheres’’, realizada por atrizes da Companhia de Teatro Naturalis e dirigida por Poliana. Ao criticar de forma irônica a condição das mulheres na sociedade e, principalmente, no mercado de trabalho, a peça tem como objetivo possibilitar a transformação e o amadurecimento de ideias através da arte. Padrões pertinentemente submetidos às mulheres no dia-a-dia, como o uso de maquiagens, roupas discretas e emagrecimento, foram abordados no trecho de modo a incitar a reflexão. Poliana conta que a Cia Naturalis nem sempre foi uma instituição feminista, mas que se tornou a partir do momento em que sentiu necessidade de falar sobre o assunto.

‘’Começamos a perceber a carência de lideranças femininas no ramo teatral, e a questionar o porquê da mulher se destacar como atriz pela sua sensibilidade’’.

Para que a mudança aconteça – ressaltaram Poliana e Nanci – é fundamental a presença masculina na plateia, já que o avanço não tem êxito se a conversa entre homens e mulheres não for sincera e saudável. É necessária mais efetividade, tomar lugar de fala e de público; além disso, os debates não devem ocorrer apenas no 8 de março (Dia Internacional da Mulher).

‘’Mulher e sensibilidade – melhor atuação?’’

Entre as questões colocadas em pauta, destacam-se problemáticas quanto à identidade, à liberdade e ao autoquestionamento. Anna enfatizou o fato de que a mulher precisa perguntar a si mesma: ‘’Como eu me coloco no mundo? Quem sou eu? O que posso fazer para modificar ou sair de uma determinada situação? ’’. A cineasta ressaltou, também, a utilização da internet como um meio de experiência pessoal extremamente poderoso na retirada das mulheres de seus papéis ‘’românticos’’, e na fuga de estereótipos e padrões pré estabelecidos. O Youtube, por exemplo, é um forte aliado na abordagem de temáticas femininas mais complexas. Além disso, é necessário dar mais atenção às mulheres que desempenham funções técnicas e criativas na área de audiovisual; por este ser um ambiente, principalmente, masculino.

Em um segundo momento, Wanda explicou de forma detalhada os objetivos do bloco Ilú Obá – cujo significado é ‘’as mãos femininas que tocam tambor para o rei Xangô’’.

O bloco possui três focos principais: o empoderamento da mulher – que surgiu devido ao incômodo com sua posição no meio artístico; a ocupação do estado público – visando a liberdade da arte; e a luta contra a intolerância religiosa, tendo como religião base o Candomblé. Além disso, visa também preservar e divulgar a cultura negra no Brasil ao manter diálogo cultural constante com o continente africano através dos instrumentos, dos cânticos, dos toques e da corporeidade, entre outros.

‘’Nós, mulheres, somos conhecidas por falar demais. NÃO, nós não falamos demais, nós falamos POUCO. Temos que gritar, espernear. ESTAMOS AQUI!’’ – Nanci Abade.

Oficina Maratona de Edição – Edit-a-thon Feminista

No período da tarde, na quarta-feira (16), aconteceu a Oficina Maratona de Edição. A atividade era auto-organizada, ou seja, apenas mulheres poderiam se inscrever para participar, considerando que havia um limite de 40 vagas. A participação de não alunas era permitida, bastava enviar um e-mail para as organizadoras enviando seus dados, para que fosse liberada a entrada no prédio.

A oficina tinha a finalidade de incluir termos e temas ligados com o feminismo na Wikipédia. Para isso, contamos com a orientação do Prof. João Alexandre Peschanski (Cientista Social, Jornalista, Professor da Cásper Líbero), Célio Costa Filho e Victor Lópes (Membros do grupo de usuários da Wikimedia no Brasil).

O fato de serem homens e dirigirem a oficina, já evidencia a falta de representatividade feminina na mídia digital. Essa permanência da dominação masculina nos meios tecnológicos é digno de questionamento. Na Wikipédia, um dos maiores sites de informação, apenas 10% das colaborações são de mulheres.

Essa falta de participação aliada ao fato de que são homens que escrevem os artigos sobre questões femininas, resulta em erros conceituais e falta de informação de termos ligados ao feminismo. Por isso, a oficina serviu para que no meio de uma semana muito agitada em São Paulo, um grupo de meninas parasse suas obrigações para explorar a Wikipédia, saber de suas ferramentas e auxílio para a edição, tradução ou criação de artigos sobre pautas femininas.

Em 2014, as meninas do Think Olga organizaram, na Lab 89 em São Paulo, uma tarde de “Edit-a-thon das Minas”, que buscava aumentar o número de conteúdo disponível sobre mulheres. No final do dia foram criadas mais de 30 entradas. A oficina, assim como o evento de 2014, buscaram incentivar a participação das mulheres, além de dar-lhes uma voz para poder falar de questões que sejam de seu interesse.

Mesa: Retrato da Mulher Negra no Brasil (16/03)

Para tal, estavam presentes a pesquisadora e militante do movimento “feminismo negro”, Regiane Soares; Débora dos Santos Carvalho, engenheira ambiental pela USP, Master of Science em engenharia geológica e hidrogeológica pela universidade técnica de Freiberg, na Alemanha; e a mestre em História pela USP, Juliana Serzedello, também vencedora do prêmio Palmares de Dissertação, e autora do livro “Identidades políticas e raciais na Sabinada”.

A engenheira Débora dos Santos levou a plateia aos aplausos já na primeira parte da palestra, a apresentação. Seu discurso levou todos a refletirem sobre a complexidade de ser uma mulher, negra, ser menos favorecida economicamente, e conseguir nesse cenário a sua ascensão intelectual com tanta braveza.

Outro fator bastante notório da palestra foi a comparação entre brancos e negros ao serem inseridos no mercado de trabalho. Durante seu discurso, a militante menciona que ser negro é ser testado a todo momento, e também destacou a necessidade dos negros em mostrar seu potencial, enquanto os brancos, privilegiados, é possível abrir portas com maior facilidade no mercado profissional.

Mesa: Comunicadora em Risco (17/03)

A mediação da mesa foi feita pela Profa. Ester Rizzi que, além de advogada e de ministrar aulas de Formação Jurídica Para Lideranças Populares, é professora da Faculdade Cásper Líbero.

A primeira a ter a palavra foi Laura Daudén, que é jornalista da Conectas Direitos Humanos, formou-se na Cásper e fez seu TCC sobre os conflitos no Saara Ocidental (Anos mais tarde foi transformado em livro com o título “Nem paz nem guerra: três décadas de conflito no Saara Ocidental”). Após um ano de preparação e estudo, passou 3 meses, com sua companheira de trabalho, na região. Ela trouxe para a discussão a questão do machismo nas redações, contou que durante o projeto ela foi desencorajada e questionada por professores sobre sua ida até o país. Nesses momentos, a falsa crença de fragilidade feminina foi trazida à tona, comprovando a dificuldade e barreiras a serem quebradas pelas jornalistas que desejam cobrir zonas de conflitos.

Daudén também trouxe uma série de questões a serem levadas em consideração num trabalho como este: Logística e deslocamentos, ter fontes confiáveis no lugar, documentos necessários, saber trabalhar com a transição entre lados opostos de um conflito, ter o cuidado de enviar constantemente o material produzido para que não correr o risco de perder ou ser apreendido, ter um conhecimento da língua local, uma empatia com a cultura do lugar. Mas um ponto que ela destacou foi o que mais se sobressaiu – a necessidade de ter empatia com as mulheres dessas zonas, pois com o conflito, elas são ainda mais abusadas.

Em seguida, a jornalista Laís Modelli  relembrou que a cobertura de mulheres não é só difícil lá fora, mas o “Brasil é muito carrasco com as mulheres”. Contou sobre sua trajetória profissional, suas experiências durante a cobertura dos conflitos políticos no México. Durante sua fala, ela dá uma esperança afirmando: “não é fácil, mas não é impossível”.

Depois foi a vez de Vanessa Martina Silva (Periodista do Opera Mundi, Colaboradora do Comunica Sul e Colaboradora do Diálogos do Sul), que se interessou mais por um jornalismo internacional focado na América Latina. Com auxílio de um PowerPoint com fotos, contou sobre sua experiência trabalhando no “Portal Vermelho”, na época do golpe no Paraguai, e que, por iniciativa própria, ela decidiu viajar para acompanhar de perto a situação conturbada de nosso vizinho.

Durante essa viagem, ela afirma ter tentando inúmeras vezes marcar uma entrevista com o ex-presidente, Fernando Lugo, porém ela não era levada a sério. Dessa maneira, nem foi considerada para uma “roda de perguntas” que ele faria, mas ela conseguiu entrar no local e foi capaz de conseguir cinco minutos com o ex-presidente. No entanto, ela conta que durante esse tempo ela foi obrigada a ouvir piadas muito machistas e sexistas vindo do assessor de Lugo. Mais um exemplo da realidade vivida pelas mulheres diariamente.

Também contou sua experiência na Venezuela durante a eleição presidencial em 2012 e em 2013, apesar de tudo que lhe falaram sobre “como se comportar” em Caracas, uma das cidades mais perigosas do mundo, ela diz que “no calor do momento a pessoa não pensa em questões de gênero, você apenas se vê como jornalista que quer cobrir algo”.

Esse encorajamento e compartilhamento de experiências são fundamentais, pois a menina que está na faculdade e tem interesse nessa área ouve apenas comentários negativos, e ao participar em uma mesa como essa, pode perceber que é possível.

Oficina Rodada Hacker (17/03)

Durante a tarde de quinta-feira (17), várias garotas, alunas e não alunas, puderam se encontrar dentro da faculdade para participar da Oficina de Programação do Minas Programam, que teve como objetivo trabalhar conceitos básicos de programação para incentivar as mulheres a se interessarem pelo mundo da computação.

1a oficina Créditos Lisandra
Segunda oficina lisandra Créditos Lisandra.

 

Sob a orientação da administradora do projeto, Anna Flávia de Camargo, a oficina começou com uma breve apresentação de cada uma das garotas participantes, que explicaram o porquê do seu interesse em estar ali. Todas admitiram nunca ter tido contato com nada relacionado à programação, mas demonstraram curiosidade para aprender um pouco mais sobre o assunto.

A partir daí, todas deram início ao trabalho. Atenciosa, Anna Flávia explicava conceitos básicos de Javascript de uma forma muito didática, e esclarecia todas as dúvidas das garotas enquanto elas faziam os exercícios. Isso espantou qualquer receio que elas pudessem ter quanto à dificuldade de compreender o conteúdo. Na verdade, depois de adquirida certa prática, já era possível ver grandes sorrisos estampados no rosto de cada uma delas, que se animavam ao ver os resultados de seus esforços pela tela do computador.

Mesa: Ciberativismo Feminista (17/03)

As representantes da mesa de Ciberativismo Feminista, que encerraria o evento na quinta-feira à noite, foram Babi de Souza, jornalista e criadora do movimento Vamos juntas?; Nayara Fannuci, criadora do movimento Empodere Duas Mulheres; Helô D’Angelo, estudante de jornalismo da instituição e co-criadora do blog feminista Eu, tu, elas; e mediado por Michelle Prazeres, jornalista e professora da instituição.

As explicações das trajetórias pessoais de cada uma das comunicadoras é perfeitamente sintetizada pela mediadora: “São sempre questões muito orgânicas – o ciberativismo sempre parte de questões pessoais”. Durante a mesa, as histórias de sucesso de cada um de seus projetos falam por si só. Babi comenta que “em menos de duas horas, eu já me senti na obrigação de criar uma página no facebook, porque já tinha 300 compartilhamentos no meu post”, referindo-se ao post em que fez em sua página pessoal convidando as mulheres a participarem de seu movimento. “Duas semanas depois já tinham 100 mil likes na página. ”, adiciona. Helô conta que teve uma experiência parecida: seu blog partiu de um trabalho de faculdade, e sentiu necessidade de continuar após a entrega do mesmo. “As meninas [que participavam] começaram a se ajudar com os textos”. À respeito da internet, comenta que ela “consegue criar uma rede de sororidade que até já tínhamos como mulheres, mas não reconhecíamos muito bem”.

Babi e Nayara relatam situações similares que vivenciaram em seus projetos. “O número de mulheres que nunca tiveram coragem de contar de um abuso sexual é absurdo.”, comenta Babi. Elas comentam que o que mais ouvem de suas internautas é que nas páginas do Facebook elas conseguem falar, enquanto para a polícia, travam. As comunicadoras então engatam a dificuldade de saber dar o apoio corretamente a essas meninas. “O máximo que você poder fazer é dizer as coisas óbvias, mas você não tem instrumentos legais ou psicológicos para ajudar alguém”, adiciona Helô. “A questão não é nem que a lei não tem amparo, é que as leis não são feitas por mulheres”, rebate Babi.

Quando aberto para perguntas do público, Julia Guadagnucci, estudante do 3º ano de Jornalismo comenta que sente falta de ações mais diretas – “o facebook cria essa ilusão de que estamos atingindo a todos, mas não é bem assim”. Babi, então desabafa que ao criar o projeto, poderia ir para a rua e ter contato com 10 mulheres, ou ficar na internet e falar com milhares de mulheres. “São micro-revoluções”, afirma ela. Nayara, que é ex-casperiana, graduada no curso de Rádio e TV em 2014 da instituição, revela que em sua época de estudante o movimento feminista não era tão forte quanto atualmente, e, portanto, ela e as colegas de turma não possuíam o empoderamento ou argumentos necessários para contrapor as situações machistas que via em professores da própria instituição.

“Nós não conversávamos sobre isso. […] Exatamente dentro de uma faculdade de comunicação é que não podemos ter medo de comunicar.”, complementa.

Uma das professoras do curso de Rádio, TV e Internet, presente no público, declarou apoio à Nayara e discorreu sobre a importância do feminismo para si – por ser muito mais velha que as comunicadoras e estudantes, pediu desculpas em nome dos professores que Nayara citou, e comentou que “A sala de aula não é um espaço de opressão. A sala de aula é um espaço de liberdade de conhecimento.” Após calorosos aplausos por seu depoimento, Helô, em contrapartida, disse à professora que “você não tem que pedir desculpas. Esse é o seu espaço tanto quanto nosso.”

Comovida com o clima que havia se instalado ao final da mesa, Michelle, mediadora, interviu ressaltando a importância de um evento como esse no contexto político atual que vivenciamos – o público daquela quarta-feira era muito inferior ao ser comparado com o das outras noites, devido aos protestos que ocorreriam na Avenida Paulista, localização da instituição. “Eu não sei se a revolução vai ser televisionada, ou se vai ser pelas redes sociais. O que eu sei é que qualquer revolução que ocorra, muda profundamente as mulheres que compõem a sociedade.”, complementa Michelle, causando um motim na plateia. Uma das representantes do grupo de ação da Frente Feminista Casperiana Lisandra, afirmou que se depender delas, “continuaremos a incomodar e plantar sementinhas.” Em depoimento para o Fala!, a estudante do 1º ano de Jornalismo da instituição comenta: Embora estejamos todos os dias em contato com o movimento, trazer mulheres que estão obtendo um resultado positivo nessa luta me fez acreditar mais ainda que é, sim, possível mudar este cenário.”

Por: Ana Luiza Sheludiakoff Couto, Letícia Santini, Natália Barão, Nathalia Sobral, Paula Salas, Thaís Chaves

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