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O Diabo e a Cura – Um Conto de Terror.

cronica 1

Flávia tinha em casa um filho que ia morrer.

O menino toda vida teve dificuldades para respirar, mas o chiado em seu peito havia aumentado muito em pouco tempo, e agora soava como metal sendo arrastado contra pedra. Naquela noite ele arregalava os olhos tentando absorver o ar, como se estivesse afogando em cima da cama, e a mãe sentia que ia sufocando também. Em um momento ela não aguentou e teve que ir até o quintal respirar.

Estava lá quando viu um homem sentado no banco de madeira perto do ipê. Ela estava tão cansada que não sentiu medo. Tão cansada que estava sonolenta, como se tudo aquilo – o homem, o ipê florido, o filho moribundo – fosse um sonho. E, com a certeza das coisas que temos quando estamos sonhando, Flávia tinha certeza que aquele homem era o diabo.

O diabo falava baixo e andava devagar. Disse que ela estava sofrendo porque o filho ia morrer, e que podia ajudar.

Ninguém tinha dito ainda aquilo, que o filho ia morrer – mas ela sabia que era verdade. Ela perguntou se ele podia curar o filho. Ele disse que não, mas que podia fazer algo quase tão bom quanto isso:

-Posso fazer com que você deixe de amá-lo.

Ela achou a idéia horrível e pensou em xingar o diabo, mas estava tão cansada que não disse nada. O diabo disse:

-Pense bem. Há quantos anos você está nisso? Você sabe que não há nada a fazer. Pode mentir que sua preocupação ajude o seu filho em alguma coisa, mas nós dois sabemos que isso não é verdade.

Ela suspirou e disse:
-Vou entrar.
-Se mudar de idéia, vou estar aqui amanhã de novo.

Durante uma semana ela desceu às noites para o quintal e fumou em silêncio na companhia do diabo. Uma noite ele disse:

-O seu amor não adianta nada, só te faz sofrer. Grande coisa. Está desperdiçando sua vida por causa de um garoto morto. Joga isso fora, Flávia, joga isso fora…

O diabo falava de um jeito tão compreensivo, tão bom.

Na oitava noite ela não aguentou mais e disse:
-Está bem.
Sob o ipê o diabo olhou para ela como se estivesse um pouco surpreso.

Depois sorriu.
-É melhor assim, você vai ver.
-Como é que você vai… –ela ia perguntar como ia ser o procedimento, mas
o diabo a interrompeu baixinho:
-Já aconteceu, Flávia. Já aconteceu. E eu nada fiz.

cronica 1

Por: Layon Lázaro – Fala!USP

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