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Murillo Zyess – um poeta homossexual na cena do Rap

Por Marcelo Gasperin – Fala! Universidades

 

Murillo Henrique Silva, 22 anos, nascido e criado na zona sul de São Paulo, é um exemplo de que a música acolhe o ser humano sem preconceito – mas só se você tiver muita força de vontade.

Conhecido artisticamente como Murillo Zyess, o poeta e homossexual assumido busca seu espaço dentro da cena do Rap, e promete somar (e muito) com as suas composições.

Em entrevista com o Fala!, Murillo nos conta sobre o seu mais recente trabalho publicado, e também sobre as dificuldades de ser gay no mundo do Rap. Confira:

Fala!: Quando você começou a compor? E por que escolheu cantar Rap?

M.Z: Foi entre os 13/14 anos, comecinho da adolescência. Nessa época, vez ou outra, eu tentava escrever alguma coisa mas era algo bem pessoal, como se fosse um diário, saca? Logo depois, meus primos começaram a participar de batalhas de Rap e fizeram uma dupla, começaram a compor e isso me despertou. Eu fiquei apaixonado, comecei a ouvir outros Mc’s, comecei a entender o quanto aquilo me servia, e a partir daí minhas composições começaram a ter mais sentido, mais peso. Escolhi o Rap porque ele me fortaleceu.

Fala!: Você acha que a cena do Rap é homofóbica? Você já sofreu essa discriminação em algum show, ou com alguma gravadora, etc?

M.Z: É sim, homofóbica e machista. O Rap existe a princípio pra combater a desigualdade, o preconceito, mas parece que entenderam errado essa parte. Quanto a mim, diretamente não passei por nenhum caso específico, mas eu conheço vários Mc’s heterossexuais, que inclusive organizam eventos, festivais e shows, e eu sou vetado SEMPRE. Nunca sou convidado, alguns deles vêm até mim, me parabenizam, reconhecem o meu trampo, mas acredito que pra eles, ter uma pessoa como eu no rolê já é demais, saca?! E quando eu vou pra assistir, vejo 10 caras em cima de um palco – quando tem mina é uma ou duas no máximo e pronto, já acham que estão fazendo grande coisa pela diversidade. Eu vejo nesses detalhes o quanto a cena ainda precisa evoluir.

Fala!: Em seu mais novo EP, chamado No Recinto, você aborda principalmente a questão da homossexualidade e todos os conflitos pessoais que você já passou por conta disso. O que você pretende passar com as músicas deste novo trabalho? Você acha que a música foi fundamental pra você combater o preconceito?

M.Z: Sim, a música foi fundamental, o Rap foi fundamental em todo meu desenvolvimento de aceitação e de empoderamento. O que eu quero passar com o EP é justamente isso, que existem válvulas de escape pra esses conflitos, e que quando você conhece a história de alguém, que passou pelo o que você está passando, e que esse alguém conseguiu dar a volta por cima, daí você se inspira, você se motiva.

Fala!: E o que é aquela participação com o Gu1hgo e a Gloria Groove?! A música ficou muito pesada. Como foi o processo de criação e gravação da música?

M.Z: Aaah, modéstia a parte, ficou incrível, né? hahahaha. Gloria e Gu1hgo são dois exemplos pra mim, dois ídolos. Quando comecei a montar o EP, eu já tive essa ideia de ter uma colaboração nesse estilo. Conversei com o Gu1hgo, que é mais próximo a mim, e disse sobre meu desejo de ter também a Gloria no EP, mas nunca tinha conversado com ela, então não criei muitas expectativas. Aí entrei em contato com ela, nos conhecemos, fiz a proposta e já comecei a produzir. Escrevi meu verso e o refrão, mandei pro Gu1hgo, ele fez o verso dele, mandamos pra Gloria e ela amou – aí ela fez o verso dela e fomos gravar. Foi tudo muito divertido, tive muito aprendizado com eles, agregaram demais ao meu EP. Sou muito grato aos dois.

Fala!: Você quer deixar um recado pra quem ainda não consegue lidar com o meio LGBT+ dentro do Rap, e da música no geral?

M.Z: Ah, é bom ir se acostumando né, porque a gente tá cada vez mais forte, mais determinado a pegar o NOSSO espaço. Não estamos querendo nada além do que é nosso, e se não quiser aceitar, paciência – mas respeitar é obrigação.

 

Ouça o EP “No Recinto” completo:

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