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O Menino e o Mundo – confira a resenha do filme!

Por: Larissa Nicoletti dos Reis – Fala!M.A.C.K

 

O Menino e o Mundo se trata de uma animação brasileira lançada em 2013 em mais de 100 países e vencedora aproximadamente de 51 prêmios, incluindo o conceituado Annie Awards (uma premiação, considerada importante do gênero animação, e que ocorreu  no dia 06  de fevereiro de 2016, no teatro Royce Hall em Los Angeles).

Alê Abreu, diretor do filme, nasceu em São Paulo no dia 06 de março de 1971. Com apenas 13 anos estudou cinema de animação no MIS (Museu da Imagem e do Som). Formou-se em Comunicação Social em 1992 e em 1993 lançou seu primeiro curta chamado “Sírius”. O curta “Passo” (2007) foi exibido nos mais importantes festivais de animação do mundo o que lhe rendeu fama entre os principais cineastas mundiais. Desenvolveu ilustrações para publicidade, revistas, jornais, livros e foi homenageado pelo Anima Mundi (Festival Nacional de Animação do Brasil que ocorre no Rio De Janeiro e São Paulo. É considerado o principal festival do gênero da América Latina), que exibiu uma retrospectiva se seus filmes.

Em “O Menino e o Mundo” (2013) Alê Abreu, desenvolveu um traçado gráfico simples em duas dimensões (2D) que moldam a história em um fundo branco. A referência imagética remete à uma folha de papel e causa estranhamento para aqueles que estão acostumados com a alta tecnologia das animações estrangeiras. E com tal simplicidade, apresenta a complexa realidade brasileira pela qual muitos passam, sem ao menos utilizar-se de diálogo em sua obra, apenas sons incompreensíveis. Deixa para os espectadores do filme a interpretação de que o mundo para uma criança, não soa da mesma forma como para os adultos e o modo como estes escutam.

Sobre o filme

O filme nos apresenta o menino, que não recebe um nome. É possível apenas observar um garoto curioso, amante da natureza e da música. Vive no campo com seus pais e possui uma vida feliz até o momento em que seu pai decide ir para a cidade buscar um emprego. Com o passar o tempo, o menino percebe que o pai não volta e então ele decide fugir de casa para encontrá-lo.

Cena do encontro.

 

Durante sua viagem, o garoto se depara com um personagem que é um trabalhador rural que coleta algodão para a produção de tecidos. Trata-se de um homem velho e cansado que vive apenas com seu cachorro magricela em condições deploráveis em uma casa de apenas um cômodo. A animação demonstra a desvalorização do bem-estar e da qualidade de vida do homem rural, se aproximando quase sempre de um trabalho escravo, onde o funcionário trabalha apenas por um prato de comida.

O menino presencia o velho ser demitido de seu trabalho por estar fraco e doente, e assim o garoto se afasta do personagem seguindo um caminhão cheio de homens que se dirige a uma fábrica.

Cena da fábrica.

 

Ali, conhece um tecelão, um homem jovem que trabalha tecendo algodão para a produção de roupas. O menino observa todo o funcionamento da fábrica e repara que as pessoas se tornaram peças de uma grande máquina que visa o lucro de apenas um único indivíduo. Engrenagens que se cansam e que precisam voltar para a casa ao final da noite. Abre-se assim, espaço para a substituição do homem pela ferramenta mecânica que consegue produzir mais rápido por mais tempo, sem precisar repousar.

Cena da televisão.

 

Ao ir para a cidade, junto do tecelão, o garoto repara que o lugar se assemelha à uma prisão rodeada de guardas que tocam uma orquestra armados e impõem a ordem da maneira que lhes convêm. Um lugar onde a prostituição, bebida e drogas se tornaram algo comum e a publicidade controla a mente de sua população. Realidade que não foge da atualidade em que o Brasil vive. No filme, as modelos dos anúncios publicitários não passam de montagens com olhos, bocas, narizes cortados de revistas e unidos em uma pessoa que apenas sorri mostrando o preço de seus acessórios e seu padrão alto de vida. O tecelão assiste tais anúncios enquanto come sua comida enlatada que se assemelha ao esterco utilizado pela fazenda em que o menino vivia.

Fica fácil compreender a falta de qualidade de vida mesmo do jovem trabalhador que mora na favela e trabalha mais de oito horas por dia. Apesar de sua condição, o jovem segue até a praia aos fins de semana para fazer música a qual é apaixonado e não recebe nada por isso.

Cena da abdução.

 

O menino, por acidente, embarca em um navio onde o algodão é levado até os Estados Unidos da América e é sugado para seu território como se fosse um ser terrestre sendo abduzido por um óvni. Com extrema rapidez e eficiência,  roupas começam a ser produzidas, tornando o cenário psicodélico com cores vivas misturadas no preto que causam confusão na mente de quem observa. Por fim, recebem o logotipo estrangeiro para serem revendidas em lojas brasileiras por preços inacessíveis.

Cena da fênix.

 

Ao retornar para o tecelão, o garoto segue novamente para área periférica da cidade onde encontra música, cultura e alegria entre aqueles que lá vivem. Sobe ao céu então, uma grande e bela fênix que canta ao céu enquanto abre suas asas.

Pouco tempo depois, o exército da cidade, toca sua orquestra fúnebre e, surge junto de uma águia americana negra que ameaça a todos os que se encontram na pequena festa.

Cena do combate.

 

Inicia-se um combate corpo a corpo entre os dois animais, no qual, ao notar que a fênix poderia vencê-la, a águia se torna uma arma e atira centenas de vezes na outra ave que cai estraçalhada transformando-se em pequenas bolas coloridas que se esparramam pelo chão e escorrem pelo ralo, causando a revolta da população.

Cena da revolta.

 

Neste caso, a fênix simboliza a liberdade e a alegria do povo pobre, sendo estas, uma das poucas coisas que lhes restam. O governo (exército militar) surge e a extingue diante de seus olhos, despertando o ódio, protestos e violência.

Tal cenário pode ser notado atualmente com as inúmeras revoltas da população contra o governo exigindo seus direitos de volta através de manifestações que por muitas vezes se tornam violentas. No entanto, uma jovem fênix renasce junto dos jovens, ilustrando uma nova esperança de um futuro melhor.

Cena em que o filme se queima.

 

O “Menino e O Mundo” desperta a reflexão sobre a realidade atual e parece ser uma metáfora do modo como a população de países subdesenvolvidos vivem, pois nada do que se é tratado na animação se trata de total ficção.

Tal afirmação pode ser confirmada no momento em que o filme se queima diante dos olhos de quem assiste e as imagens se tornam reais mostrando árvores sendo destruídas, fábricas poluindo o ar que respiramos, a violência que estamos expostos em nosso cotidiano. Há sujeira e imundice em meio a população no filme e nos diferentes contextos sociais de muitas pessoas na sociedade. Os animais são mortos e há catástrofes de toda ordem. Isso faz com que o menino volte correndo para sua casa assustado.

Por final, o filme mostra que os personagens que o menino conheceu em sua aventura, travam-se de si próprio no futuro e das dificuldades que encontraria quando saísse da casa de sua mãe assim como seu pai o fez.

Tal cenário não deixa de existir no território brasileiro, e o filme contribui para que possamos considerar o futuro das crianças de nosso país e a desesperança alarmante que cresce no contexto social.

O curta, mesmo sem palavras, comunica sua voz de denúncia ao relatar o futuro possível repleto de frustações e sonhos despedaçados, pelos quais o personagem principal do filme virá a passar quando crescer e que pode ser, infelizmente, vivenciado pelas crianças do Brasil.

 

Confira o filme completo no YouTube:

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